"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



domingo, 31 de março de 2013

Ser discípulo!



“Nunca me lavarás os pés!” diz Pedro, no Cenáculo (Jo 13.8a).
“Se eu não te lavar, não tens parte comigo” – responde-lhe Jesus. Ao fazer meu tempo devocional nesta manhã, lembrei que era domingo de Páscoa. Tempo de paixão e de morte. Tempo de ressurreição, também. Tempo que requer discernimento. Sim, precisamos discernir o que realmente estava acontecendo, naquela cena do Cenáculo. Aquele que se cingia com a toalha era o Senhor. Mas servia a todos. Parecia mais servo que senhor. Aliás, tão menos senhor quanto mais servo se mostrava. 
“Compreendeis o que vos fiz?” – indaga ele. “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). 
Ainda hoje, em tempos de Páscoa ou não, importa discernir estas coisas, para não incorrer no erro de “levantar o calcanhar” contra ele (v. 18b).
Pedro resiste à água, porque ela implica aceitar a condição daquele que lhe lava os pés – a de servo. A princípio, essa inversão de ordem lhe é incompreensível. Apesar de três anos de convívio, há coisas que ainda estão fora do alcance de sua mente (será que hoje conseguimos compreender a mensagem de Cristo? Estamos realmente prontos para servir, uns aos outros em amor?).  
“Compreendê-lo-ás depois” – diz-lhe Jesus.
Muito do que os apóstolos sabiam da vida ainda girava em torno de definições seculares de poder, força, autoridade e submissão. Já haviam discutido muito sobre o ser maior ou menor no reino de Deus. Já haviam até sido repreendidos. E agora seu mestre se faz menor, beirando a indignidade! Às vezes tenho o sentimento de que Jesus se dirigia à igreja do século 21 ao encerrar sua lição: “...quem recebe aquele que eu enviar, a mim me recebe” (Jo 13.20). Mais do que imitá-lo, somos exortados a reconhecer e receber seus enviados; gente parecida com ele, que se comporta como ele; gente que, em tantos sentidos, se cinge de toalhas para lavar pés (lembre-se, aquele que tem te servido!). Ainda hoje preciso “compreender o que ele me fez”. Preciso aprender a reconhecê-lo naqueles que genuinamente me servem, porque tendo a desprezá-los. Ou, se me são próximos, recuso sua doação amorosa e digo, educadamente: “Nunca me lavarás o pés!”.
Sem esse discernimento, ao recusar o serviço, recuso junto com ele a proximidade, a intimidade fraterna e a comunhão. Recuso o corpo de Cristo: “a igreja”, enfim. Mais grave ainda, de um modo que não compreendo bem, recuso o Senhor. É só ouvir suas palavras pelo lado negativo: “Quem não recebe aquele que eu enviar, a mim não recebe”. Não nos basta aprender a lição de humildade do Cenáculo. Precisamos também aprender a distinguir e receber, sem equívocos, aqueles que nos são enviados por Jesus. Precisamos aprender a discernir, em especial entre aqueles que têm dedicado suas vidas em preparar e compartilhar a graça de Cristo em nossas vidas. Homens e mulheres que nos mostram os sinais e exemplos que o Mestre deixou.  Senhor, eu louvo a vida daqueles que tem me lavado os pés constantemente, pessoas que tem sido coluna em minha vida, em simplicidade e afeto me sustentado em oração. Obrigado Jesus, por esta mensagem de amor. Que eu sempre me lembre de que eu sou ovelha do Seu pastoreio, um discípulo fiel!