"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



quinta-feira, 24 de julho de 2014

A vida em comunidade


Atos 2.44, diz assim: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.” Atos 4.32, nos ensina que: “Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.”
O crescimento espiritual é produto da vida em comunidade. A palavra comunidade tem a mesma raiz da palavra grega κοινονια / koinonia, que significa comunhão. Pode ser definida como todo agrupamento de pessoas em torno de direitos, responsabilidades e alvos comuns. Sua expressão coletiva define sua Natureza (origem), Identidade (o que ela é), e sua Finalidade (para que existe).

1. Natureza da Comunidade Cristã

A comunidade cristã difere essencialmente de quaisquer outras comunidade. Sua natureza (origem) é divina. Compreende o Eterno Propósito de Deus de ter um povo exclusivamente seu (2Co 6.16-18; 1Pe 2.5-9; Ef 4.1-6 e Tt 2.13-14). A comunidade cristã se expressa no mundo como:
· A família de Deus Pai
· O corpo de Deus
· O templo do Espírito Santo (Ef 2.19; Ef 1.22-23 e Ef 1.22)
Sua missão consiste em manifestar e dispensar o Deus Triuno (Cl 2.9 comparar com Ef 3.10-21).
2. Importância da Comunidade
Marcos 3.14-15 “Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios.”
O exemplo de Jesus. Chamou doze homens para estarem com Ele, ensinou-os a manterem relacionamentos íntimos com Deus e entre eles (conferir Mt 20.25-26), e tão somente depois foram enviados. O propósito de Deus é formar um povo, uma entidade coletiva, onde possa colocar  o seu nome (Glória, honra, natureza e caráter). A comunidade é o principal elo com Deus (1Co 11.3 e Ef 1.22-23) e com os Homens (1Co 12.13; At 2.42-47 e Ef 4.1-16).

3. Uma Comunidade Missionária em Torno de Jesus

A comunidade cristã deve estar reunida em torno da pessoa de Jesus Cristo. Dois ou três é representativo de uma comunidade de pessoas em volta de Jesus, comprometidas com Ele, adorando-O e dispostas a servi-Lo e ao Seu Reino neste mundo (Mt 18.20). A comunidade primitiva, um corpo de testemunho no poder do Espírito Santo (At 1.8). O testemunho procedia da comunhão e terminava por levar outros a mesma comunhão (1 Jo 1.1-3). A vida em comunidade servia de plataforma para testemunho poderoso dos apóstolos (At 2.42-43). O mundo só vai conhecer que somos discípulos através da vida em comunidade (Jo 13:34-35).

Conclusão:

Escolher a Cristo, não é somente uma relação com Ele, mas escolher tomar um lugar na comunidade local, onde se possa encontrar:
a. NUTRIÇÃO:
Ensino, palavra, exemplo, disciplina.
b. PROTEÇÃO:
Pela oração, conselho, comunhão, supervisão e cobertura espiritual.
c. FORMAÇÃO:
Pelos mandamentos claros e o controle por fazer juntos a obra de Deus pela convivência transparente.
d. INTEGRAÇÃO:
Pelo conhecimento e envolvimento na comunidade de fé e pela ajuda mútua. Isto é, o corpo unido entre si pela ajuda mutua.
“... de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Efésios 4.16).  
“...e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Colossenses 2.19).  


sábado, 5 de julho de 2014

Falta de reverência, o perigo de nossa obstinação!


