"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 8 de maio de 2012

O conteúdo de uma oração

No texto de Efésios 3.16-19, nos mostra a oração de Paulo pelos efésios e podemos reparar que as petições de Paulo são como degraus de uma escada. Como cada degrau que nos leva a um andar acima, cada ideia de Paulo leva a ideia seguinte. E o ponto mais alto podemos ver no verso 19: “...e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.”
Poderíamos nos perguntar o que Paulo estava pedindo a Deus? Paulo não esta pedindo que haja mudança nas circunstâncias que tem acontecido em sua vida (neste momento em sua vida ele estava preso, algemado e no corredor da morte), ele ora pedindo poder. Sua preocupação não é por coisas materiais, mas pelas bênçãos espirituais. O conteúdo das orações em nossos dias tem sido centrada no homem, na busca imediata por prosperidade e curas, mas como podemos ver na oração de Paulo aos efésios, ele fala de nossa necessidade espiritual. Por isso, ela é uma oração bem especifica. Ele não pede alivio dos problemas, mas poder para enfrenta-los. O poder é concedido a nós pelo Espírito Santo, por isso, precisamos ser fortalecidos com poder, porque somos fracos e nosso inimigo, o diabo é astuto. E nosso homem interior (mente, coração e vontade) depende totalmente do poder de Deus para vivermos em santidade. Por isso em nossas orações precisamos clamar a Deus para que o poder do Espírito Santo seja derramado em nós de acordo com as riquezas de Sua glória. 
“...e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor.” (vs 17).
Cada cristão é habitado pelo Espírito Santo e é templo do Espírito Santo, porém a habitação de Cristo em nossas vidas é uma questão de intensidade. A palavra habitar no original tem um sentido de alguém que se estabelece em um lugar. Refere-se a uma habitação permanente e não uma visita temporária. É quando alguém chega e toma posse, pode mudar os moveis de lugar, pintar novamente, jogar fora o que acha necessário. E ainda tem um sentido de alguém que se sente bem ou sentir-se em casa. Cristo sente-se em casa em nosso coração. Ele não está presente em nossos corações só para nós consolar e animar, MAS PARA REINAR! Se Cristo está presente em nossos corações, algumas coisas não podem estar (2 Co 6.17-18 e Gl 5.24).
A palavra vai nos revelando gradualmente a grandeza da glória de Cristo e a medida que cremos, vamos experimentando e sendo transformados a sua semelhança (2 Co 3.18). Não basta que Cristo esteja em nós, ele deve encher nossos pensamentos, sentimentos, atitudes, emoções, desejos e nossas intensões. E pensando nisto gostaria de citar alguns degraus que precisamos atingir:
1.     Se aprofundar no amor fraterno
“...estando vós arraigados e alicerçados em amor.” (vs 17).
Ainda poderíamos pensar porque Paulo pede poder do Espírito Santo e a plena soberania de Cristo em nós? E aqui amados eu fico maravilhado com a intensão de Paulo. Ele ora para que o cristão seja fortalecido para amar. Em nossa vida, como povo escolhido por Deus o amor é a virtude mais importante. Precisamos do poder do Espírito Santo e da habitação de Cristo para amar uns aos outros. Quando permitimos que Cristo reine em nossos corações, o fundamento da nossa vida é o amor! Paulo usa uma metáfora para expressar a profundidade do amor: Uma vem da botânica e outra, da arquitetura. Ambas enfatizam profundidade em contraste com a superficialidade. Devemos estar tão firmes como uma árvore e tão sólido como um edifício.
·         O amor deve ser o solo em que a vida deve ser plantada; e,
·         O amor deve ser o fundamento em que a vida deve ser edificada.
Uma árvore precisa ter suas raízes profundas no solo se ela quiser encontrar provisão e estabilidade. Assim também é o discípulo de Cristo. Precisamos estar enraizados no amor de Cristo.
2.     Precisamos compreender o amor de Cristo
“...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” (vs 18-19).
Aqui Paulo fala acerca de compreender e conhecer o amor de Cristo. Portanto em sua oração ele clama que todo discípulo tenha um conhecimento objetivo do amor de Cristo e uma profunda experiência n’Ele. Paulo ora para que possamos compreender o amor de Cristo em suas plenas dimensões: qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade deste amor.
·     Largura: O amor de Cristo é suficientemente largo para alcançar toda a humanidade. O amor de Cristo é tão largo que alcança toda tribo, língua, povo e nação. O evangelho é tão largo que não excluí ninguém que nele crê. (Ap 7.9 e Cl 3.11);
·     Cumprimento: ele é suficientemente cumprido para durar por toda a eternidade. Ele aponta para o tempo, começando no Éden, logo após a queda do homem, até o fim, quando Jesus voltar. Nunca houve e nem haverá, até Cristo voltar, um intervalo na operação poderosa e salvadora do evangelho (Jr 31.3 e Jo 13.1);
·     Altura: É suficientemente alto para levar-nos ao céu (Jo 17.24). Jesus nos levou do ponto mais baixo onde estávamos ao mais alto, nos fazendo filhos de Deus e nos assentando junto com Ele nos lugares celestiais; e,
·     Profundidade: Suficientemente profundo para alcançar o pecador mais degradado. O amor de Cristo chega ao mais terrível pecador (Ef 2.1-3). Não há nenhum pecador ou rebelde que não possa ser incluído em tão grande amor salvador (Is 53.6-7).
Porém, o conhecimento do amor de Cristo deve ser obtido no contexto da comunhão fraterna. Paulo diz: “...a fim de poderdes compreender, com todos os santos...” o isolamento e a falta de comunhão com os irmãos é um obstáculo para compreendermos o amor de Cristo. O amor de Cristo tem quatro dimensões como vimos, mas elas não podem ser medidas. Não temos as medidas destas dimensões. Fora do corpo de Cristo nem o mais hábil contabilista pode calcular as dimensões do amor de Cristo.  
Gostaria de concluir esta mensagem usando a conclusão da oração de Paulo: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” Devemos ser cheios não apenas com a plenitude de Deus, mas até a plenitude Deus. Devemos ficar cheios até o ponto de transbordar do Seu amor, em fé para alcançar o sermos semelhante a Jesus e cumprirmos o Seu eterno proposito (Rm 8.29).