"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



domingo, 15 de maio de 2011

Frutificando para Deus

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gálatas 5.22-25).

O apostolo Paulo faz um contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Se obras falam de esforço, o fruto é algo natural. É importante destacar aqui a diferença de obras para fruto, pois remove a ênfase do esforço humano. As obras da carne é resultado de nosso esforço, porém o fruto do Espírito é a realização do Espírito Santo em nós.
Uma obra é algo que o homem produz por si mesmo, um fruto é algo que é produzido por um poder que não é dele mesmo. O fruto do Espírito tem origem sobrenatural, crescimento natural e maturidade gradual.
Paulo enfatiza três verdades importantes sobre o fruto do Espírito:
1. A natureza do fruto
2. Sua variedade
3. Seu cultivo
O fruto que Paulo está tratando é criação do Espírito Santo. Ele não brota da nossa natureza, nem é produto acadêmico. Esse fruto é variado, uma vez que são produzidos pelo próprio Espírito. Por isso precisamos observar estas verdades:
1. A natureza do fruto
Gl 6.7 diz: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.”
Tudo o que plantamos, nos colheremos. O homem é livre para escolher, mas não é livre para escolher as conseqüências do que escolhe. Essa é a lei da causa e efeito. Colhemos exatamente a mesma natureza daquilo que semeamos. Uma árvore má não dá bons frutos.
Há algo muito importante nesta questão, pois colhemos mais do que semeamos. Há uma multiplicação na colheita. Por exemplo: “quem semeia ventos, colhe tempestades (Os 8.7). Por isso Paulo nos exorta: “...de Deus não se zomba...”
“Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.” (Gl 6.8).
Ao pensarmos na natureza do fruto precisamos atentar para a raiz, pois a raiz determina o fruto, e não o fruto a raiz. Semear para a própria carne significa buscar a satisfação das necessidades desta vida, sem nenhuma consideração pela vida futura, mas quando o Espírito Santo semeia em nossas vidas buscamos os valores da vida que permanece.
Por isso, semear na carne significa deixar que a velha natureza se expresse livremente, enquanto semear no Espírito significa deixar que o Espírito se expresse como ele quer.
2. Sua variedade
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23).
O fruto do Espírito não pode ser criado artificialmente nem pode ser simulado. Ninguém frutificará alheio a operação do Espírito Santo. Vale ressaltar que Paulo não fala de frutos, mas do fruto. Essas nove virtudes são como que gomos de um mesmo fruto. Não podemos ter um fruto e ser desprovidos de outros. As nove virtudes produzidas em nós pelo Espírito podem ser entendidas em três áreas:
Nossa atitude para com Deus: “...amor, alegria, paz...” estas três virtudes tem a ver com nossa relação com Deus, pois o primeiro amor é o nosso amor à Deus, nossa principal alegria é para com Deus e nossa paz mais profunda é nossa paz com Deus.
Nossa atitude para com outras pessoas: “...longanimidade, benignidade, bondade...” estas três virtudes estão conectadas com a nossa relação com o próximo. Longanimidade é paciência para com aqueles que nos irritam ou nos perseguem, é uma pessoa tardia em irar-se. Benignidade é uma questão de disposição para servir e amar ao próximo e bondade refere-se a nossas palavras, atos e ações.
Nossa atitude com nós mesmos: “...fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Estas três últimas virtudes tem a ver com nossa relação com nós mesmos. Fidelidade significa fé, lealdade. Descreve a pessoa que é digna de confiança. Mansidão significa dócil, submisso. É ter poder sob controle. Domínio próprio significa ter domínio dos próprios desejos e apetites.
Estamos ligados a Cristo na sua morte e ressurreição. Estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais acima de todo principado e potestade. Por isso precisamos assumir nossa posição em Cristo.
Por isso Paulo diz que a carne já foi crucificada. É nossa responsabilidade crer nisso e agir de acordo.
3. Seu cultivo
“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gl 5.25).
Se o Espírito habita em nós e em nós produz seu fruto, precisamos então andar no Espírito. Não podemos viver de modo indigno de nossa vocação.
Algo importante aparece na palavra andemos no original grego diz stoichomen, que significa caminhar em uma linha reta. Comportar-se adequadamente (era usada para demonstrar uma linha definida, nado sincronizado, bale, etc.). Aponta para uma ação habitual e continua em nossas vidas.
Paulo fala de duas experiências distintas: “andar no Espírito” (5.16 e 25) e “ser guiado pelo Espírito” (5.18). Há uma diferença muito clara entre ser guiado e andar, pois uma fala de nossa condição em obediência ao Espírito e a outra fala de uma posição que somos ajudados pelo Espírito em nossas dificuldades e permitimos sua ajuda. Em seu cultivo nas nossas vidas é o Espírito Santo quem guia, mas quem anda somos nós. É uma tomada de posição!
Concluindo, John Stott diz que o cristianismo não é escravidão, mas um chamamento da graça para a liberdade.
Nossa liberdade não é uma liberdade que nos permite viver uma vida para o pecado, mas liberdade de consciência somos livres para obedecer. Somos salvos pelo sangue de Cristo e sendo assim livres para viver em santidade!