"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



sábado, 1 de setembro de 2012

A verdade sobre a mentira


“Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.” (Efésios 4.25).
É vergonhoso como hoje em dia se lida levianamente com o conceito “mentira” ou com a própria mentira. Há pesquisas e estudos sobre a mentira, tenta-se explicá-la, procura-se a sua origem, mas em geral ela é considerada inofensiva, sim, até mesmo uma necessidade e, em última analise, como algo bom. Entretanto, como em todas as questões relativas a vida, também sobre a “mentira” somente a Bíblia (e não qualquer pesquisador da mentira) pode nos dar a melhor orientação. Ela nos mostra que a “mentira” não é um mistério, conforme tantos dizem, mas um pecado a muito revelado. A mentira consiste em rejeitar a verdade de Deus, como está escrito: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira...” (Romanos 1.25).
Por isso a mentira se estende por toda a história da humanidade. Ela é culpada pela queda do homem e causa de todos os sofrimentos e de muitas lagrimas. A mentira não tem sua origem na história, mas em satanás (ele é chamado o “pai da mentira”). O Senhor Jesus Cristo mostrou isso de maneira inequívoca quando disse: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. Mas, porque vos digo a verdade, não me credes.” (João 8.44-45).
A verdade é reconhecer a mentira como aquilo que ela é: Um pecado que nos separa de Deus. A Bíblia nos relata vários ensinos sobre a mentira e suas consequências. Gostaria que pudéssemos refletir em dois textos: Gálatas 2.11 e Atos 5.1-11. 
A dissimulação de Pedro (Gálatas 2)
Dissimulação do grego ύπόκρισις/hipokrisis, a palavra passou a designar um desempenho teatral de alguém. É usada para explicar sobre papeis teatrais, para fingir, portanto agir sem sinceridade com hipocrisia. Significa agir com hipocrisia e era usada por atores que escondiam suas verdadeiras personalidades por trás dos papeis desempenhados.
No texto de gálatas a implicação é que Pedro e os demais judeus não estavam agindo com sinceridade quando se afastaram, agiam na realidade contra sua própria consciência e davam uma falsa impressão. Porque não condiz com a realidade que eles estavam vivendo.
“...não procediam corretamente...” a expressão significa literalmente que não andavam direito, o que sugere uma atuação desonesta. Pedro e seus companheiros estavam olhando numa direção, mas andavam em outra. Aqueles judeus nunca ficariam sabendo a verdade acerca do evangelho pela atitude dissimulada deles. Todo o testemunho que eles estavam vivendo, a graça de Deus em suas vidas, o milagre da unidade, todos vivendo em comum tanto judeu como gentio, seria perdido. Na história da igreja a dissimulação tem obscurecido o testemunho da verdade. A mentira nos leva ao engano!
O engano de Ananias e Safira (Atos 5.1-11)
Safira uma formosura enganosa. Casada com Ananias, Safira cujo nome significa “formosa”, foi a primeira mulher destacada com proeminência no livro de Atos. Mas Safira falhou em relação a Deus e ao fazer isso provocou sua morte. E seu nome não ficou associado a formosura, mas sim, ao engano deliberado.
Ananias e Safira aparentemente tinham um casamento satisfatório e colaboravam entre si. Como membros da igreja primitiva de Jerusalém e discípulos dedicados de Jesus se aliaram aos apóstolos. O casal, porém, cometeram um erro fatal de julgamento. Eles misturaram cobiça com generosidade. Os membros da igreja primitiva estavam vivendo um momento muito especial, havia um ambiente fraterno e vendiam suas propriedades e ofertavam o dinheiro da venda aos apóstolos. Tal desprendimento ganhou admiração e a quantia arrecadada foi, então, usada para ajudar os pobres.
Porém o egoísmo e o dolo entraram no coração desse casal. Eles venderam a propriedade deles, mas entregaram como oferta apenas uma parte dos lucros. Em seguida, mentiram sobre o preço recebido pelas terras, a fim de manterem parte do dinheiro, embora alegassem ter dado todo o lucro aos apóstolos. Com grande discernimento, Pedro desafiou Ananias a respeito de sua duplicidade e pecado contra Deus. Ananias, apanhado em mentira, caiu morto instantaneamente.
Algumas horas depois, Safira procurou Pedro. Ela também foi interrogada sobre o preço das terras. Sem saber da morte do marido, Safira confirmou a mentira dele. Pedro acusou-a de ter também ofendido o Espírito de Deus, informou-a do falecimento de seu marido e depois prognosticou a sua sentença mortal. Safira caiu imediatamente morta, sendo enterrada junto ao marido.
A morte deste casal espantou e amedrontou a pequena congregação. Deus mostrou ao casal e também a toda igreja que não permite desonestidade em Seu relacionamento com os discípulos.
Concluindo, mediante a trágica história de Ananias e Safira, mulher “formosa”, Deus continua a mostrar aos seus discípulos que o relacionamento que Ele espera deve basear-se além da beleza externa e das promessas vazias, isto é, na integridade de um compromisso sincero com Ele. Somente estas poucas afirmações da Bíblia nos colocam diante da verdade que nenhuma pessoa pode ser salva por meio dos próprios esforços. Bastaria pensar nisso, para mentir a si mesmo. Mas, Jesus Cristo veio para isto. Ele é a verdade de Deus em pessoa, a fim de tomar sobre si a nossa culpa, para que nós, exclusivamente pela graça, pudéssemos ser libertos da mentira e de suas consequências. “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam n’Ele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8.31-32).