"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Precisamos aprender a ouvir!


A comunicação é a chave para um relacionamento saudável. Dependendo da maneira de como nos comunicamos, podemos gerar vida ou matar um relacionamento. Não podemos menosprezar o momento em que vivemos, pois estamos no século da comunicação virtual. Passamos mais tempo com as maquinas e vivemos mais distante das pessoas. Conheço um amigo que chega ao ponto de se comunicar com a esposa em “casa” via mensagem eletrônica do celular. Senhor! Onde vamos chegar...
O verdadeiro discípulo de Cristo deve saber se controlar tanto verbal quanto emocionalmente. Devemos também saber lidar com a palavra e também com a ira. Nada pode substituir uma boa conversa que precisamos ter pessoalmente. Olhar nos olhos, enxergar a necessidade do meu próximo, nenhuma maquina pode ser melhor que um tempo de comunhão junto a mesa, um café entre irmãos, um jantar onde o prato principal é uma boa e saudável conversa. Ao ler o livro de Tiago, me chamou a atenção sobre como ele trata este tema: “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.” (Tiago 1.19-20). Tiago nos oferece um conselho, no qual não podemos desprezar, pois nos ensina, a saber, lidar com a palavra e também com a ira, situações que nos ocorrem constantemente em nosso dia a dia, vamos refletir estes pontos:
Devemos estar sempre prontos para ouvir : “...todo o homem seja pronto para ouvir...” O termo “pronto” no grego é tacuv"/tachys, de onde se deriva a palavra táxi (rápido). O táxi é um carro de serviço. Ele deve estar sempre disponível, pois seu objetivo é atender a necessidade do cliente. Se vamos usar um táxi, é porque estamos com pressa. Não podemos esperar.  Assim ocorre com a comunicação. Devemos ter pressa para ouvir. Um pensador antigo, dizia: “Temos dois ouvidos, mas apenas uma boca. Assim podemos escutar mais e falar menos.” Não podemos nunca nos esquecer que nossas orelhas são externas, mas nossa língua está presa entre os dentes. Precisamos estar sempre preparados para ouvir a voz de Deus, do Espírito Santo e do nosso próximo.  Amados há algo perigoso em nossos dias, sem perceber, estamos perdendo o interesse em ouvir. E o resultado disso é catastrófico, pois temos visto famílias se desmoronando, casamentos em desarmonia, relacionamentos se fragmentando. Se estivéssemos prontos para ouvir, com a mesma disposição em que estamos prontos para falar, com certeza, haveria menos ira e mais encontros abençoados e saudáveis entre nós!  O ser humano tem necessidade de falar. E cada vez mais menos pessoas dispostas a ouvir. Por isso, as pessoas têm buscado os divãs de psicanalistas, pois não conseguem armazenar no peito as pressões e decepções que carregam no coração. Falar é uma necessidade básica e ouvir é uma responsabilidade vital para aqueles que desejam construir relacionamentos saudáveis e maduros. Como discípulos de Cristo, precisamos aprender a ouvir não somente com os ouvidos, mas também, com os olhos e com o coração.
      Tiago nos ensina que precisamos investir tempo e atenção para ouvir as pessoas. Ele nos mostra uma regra que precisamos seguir constantemente em nossa vida cristã: “Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas.” Esta é uma conduta de ouro na comunicação interpessoal, porque hoje estamos caindo no erro de substituir relacionamentos por coisas. Estamos correndo atrás do urgente e deixando o que é importante de lado. Valorizando coisas, objetos e não os relacionamentos e sendo assim, substituindo pessoas por coisas (celulares, computadores, internet, tv, etc..).
      Devemos ser tardios em falar: “...tardio para falar...” precisamos estar atentos sobre o que temos falado, como falamos, quando falamos, com quem falamos e por que falamos. A palavra braduv" /bradys nos dá a ideia de uma pessoa que tem dificuldades para compreender logo de inicio o que lhe foi dito e necessita, portanto, de tempo para reflexão. Devemos pensar bem lentamente antes de falarmos. Não ter pressa.  Geralmente falamos antes de pensar, de ouvir, de orar, de medir as consequências. Devemos ter muito temor aqui, pois: “A morte e a vida estão no poder da língua...” (Pv 18.21). As palavras podem dar vida ou matar. Quero ser como Davi em sua oração: “Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios.” (Sl 141.3).  Tiago aqui, nos leva a ver a necessidade de refletirmos antes de falar, para sabermos o que responder e como responder. O que vamos dizer é verdadeiro? É oportuno? Edifica? Transmite graça ao que vai nos ouvir?
      Devemos ser tardios em irarmos: “...tardio para se irar.” Tiago está dizendo que a ira deve ser tratada com reflexos lentos. A maior demonstração de força está no domínio próprio e não no domínio que podemos exercer sobre os outros. Salomão inspirado pela sabedoria divina nos ensina: “Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso, e o que controla o seu ânimo do que aquele que toma uma cidade.”(Pv 16.32). Amados, não podemos esquecer nunca que a ira humana é descontrolada, desgovernada, destruidora e pecaminosa. É obra da carne e não opera a justiça de Deus. Há dois perigos com respeito à ira: 1) A explosão da ira, ou seja, o temperamento indisciplinado. 2) A implosão da ira, ou seja, o temperamento guardado. Uns atacam e quebram tudo à sua volta quando estão irados. Outros guardam a ira e levam-na para seu intimo e essa fera enjaulada destrói tudo por dentro: A saúde, a paz e a comunicação com Deus e com o próximo. Precisamos aprender a lidar com nossos sentimentos. Podemos ser pessoas temperamentais e provocar grandes transtornos na família, na igreja, no trabalho e na sociedade. Posso às vezes tentar encobrir pecados dizendo que sou sincero e não vou levar desaforo para casa e depois de explodir, tudo volta ao normal. O problema aqui é que na explosão da ira, falo o que não devo, jogo estilhaços para todos os lados. Alguém que não tem domínio próprio fere e machuca quem esta perto. Por outro lado, o congelamento da ira é um mal terrível.  Há muitos que ficam como um vulcão em eminência de explodir. Estão em aparente calma, mas as lavas incandescentes queimam por dentro. A magoa produz grandes tormentos. Onde ela prevalece, reina a dor e o inimigo sempre leva vantagem (2 Co 2.10-11). 
      Concluindo, eu disse no inicio que a comunicação é a chave para um relacionamento saudável. Dependendo da maneira de como nos comunicamos, podemos gerar vida ou matar um relacionamento. Aprendemos com Tiago que devemos investir com todo empenho no ouvir do que ter pressa para falar e assim refletir como temos respondido as questões que se levantam em nosso dia a dia. Podemos agir com amor e graça sendo benção na vida de todos que estão ao nosso lado, podendo assim transformar o ambiente que frequentamos e vivemos. Deixando as marcas de Cristo em nossas esposas, filhos, amigos, parentes, enfim, em todos.