"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Luta Espiritual!


“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.” (2ª Co 10.4-6).

O texto acima nos mostra que o conflito entre as forças de Deus e as de satanás é espiritual e precisa ser travado com armas espirituais. As armas do mundo são o inverso das regras de Deus:

• A mentira em lugar da verdade

• As trevas ao invés da luz

• A tristeza em lugar da alegria

• E a morte em lugar da vida.

Paulo usa uma linguagem militar para fazer sua defesa. Como um bom soldado de Cristo se coloca na ofensiva e nos ensina algumas preciosas lições:

1. A natureza de nossas armas

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus...” (10.4).

A vida cristã não é um parque de diversões, mas um campo de guerra. Estamos numa batalha e não numa estufa espiritual. A palavra grega hopla, armas, é uma palavra genérica usada tanto para descrever armas de defesa como de ataque. O ataque do inimigo na cidade de Corinto fazia parte de uma grande campanha militar. Os poderes do inferno atacavam a igreja e era importante não ceder em nenhum território. Nesse campo de guerra, as armas carnais são impróprias e inadequadas. Nossas armas são poderosas em Deus. São armas que constroem em vez de destruir, são armas que dão vida em vez de matar.

2. O poder de nossas armas

“...para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (10.4-5).
 Gostaria de destacar que essas armas espirituais, poderosas em Deus, são eficazes para algumas finalidades:

a) Elas destroem a resistência do inimigo

“...para destruir fortalezas...” Essas armas destroem fortalezas. A palavra grega ochuroma, encontra-se somente aqui em todo o NT. Fortaleza nos papiros tinha um significado de prisão. Essas fortalezas são muralhas que resistem e portas que se fecham, e paredes que aprisionam. Às vezes podem ser sistemas, esquemas, estruturas e estratégias que o inimigo usa para frustrar e obstruir o progresso do evangelho de Cristo. O inimigo tem suas fortalezas, e essas fortalezas nos parecem às vezes impossíveis de serem vencidas. Mas as armas que usamos podem destruir essas muralhas, fazer cair às resistências. O evangelho é o poder de Deus que destrói qualquer tipo de fortaleza, demoli toda oposição.

b) Elas anulam as estratégias do inimigo

“...anulando nós sofismas...” Essas armas anulam sofismas. A palavra sofisma no grego logismos, aqui tem um sentido de raciocínio, reflexão, pensamento. A batalha é travada no campo das idéias. Essa guerra não é travada contra as pessoas em si, mas contra padrões de pensamentos, filosofias, teorias, visões e táticas. O diabo cega o entendimento dos incrédulos (2ª Co 4.4). Ele distorce a verdade, dissemina o erro e espalha a mentira. As nossas armas desmantelam esses sofismas, desmascaram esses artifícios e destroem estes raciocínios falazes.

c) Elas acabam com o orgulho do inimigo

“...e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus...” Essas armas são poderosas em Deus para anular toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus. Paulo já havia dito para os coríntios que o evangelho da cruz é loucura ou tolice para aqueles que viam o mundo pelas lentes da filosofia grega (1ª Co 1.18-25). Quando Paulo pregou o evangelho para os filósofos atenienses, eles desprezaram sua mensagem. Para os filósofos, o evangelho era pura tolice (At 17.32). Entretanto, mediante a proclamação do evangelho, toda essa argumentação oca é destruída, e os pecadores são salvos. Há muitos homens soberbos que escarnecem a fé cristã em nossos dias. Vemos hoje, cientistas, evolucionistas, filósofos e livres pensadores que não tem espaço para Deus em suas doutrinas e cosmovisão. Mas quando usamos a verdade de Deus, toda esta altivez arrogante cai por terra e cobre-se de pó.

d) Elas aprisionam o pensamento do inimigo

“...e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.” (10.5). Paulo continua ampliando a metáfora militar. Quando se conquista uma fortaleza também se fazem prisioneiros. As armas espirituais não aprisionam homens, mas idéias. Ao contrario as armas espirituais libertam o homem. Portanto o propósito do apostolo não é apenas destruir os falsos argumentos, mas também conduzir os pensamentos das pessoas sob o senhorio de Cristo. Aqui levar cativo, indica que o ato de fazer prisioneiro está em andamento, à batalha está sendo travada, está sendo ganha e a vitória é inclusiva (todo pensamento). A cultura aqui é conquistada para Cristo e permanece intacta, mas seus componentes são transformados. Quando as pessoas se arrependem, experimentam uma inversão completa em seu modo de pensar, e que a partir daí, dirigem suas ações à obediência de Cristo.

Por obedecermos a Cristo, a razão escapa da escravidão do erro e do pecado e volta a encontrar sua verdadeira liberdade para o qual foi criada (Jo 8.32).

Concluindo: Precisamos discernir a eficácia das nossas armas

“...e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.”(10.6). Paulo, como um guerreiro espiritual de Cristo, trajando armas espirituais, não só destrói a resistência, as estratégias, a soberba e os pensamentos do inimigo, mas também tem autoridade para punir a desobediência daqueles que se entregam ao erro. Era uma desobediência que tratava o evangelho com desdém. Por isso eram chamados de falsos profetas e até mesmo servos de satanás. (1ª Co 11.13-15).
Embora vivamos na carne, ou seja, estamos sujeitos à fraqueza de nossa natureza humana, não lutamos segundo a carne. Nossa autoridade é espiritual. No reino de Cristo a autoridade não se demonstra pela força, mas pela mansidão e benignidade. Maior é o que serve, e não o que é servido. Por isso precisamos estar de prontidão para punir toda desobediência de nossa carne.