"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Unidade na Família

A vida da família não pode ser vivida relaxadamente fora da vontade e propósito do Senhor. Muitos lares, inclusive cristãos, sofrem problemas de várias ordens porque falham no comprometimento com o projeto divino. Daí nos dias modernos muitas vezes não sabemos explicar a desintegração familiar e os males que isto podem causar na igreja e sociedade em todas as esferas, quer sejam institucionais ou relacionais. Vejamos o que diz 1ª Pe 3.7: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.”  O texto acima dá algumas pistas para a relação na família:
a. “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento...”
“Оί άνδρες όμοίως, σunοικούνtες καtά γνώsιν...”
Depois de se dirigir as mulheres, orientando-as no que se refere ao comportamento pessoal e relacional diante de Deus e de seus maridos (1ª Pe 3.1-6), Pedro se dirige agora a esses últimos de forma especial, dando lhes responsabilidade na vida conjugal, quais sejam: Vida comum do lar com discernimento.
No grego a expressão é σunοικούνtες καtά γνώsιν/ synoikuntes kata gnōsin, literalmente “morando com discernimento”. A idéia é coabitação comum segundo a sabedoria. Vamos por partes:
1)    σuνοικούνtες / synoikuntes: Vivendo juntos na mesma casa. Certamente viver juntos inclui todos os relacionamentos, inclusive aqueles que dizem respeito a sexualidade. Ao marido é atribuída a iniciativa de tornar o lar um ambiente de relação amorosa e dialogal.
2)    καtά γνώsιν / kata gnōsin: Com discernimento, isto é, sabedoria. Certamente isto inclui a responsabilidade do marido de amar sua esposa como Cristo amou a igreja e deu sua vida por ela (Ef 5.25). γνώsιν / Gnōsin, conhecimento de mistérios. O casamento é um mistério que revela no plano natural, a idéia que Paulo desenvolve em Ef 5.32, “grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e a igreja”. O homem deve tomar a iniciativa em relação a vida comum no lar. Tendo em vista ser ele o cabeça da esposa, assim como Cristo é o cabeça da igreja (1ª Co 11.3). Sabedoria no texto é ter revelação e conhecimento do propósito de Deus para a família e aplicá-la nas relações cotidianas.
b. “...e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil...”
“... ώς άsθενεstέρω sκεύει tώ γuναικείω...”
A consideração, isto é, compreendendo-a como vaso mais frágil (no grego: “vaso mais fraco”). Dificilmente o texto estaria fazendo uma avaliação depreciativa da mulher. No que constituiria esta fragilidade? Alguns argumentos podem ser aventados, como o fato da mulher ser fisicamente mais frágil que o homem. Doutra sorte, ainda a mulher é mais delicada e sensível emocionalmente. Estas duas condições, não a diminuem pelo contrario, são qualidades que canalizadas na vida comum do lar, complementa o homem, tornando a mulher dependente e submissa no sentido bíblico para cumprir seu papel de ajudadora idônea. Esta é a razão pela qual as escrituras ordena a submissão das esposas a seus maridos (Ef 5.22).
c. “...tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida...”
“...άπονέμονtες tιμήν ώς καί σuγκληρονόμοις cάριtος ζωής...”
Gn 1.26-28, homem e mulher foram abençoados para se multiplicarem e exercerem domínio sobre a criação. Portanto o propósito de Deus é abençoar todas as famílias da terra (Gn 12.3). Ele é o propósito histórico e transcendente do casamento. A mulher cumpriria sua função de ajudadora idônea (Gn 2.20). Άπονέμονtες tιμήν / aponemontes timēm literalmente “conferindo honra” o qual lhe é devida, por sua função de auxiliadora idônea. Em sua obra redentora em Cristo a família tem um lugar especial. Ml 4.5-6, diz que antes da vinda do Senhor o coração dos pais (Pai e Mãe) aos filhos e dos filhos aos pais (Pai e Mãe). Para que a terra não seja ferida com maldição.
Marido e mulher são herdeiros da mesma graça de vida. Não são diferentes diante de Deus. Todos os cristãos homens e mulheres são co-herdeiros de Cristo (Gl 3.28 e Rm 8.17). σuγληρονόμοις / sygklēronomois é co-herdeiros. A palavra syg = com, é suficiente para afirmar a igualdade entre homem e mulher, sendo a diferença entre eles, meramente funcionais. Na criação homem e mulher foram chamados de Adão (Gn 5:2). A mulher já estava no homem, assim como a igreja está em Cristo e d’Ele procede. Esta é a razão porque Paulo diz que quem ama sua esposa, a si mesmo se ama (Ef 5:28). O contrario também é verdadeiro.
d. “...para que não se interrompam as vossas orações.”
“...είς tό μή έkκόπtεsθαι tάς προsεucάς ύμών.”
Existem dois sentidos possíveis para este fato: Em primeiro lugar, as orações dos homens podem ser prejudicadas se a relação com a mulher não se dá na forma indicada no texto. έkκόπtεsθαι / Ekkoptesthai significa cortar, impedir. Desta forma o mau relacionamento dos conjugues pode levar ao corte completo das orações ou elas não serem ouvidas. Em segundo lugar, as orações podem ser as do casal. Aqui é importante salientar a importância da concordância para que Deus responda nossas orações (Cf. Mt 18.18-20). Se não houver unidade na família, abrem-se brechas para demônios, e consequentemente isto pode afetar os filhos. Vejamos a sequência de Ef 6.1-3:
1) Filhos obedientes aos pais no Senhor. Isto requer dos pais o mesmo para ser exemplo para os filhos.
2) Os filhos devem honrar pai e mãe, por sua condição diante do Senhor.
3) Promessa aos filhos obedientes no Senhor.
4) Necessidade dos pais ensinarem seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor. A unidade aqui é assaz importante. Não é por acaso que Ef 6.10-20 diz respeito a batalha espiritual para a qual devemos estar preparados em todas as áreas de nossas vidas, incluindo a familiar.