“Porque eu sabia que eras obstinado, e a tua cerviz é um tendão de ferro, e tens a testa de bronze.” (Isaías 48.4). Estava meditando neste texto de Isaías e comecei a refletir um pouco sobre a forma como o Senhor nos criou, Deus nos criou eretos, porem precisamos aprender a dobrar nossos joelhos e nos curvar, principalmente diante do Criador. Mas as vezes (ou quase sempre) esta é uma posição incomoda e não temos facilidade em nos curvar. Na maioria das vezes somos resistentes a nos dobrar e ajoelharmos (“Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo obstinado.” Êxodo 32.9). 
Algo que me chama a atenção neste texto, é que Deus está nos exortando, dizendo que o tendão do pescoço do povo era de ferro e a sua testa era de bronze. Fico imaginando como as vezes nos portamos assim, somos orgulhosos, obstinados e teimosos. Assim caímos no erro de se tornar alguém que não se dobra, não se ajoelha, não coloca o rosto no chão.
Amados, precisamos descobrir a graça que existe nos joelhos dobrados, em se humilhar na presença do Senhor. Quando nos ajoelhamos, quebramos o orgulho e tudo que impede o fluir da graça do Pai em nossas vidas. Ao nos ajoelharmos nos aproximamos de Deus e esta é uma reverencia aceita por Deus, demonstramos nossa confiança e comunhão com Ele (1 Pedro 5.6-7).
Podemos ver na Bíblia, pessoas extremamente necessitadas aproximando-se de Jesus e se ajoelhando diante d’Ele para suplicar por seu favor e vale a pena relembrarmos: Como Marcos cita o homem leproso que se ajoelha diante do Redentor: “Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me.” (Marcos 1.40). Ou o clamor de um pai desesperado diante da grave doença de seu filho: “E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água.” (Mateus 17.14-15). Precisamos voltar aos joelhos dobrados. Nossa oração rompe as barreiras e quebra as amarras que nos prendem. As vezes caímos no engano de achar que as circunstancias, dificuldades que enfrentamos são maiores e mais forte do que nós, neste momento precisamos olhar para o exemplo que vários homens e mulheres da Bíblia. Eles se punham de joelhos diante de decisões e dificuldades que estavam enfrentando, como Salomão, diante do desafio de governar a nação se põe de joelhos diante do Senhor: “Sucedeu, pois, que, acabando Salomão de fazer ao Senhor esta oração e esta suplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os céus, se levantou diante do altar do Senhor.” (1 Reis 8.54). Vemos também Esdras em sua indignação pela nação, caindo de joelhos e clamando ao Senhor: “e perto do sacrifício da tarde me levantei da minha aflição, havendo já rasgado as minhas vestes e o meu manto, e me pus de joelhos, e estendi as mãos para o Senhor meu Deus...” (Esdras 9.5). Quantos de nós não somos colocados em situações difíceis de resolver, você inclusive neste momento pode estar sendo perseguido em seu trabalho ou escola, pode ainda estar sendo caluniado e tendo pessoas armando para sua vida. Deixa eu te dizer algo sobre este homem de Deus: Daniel! Ao saber dos planos que conspiravam contra ele, ao ponto dele ser lançado na cova dos leões, qual foi sua reação: “Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa... e se punha de joelhos, e orava e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer...” (Daniel 6.10). O Senhor enviou o Seu anjo e fechou a boca dos leões! Eu poderia ficar horas aqui escrevendo várias situações em que homens e mulheres se colocaram de joelhos diante do Senhor clamando por Seu socorro, mas eu gostaria de dizer algo a você amado irmão, Paulo escrevendo aos efésios revela uma graça valiosa: “Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai e oro para que Ele os fortaleça com poder, por meio do Seu Espírito.” (Ef 3.14-16).  Precisamos voltar a pratica da suplica, do rogo, pois em relação a oração nossos joelhos não podem ficar ociosos. Eles foram feitos para se dobrarem diante do Todo-Poderoso, por isso o salmista nos convida: “Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador” (Sl 95.6). Amados precisamos aprender a fazer isso para que, na plenitude da graça:  “...ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fp 2.10-11).
A Deus toda a gloria!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cuidado com as raposas!


"Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor." (Cantares 2.15).
Estamos vivendo dias onde o casamento e a família tem sido mortalmente atacados. Há um descrédito a legalidade das instituições familiares e sem percebermos está em todo vapor uma corrente para desconstruir valores e princípios nos relacionamentos.  As vezes em minha vida e ministério  me deparo com circunstâncias, que a principio parecem ser coisas simples de se resolver, mas no final é somente a ponta de um iceberg. Ao meditar neste texto de Cantares, vejo a sabedoria de Salomão nos dando um aviso acerca do cuidado que precisamos ter em nossos relacionamentos familiares, a situações e circunstâncias que nos rodeiam e que vem como ladrão para roubar a alegria no casamento, na família, nos relacionamentos: “Cuidados com as raposas.”   Eu sei que não existe uma formula para se cultivar um relacionamento familiar. Porém, precisamos estar dispostos a cultivar um bom relacionamento, como um sábio agricultor tem habilidade para tirar os melhores frutos de seu pomar, devemos buscar em Cristo a graça para ministrar a alegria em nossos relacionamentos. Por estes dias ouvi um testemunho de um terapeuta familiar ao orientar um jovem casal que o questionava acerca de como ter uma relação harmoniosa entre eles, achei interessante e importante seu conselho a este jovem casal:
“Se vocês querem ter um casamento harmônico, “não tenham nem televisor nem computador em casa” nos primeiros dois anos de casado!”. Eles se entreolharam, com um esboço de sorriso e uma expressão de interrogação, perguntando-se se eu estava falando sério ou se era apenas uma piada, entre as muitas que eu havia contado durante a palestra. Então eu continuei, solene: “Bem, me digam uma coisa, se vocês não tiverem televisão nem computador nos dois primeiros anos de casado, no final do expediente irão chegar em casa, jantar e em seguida farão o que?”. Eles soltaram uma gargalhada e responderam: “Conversar!”.
Realmente não há fórmulas mágicas para um sucesso no casamento, senão o diálogo. Nos dias atuais, a televisão e o computador são os maiores “ladrões do diálogo conjugal e familiar”. As pessoas chegam em casa cansadas de expedientes muitas vezes torturantes e querem “não pensar”. Apenas se jogam em frente à televisão ou ao computador e ali deixam a mente vagar pelos espaços cibernéticos, sem fazer esforço algum, senão o de mexer os dedos para zapear ou o de teclar e clicar o mouse.
Deixa eu te dizer algo aqui, muito cuidado com esse relax! Existe muito lixo no espaço cibernético e nas programações televisivas que sorrateiramente como uma raposa, se acumula nos cantos da mente e produz, em médio prazo, um mal comportamental que infecta os relacionamentos. Muitas vezes ouvimos comentários de mulheres cristãs, afirmando que estavam torcendo para que uma determinada personagem da novela abandonasse o marido e ficasse com o amante, pois o primeiro era malvado e cruel, enquanto o segundo era adorável, amável, companheiro. Esse lixo entra silenciosamente nas mentes e vai distorcendo os valores.
Algo
tem me alarmado em minhas conversas com amigos pastores sobre inúmeros casos de homens e mulheres com uma vasta bagagem cristã, mas que, de um momento para o outro, se vêem envolvidos em pornografia pela internet. Isso por terem “inocentemente” entrado em salas de bate-papo e, paradoxalmente, não terem mais espaço de diálogo com o cônjuge. Amados irmãos, Jesus nos alerta: “O ladrão só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa” (Jo 10.10).
Cuidemos então de cultivar o diálogo conjugal e familiar e de manter os
