"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um coração ocupado!


“Ouvi...” Diz o Senhor Jesus no início da parábola do semeador (Marcos 4.3). E ele encerra com uma palavra de admoestação: “quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” (vs.23). Estes dois avisos me chamam a atenção para a importância desta parábola. Mais tarde Jesus diz que ela é a chave para o entendimento de todas as parábolas (“E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?” vs.13). Mas como podemos comparar a parábola do semeador com o que está acontecendo em nossos dias? Os próprios discípulos não conseguiam entender o sentido das palavras de Jesus. Precisamos entender que por detrás deste ensino está a natureza do reino de Deus. Todos acontecimentos anunciavam que o reino de Deus, estava vindo com uma demonstração de poder de Deus, varrendo tudo diante de si. E esta crença era compartilhada por João Batista, pelos discípulos de Jesus e pela multidão. Mas, na verdade, isso não estava acontecendo, deixando assim, os discípulos desorientados e confusos. Como, então, podemos dizer que esta parábola esta relacionada com a expectativa do reino de Deus?
Amados, o reino de Deus já chegou! Ele está presente e ativo na pregação do evangelho. Contrariando as expectativas humanas ele não está destruindo o maligno. Os discípulos precisavam entender que eles foram escolhidos para compartilhar com outros o conhecimento que Deus tem se revelado a nós! O evangelho é a semente (palavra) que Deus tem revelado onde o seu reino prometido está sendo implantado.
Nesta parábola Jesus fala acerca dos quatro tipos de solo: O solo impenetrável, o solo superficial, o solo ocupado e o solo fértil.  E a diferença básica entre eles é que os três primeiros não frutificaram. No primeiro a semente não chegou sequer a brotar. Nos dois seguintes, o solo pedregoso e o solo tomado pelos espinhos, a semente brotou, mas não frutificou. Precisamos estar atentos ao ensino que Jesus nos dá nesta parábola, e principalmente ao que acontece com a semente que caiu entre os espinhos. Este é o solo disputado por outras coisas além da semente.  Preste atenção nas palavras de Jesus: “E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a sufocaram, e não deu fruto.” (Marcos 4.7).  “E os outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas, e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.” (Marcos 4.18-19).
Jesus estava percebendo pessoas com o coração endurecido, preocupados com suas coisas, seduzidos por ofertas do mundo e desejos que sufocam a palavra ensinada. Os discípulos precisavam entender que seu ministério traz benção para aquele que crê, para que possam ter uma vida frutífera no reino. Sendo assim gostaria de compartilhar com os irmãos algumas características de um coração ocupado. 

Um coração ocupado ouve a palavra, mas dá atenção a outras coisas:

“E outra caiu entre espinhos e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram.” (Lucas 8.7). Marcos diz que a semente caiu entre os espinhos (Marcos 4.7), mas Lucas diz que os espinhos cresceram com a semente (Lucas 8.7). Estes espinhos formavam uma cerca viva fechada, onde nada consegue crescer. Este coração é um campo de batalha disputado. O mundo com seu espírito enganador sufocam a palavra com muitas opções e entretenimento. Onde uma oferta de interesses toma o lugar de Deus nesse coração. Há outras coisas que fascinam a alma deste coração, e este não tem ordem certa de prioridades, pois são muitas coisas que tiram Cristo da centralidade. Jesus passa a ser mais uma opção entre tantas outras... Este coração tem ouvido a palavra, mas as suas preocupações, impostas por este mundo tão cruel tem prevalecido (Marcos 4.18-19). O mundo tem falado mais alto que o evangelho! As glorias deste mundo tornam-se mais fascinantes que as promessas da graça. O pecado dos olhos, os desejos da carne e a tentação de vivermos uma vida sem compromissos no reino de Deus, têm tomado o lugar da palavra em nossos corações. Acabamos cedendo aos caprichos de um coração enganoso ao invés de coroarmos de glória ao Senhor com nossa dedicação. 

Um coração ocupado é sufocado pela concorrência do desejo por outras coisas:

Este coração tem dado valor mais a terra que ao céu. É mais importante os bens materiais que a graça de Deus. Este coração ama mais as bênçãos que Deus tem para oferecer a ele do que o Deus da benção. Procura Deus não por quem Ele é, mas por que Ele tem a oferecer. A palavra diz que precisamos buscar o reino em primeiro lugar: “Buscai, antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” (Lucas 12.31). Marcos diz: “o desejo por outras coisas” (vs.19), e Lucas fala: “dos prazeres desta vida” (Lucas 8.14). Este coração é obcecado pelos prazeres desta vida. Por isso, não tem mais apetite pelas coisas espirituais. Não se deleita em Deus. Vive se arriscando em cair no erro de se abastecer nos prazeres e deleites deste mundo.

Um coração ocupado é infrutífero:

A palavra não toca mais este coração, a palavra não encontra espaço para crescer e fica difícil produzir frutos. Este coração acaba se tornando uma vida de aparências, uma casca vazia e insaciável. Nada mais o sacia. O seu testemunho é uma vida de aparências. É o perigo de ser um coração duro e advertido pelo Senhor como a igreja de Sardes: “E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.” (Apocalipse 3.1).
Concluindo, nossa finalidade como discípulos de Cristo é produzir frutos de arrependimento, frutos de justiça, frutos que glorificam a Deus. Não sei como esta seu coração? Se ele esta desprovidos de frutos, meus amados irmãos, cuidado para não cair na tentação de viver uma vida de aparências, onde nossas vidas só têm folhas com aparência de frutos, mas ficamos desprovidos destes. O Senhor nos desafia a vencermos nossos obstáculos e sermos fiéis semeadores de Sua palavra e agindo assim esperarmos com confiança uma abundante colheita no reino de Deus.