"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



domingo, 15 de abril de 2012

A comunidade de discípulos, uma família muito especial!

“Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.” (1 Coríntios 12.27).
Não há uma família sem problemas, como não há uma igreja perfeita. Ainda não chegamos ao céu, nem atingimos a plena perfeição. Porque somos uma família, precisamos aprender a viver em harmonia uns com os outros. Temos diferenças. Somos diferentes. Mas não podemos nos esquecer de que somos membros do mesmo corpo (Efésios 5.29). Pensando neste tema há alguns princípios que são importantes para entendermos e vivermos esta verdade. E sendo assim, gostaria de comentar alguns:
1.     A comunidade de discípulos precisa seguir as ordens do Seu Senhor.
“E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo.” (1 Coríntios 12.5).
A Bíblia nos diz que Cristo é o cabeça da igreja (Colossenses 1.18). Naturalmente falando, o corpo obedece às ordens que emanam da cabeça. Não temos o direito de governar a nós mesmos. Precisamos obedecer a Cristo ou então não temos credencial para sermos seu corpo. Porque somos a família de Deus, o corpo de Cristo, precisamos então obedecer a seus mandamentos. Aqueles que são seus amigos guardam seus mandamentos (João 15.14). Os discípulos de Cristo são conduzidos não segundo o seu querer, mas segundo a vontade de seu Redentor e Senhor. A nossa vontade não pode suplantar as ordens daquele que comprou a igreja com o Seu sangue na cruz.
2.     Uma comunidade de discípulos, que é composta de diferentes irmãos.
“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo.” (1 Coríntios 12.12).
Embora cada discípulo esteja debaixo do senhorio de Cristo e seja habitado pelo mesmo Espírito, somos diferentes uns dos outros, como os membros do mesmo corpo são diferentes. A comunidade de discípulos é uma unidade na diversidade. Não somos rivais uns dos outros, mas irmãos! Não buscamos a realização da nossa própria vontade, mas buscamos honrar uns aos outros. Considerando uns aos outros superiores a nós mesmos. Nossas diferenças não devem nos separar, mas nos complementar. Deus nos fez diferentes uns dos outros e nos deu dons diferentes, para que possamos suprir as necessidades uns dos outros. A unidade do corpo não é sinônimo de uniformidade. A beleza e a funcionalidade do corpo não estão no fato de seus membros serem diferentes uns dos outros, mas de todos estarem trabalhando em prol do mesmo objetivo. Paulo demonstra esta verdade na carta aos efésios no capítulo 4 versos 15 e 16: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.”
3.     A comunidade de discípulos deve cultivar o amor e o perdão uns pelos outros.
“Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra.  Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.” (1 Coríntios 12.21-26).
Podemos falhar uns com os outros e até mesmo decepcionar uns aos outros. Mas, quando isso acontece a atitude de um discípulo não é banir o irmão de nosso coração, ou tratá-lo com indiferença, mas amá-lo e perdoá-lo (Colossenses 3.13). Paulo lidou com tensões de relacionamentos nas igrejas por onde passou:

·         Na igreja de Coríntios havia partidos dentro da comunidade (1 Coríntios 1,12) e os irmãos não apenas brigavam, mas levavam suas brigas para os tribunais seculares (1 Coríntios 6.1-7);

·         Na igreja de Filipos, alguns discípulos trabalhavam na igreja por vanglória, outros por partidarismo (Filipenses 2.3-4) e até mesmo havia pessoas que estavam em conflito dentro da comunidade (Filipenses 4.2).
Precisamos construir pontes de comunhão, em vez de cavar abismos de separação. Precisamos ter o ministério da reconciliação, em vez de criar contendas. Precisamos amar e perdoar, ministrar a comunhão no corpo de Cristo. Deus abomina quem semeia contendas entre os irmãos (Provérbios 6.19). Podemos observar que na igreja de Corinto, duas atitudes estavam trazendo tensão e comprometendo a comunhão dos irmãos: O complexo de inferioridade (1 Coríntios 12.16) e o complexo de superioridade (1 Coríntios 12.21). Pensar aquém ou além está em desacordo com o ensino bíblico. A Bíblia nos ensina a não pensar em nós além do que convém (Romanos 12.3) ao contrário, nos ensina a considerar os outros superiores a nós mesmos (Filipenses 2.3). Podemos concluir este assunto meditando nas palavras de Paulo aos romanos: “Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação.” (Romanos 15.2).
4.     A comunidade de discípulos deve ser um lugar de sustentação e apoio de uns para com os outros.

“...para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.” (1 Coríntios 25-26).  Uma família saudável é caracterizada por atitudes de apoio, encorajamento e sustentação, por parte de seus membros. Quando um cai os outros o levantam. Quando um triunfa os outros celebram. Por isso, no corpo de Cristo não pode ser diferente. Precisamos servir uns aos outros, orar uns pelos outros, abençoar uns aos outros, levar as cargas uns dos outros e perdoar uns aos outros. Fazemos parte da mesma família, servimos o mesmo Senhor e vamos morar juntos na mesma casa do Pai. O coração de Deus é ferido, o Espírito Santo é entristecido e o evangelho é desonrado quando deixamos de amar uns aos outros como Cristo nos amou.
Concluindo, na comunidade de discípulos, não há lugar para inveja, disputa, facções, intrigas e partidarismos. Pertencemos uns aos outros. Somos membros uns dos outros. A vitória de um é o triunfo do outro. A dor de um é o sofrimento do outro. Se um discípulo sofre, todos sofrem com ele e se um discípulo é honrado, todos se alegram com ele.  Que Deus nos ajude a viver como uma família unida, pois o amor à Cristo é o alvo e é a pratica do amor que o mundo nos conhecerá como discípulos de Cristo (João 13.34-35).