ladrões distantes de nossa casa. Talvez você não precise desfazer-se de sua televisão ou computador, mas precise orar a Deus para desenvolver o fruto do Espírito Santo, que inclui o domínio próprio (Gl 5.22). Dominar o impulso de chegar em casa e ligar a televisão ou o computador e aproveitar o tempo para um fecundo diálogo conjugal e familiar é, sem dúvida, sinal de maturidade espiritual.

Por que a dor não se acaba?


Quanto tempo vai durar a dor? Quanto tempo vai durar a dor provocada por situações que nos deixam depressivos? Nem sempre a alegria rompe de manhã cedo, depois de uma noite de choro (Sl 30.5). A dor pode durar mais de um dia, mais de uma semana, mais de um mês, mais de um ano. A outra boca do túnel, que dá para a claridade, pode estar a uma distância muito grande.
A caminhada do povo hebreu até Canaã durou quarenta anos (Dt 8.2). O tempo de julgo e servidão na Babilônia se estendeu por setenta anos (Jr 25.11). Por quarenta anos, o Egito sofreu humilhação e destruição até reconhecer que o Senhor é Deus (Ez 29.12). Nabucodonosor padeceu em sua loucura por sete “tempos” andando de quatro e comendo a grama do palácio até tomar consciência de que Deus é quem “destrona reis e os estabelece” (Dn 4.32-33). Davi amargou por dez anos sofrendo as consequências do seu adultério. Jó perdeu tudo em um só dia. Ele foi privado de tudo que ele tinha (Jó 19.9), principalmente a saúde e a solidariedade religiosa da esposa. Recuperou tudo, mas não foi repentinamente. Em meio à dor, ele se questionou: “Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?” (Jó 6.11). As vezes esta tem sido a nossa oração! Em meio a perda e a dor ficamos fragilizados e precisamos nos conscientizar que tanto a dor quanto o seu prolongamento, em última análise, são mistérios. Todos sofrem: as crianças e os idosos, os bons e os maus, os cristãos e os não-cristãos, os ricos e os pobres. Uns sofrem mais, outros menos. Em alguns casos, a dor prolongada gera uma fábrica de revoltosos e incrédulos. Em outros, é uma fábrica de santos e de pessoas disponíveis aos outros.
Amados, precisamos estar atentos pois a dor prolongada tanto pode ser uma tentação como uma provação. Se ela me afastar de Deus, é uma tentação; se ela me aproximar d’Ele, é uma provação (e uma bênção). Por mais terrível e misteriosa que seja a dor prolongada, a pior maneira de lidar com ela é perder a comunhão com Deus, perder a fé, perder a esperança. Esse foi o pior conselho que a mulher de Jó lhe deu: “Amaldiçoa a Deus, e morre!”. Porém a resposta que Jó dá a sua esposa precisa estar sempre em nosso coração: “Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?” (Jó 2.9-10). O sofrido Jó nos ensina a suportou a dor prolongada e vencê-la por meio da esperança: “Eu sei que o meu Redentor vive e que no fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).
Meus irmãos, dificilmente a dor prolongada dura a vida inteira. Mas, ela pode demorar muito tempo para passar, por isso é nossa comunhão com Deus que nos dá esperança para vencer a dor, porque sabemos que “no fim ‘o Redentor’ se levantará sobre a
terra” (Jó 19.25). Esse mesmo Redentor “enxugará dos seus olhos toda lágrima. Então não haverá tristeza, nem choro, nem dor [muito menos a dor prolongada], pois a antiga ordem já passou”. Assim, aquele que reina sobre tudo e sobre todos e que está sentado no trono dirá: “Estou fazendo novas todas as coisas!” (Ap 21.4-5). Lembre-se o Senhor virá em nosso socorro, pois Ele conhece os nossos limites!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Quando Deus transforma nosso sofrimento em oportunidades


“Meus irmãos, eu quero que vocês saibam que as coisas que me aconteceram ajudaram, de fato, o progresso do evangelho.” (Filipenses 1.12).
Paulo enfrentou toda sorte de provações e sofrimentos desde o dia de sua conversão. No texto que lemos ele dá um breve relato, mas os irmãos não imaginariam que ele foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, acoitado e preso em Filipos, foi expulso de Tessalônica, convidado a se retirar de Beréia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Coríntio. Enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém e acusado em Cesárea, enfrentou naufrágio indo para Roma e picado por uma cobra na ilha de Malta. Ufa! Mas, ao chegar à capital do império, algemado, Paulo escreveu sua carta aos Filipenses, resumindo que as dificuldades que estava enfrentando estavam contribuindo para o progresso do evangelho.
A palavra progresso (avanço) prokophvn / prokopēn no grego, traz um sentido de um engenheiro que ao construir uma estrada encontra todo tipo de dificuldades, mas eles precisavam abrir as estradas para que o império avançasse.
O sofrimento do cristão abre as portas e caminhos para o avanço do evangelho. Apesar de estar preso Paulo escreve uma carta alegre e encoraja os irmãos a avançar! Seu teor mostra que o sofrimento não deve derrubar um fiel. Paulo ainda ecoa hoje em nossas vidas dizendo: “Pare de sofrer”. Há sofrimento, mas Deus pode torná-lo em vitória (1.20-21). Gostaria de destacar o ensino que Paulo estava transmitindo aos filipenses:
1. Paulo nos encoraja a pregar a palavra
    A vida de Paulo e sua fé não ficou limitada com sua prisão, pois ele se considerava prisioneiro de Cristo e embaixador em cadeias, mas o evangelho avançou e foi ampliado com suas cadeias.
     A igreja foi desafiada e encorajada a pregar. Paulo se alegrava no Senhor em ver que as dificuldades que lhe aconteciam estavam abrindo caminhos para o avanço da mensagem que liberta e alargando estradas para a pregação do evangelho. Deus não está desatento com o sofrimento de seus filhos, pelo contrario, Ele faz das dificuldades situações para que o evangelho do reino seja pregado.
2. Em meio ao sofrimento pessoas são evangelizadas
   Paulo estava preso aos cuidados do imperador e assim dois soldados da guarda pretoriana ficavam algemados a ele em três turnos por dia, durante dois anos (aproximadamente 9 mil homens). Esses soldados faziam parte de uma tropa de elite. Eram pessoas qualificadas e preparadas para exercer a função de escolta real e tinham transito livre no palácio e influencia politica no império.
     Paulo podia estar algemado, mas seus lábios não estavam amordaçados, eles estavam livres para testemunhar de Cristo (lembre-se as vezes você pode achar que esta preso em seu trabalho ou em seus afazeres, mas sua boca nunca estará impedida de anunciar Cristo!). Deixa eu te dizer algo aqui: O imperador, sem perceber, foi constituído por Deus como presidente das missões estrangeiras do império, pois havia colocado no palácio, com escolta real, o maior missionário cristão e diante dele um auditório fiel. Paulo ganhou muitas pessoas para Cristo no império ao ponto de citar em sua carta: “Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os que são da casa de César.” (Filipenses 4.22). Em meio ao sofrimento podemos testemunhar e colher muitos frutos para a gloria de Deus!
3. Em meio ao sofrimento podemos encorajar outros
      Paulo estava preso, não podia fazer visitas, mas isso não o impediu que ele testemunhasse o que Deus estava fazendo em sua vida. Ele começou a escrever cartas e essas cartas são um tesouro até hoje. Paulo escreveu cartas para os efésios, filipenses, colossenses e Filemon da cadeia. Essas epístolas tem sido luzeiros a brilhar para milhares de pessoas em todo mundo. Foram cartas inspiradas pelo Espírito Santo e tanto tem edificado vidas e consolado o rebanho de Cristo. Precisamos hoje ser esta carta na vida de pessoas que estão ao nosso redor que fazem parte do nosso dia a dia, sermos como Paulo instrumento para levar tantos outros aos pés da cruz de Cristo.
     Concluindo, Se a nossa pregação não produzir alegria, se ela não tirar fardo, iluminar trevas, abrir prisão, então ela sofre de um mal grave.  Talvez nós tenhamos acostumado a amaldiçoar as trevas, em vez de deixarmos brilhar a luz. Devemos entender que maldição não muda treva nenhuma. A alegria em Cristo, porém, assim como transformou as trevas da prisão de um missionário, dois mil anos atrás, poderá transformar as trevas de nossa vida, mesmo na situação mais desesperadora. E também transformará as trevas espirituais de muitas vidas. Que nossa preocupação não seja “Pare de sofrer”, mas glorificar a Cristo, em qualquer circunstância.
    “Eu penso que o que sofremos durante a nossa vida não pode ser comparado, de modo nenhum, com a glória que nos será revelada no futuro.”
(Romanos 8.18).

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Misericórdia triunfa sobre o Juízo!


Ao ler o capítulo 6 do evangelho de Lucas, vemos Jesus ensinando e curando, demonstrando através de seus atos e ações a cultura do Reino de Deus, mas ao ler os versículos 27 a 36, algo me chamou a atenção, Jesus faz um pedido: “Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis...”
Pense um pouco, quem estava ouvindo a Jesus? Eram agricultores, pescadores, coletores de impostos, zelotes, prostitutas. Um grupo de pessoas simples, desqualificadas aos olhos de uma cultura impiedosa e de autoridades religiosas que os oprimiam e ainda estavam debaixo do jugo da servidão de Roma. Porém Jesus tinha algo a dizer a essas pessoas, tinha uma mensagem de esperança para eles. Mas eles não imaginavam o conteúdo da mensagem. Jesus estava ensinando a eles sobre a misericórdia.
Eles eram pessoas que tinham suas razões e motivações para terem inimigos de verdade. Agora considere as ordens que Jesus lhes dá: “Amem seus inimigos, façam o bem a quem os odeia, não revidem o mal, deem de bom grado a quem te pedir...” Pense bem no que Cristo estava dizendo: Ele resume tudo na ordem final: sede misericordiosos!
Amados, meditando sobre este tema fiquei surpreso de como Jesus tratava com os fariseus quando estes vinham questiona-lo acerca de pessoas para julga-las. Ele diz vão e aprendam o que diz: Misericórdia quero e não sacrifícios (Jesus se refere ao texto de Oséias 6.6):
- 1º ele diz: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]. ” (Mateus 9.13)
- 2º ele outra vez diz: “Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes. ” (Mateus 12.7).    
Se refletirmos sobre o contexto onde Jesus cita estas duas exortações (Mateus 9.10-13, Jesus estava ministrando o reino a pecadores, quando é questionado pelos fariseus e Mateus 12.1-7, Jesus questiona o julgo que a religiosidade coloca sobre as pessoas), podemos concluir que precisamos aprender acerca da misericórdia. Misericórdia é uma palavra excepcional, pois ela descreve a bondade, paciência e perdão de Deus por nós. A Bíblia nos ensina que a misericórdia une o rigoroso dever da justiça à ternura do relacionamento pessoal. A misericórdia explica como um Deus Santo e amoroso pode se relacionar com um pecador sem comprometer o que Ele é. Isso é misericórdia. Essa é a realidade da cruz que todo discípulo precisa experimentar, pois é o exemplo que precisa ser seguido.
Queria perguntar algo a você: Você conhece a Deus como um Deus de misericórdia? Outra pergunta: Você tem olhado as pessoas com olhar de misericórdia? Sem misericórdia as diferenças se tornam irreconciliáveis. E deixa eu te dizer algo aqui: Não é a existência de diferenças e sim a ausência de misericórdia, que torna situações e circunstancias irreconciliáveis. Sendo assim, gostaria de compartilhar alguns pontos importantes que o texto de Lucas 6.27-36, nos ensina acerca de exercer misericórdia:
1.   Misericórdia em tempo real
Neste texto de Lucas 6 Jesus nos ensina acerca da misericórdia, pois a misericórdia não muda a necessidade de falarmos a verdade. Pelo contrário, ela transforma a nossa motivação, passamos a representar Cristo em nossos atos e ações. A misericórdia nos inspira a deixar para trás o poder e o domínio do amor-próprio, da autocomiseração para atingirmos os princípios mais nobres e reais da graça de Cristo que habita em nós.
Precisamos entender que não somos apenas pecadores, mas somos também muitas vezes o objeto do pecado de outras pessoas. Pessoas se tornam inimigas, começamos a achar que tem pessoas que não gostam de nós, pois elas abusam de nossa paciência, roubam a paz, fazem exigências desmedidas. Não levam em conta nossos sentimentos e emoções. Por isso este texto de Lucas 6 é tão real, pois tudo o que Cristo está citando acontece hoje em nossas vidas e a chave para sermos vitoriosos é a misericórdia.
Quando você consegue entender a misericórdia aos odiosos, violentos, egoístas e perversos, você vai estende-la para os que te aborrecem, ignoram e te decepcionam. 
2.    Misericórdia antes do erro
O texto de Lucas 6 não é um chamado a atos de misericórdia discretos e isolados, mas uma disposição misericordiosa de coração. É um chamado a bondade. Quando nosso coração está repleto de bondade, a bondade antecipa-se aos nossos julgamentos pecaminosos (acredite, Deus nos capacita para isso - vs. 36). Essa bondade que Jesus nos ensina neste texto reivindica algo de nossa parte: Somos chamados a prosseguir na bondade que temos recebido (Rm 11.22 diz: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado.”
Nós não podemos esperar que as pessoas pequem contra nós, para então, reagirmos com misericórdia. Em vez disso, adotamos a postura de estarmos dispostos a perdoar. Não podemos nunca esquecer que a bondade não tem sua origem em nós, e sim em Deus. Ela não é uma característica de nossa personalidade, mas é um fruto do Espírito (Gl 5.22 e Paulo diz aos colossenses: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. ” Colossenses 3.12.
Concluindo a pratica fiel da bondade semeia em nós experiências da graça de Deus: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.” (vs. 36). Quando exemplos de bondade são cultivados em nossa rotina normal da vida é que vemos o ensino de Jesus se tornando real, ai entendemos o que Jesus quis dizer em damos a face ao inimigo, ou então, andamos a segunda milha, são momentos de graça e bondade que produzimos em tempos reais de nossa vida. Use o modo como você quer, ou deseja ser tratado como medida para a maneira como você trata os outros. Então, essa regra áurea é compreendida como meio de se evitar fazer inimigos.
Esta é a maneira que Jesus quer que respondamos, em nossas reações quando somos atacados, caluniados, ofendidos, sendo misericordiosos. Só é possível exercer misericórdia quando compartilhamos a misericórdia que recebemos de Deus.
Amados, gostaria que você guardasse em seu coração o sábio conselho de Tiago: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.”  (Tiago 1.19-20).
No amor de Cristo,

chico. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Propósitos do coração!



Voltar ao primeiro amor é um tema muito atual e pertinente para nossos dias (“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.” Ap 2.4). Ao retornar ao primeiro amor, iremos recuperar nossa compreensão e espiritualidade necessária para cumprirmos nossa missão neste mundo. A Bíblia nos mostra homens e mulheres apaixonados por Cristo e Sua obra, e nos inspiram a amar os perdidos e termos nossa alma incendiada pelo fogo do Espírito que nos capacita em nossa vida cotidiana. Você pode me perguntar de onde vinha esta força interior, esta paixão, esta determinação para pregar a palavra? O que produzia neles este fogo para que se entregassem plenamente a Cristo?  Podemos encontrar esta resposta na Bíblia, pois ela é a nossa fonte inesgotável de graça e amor.  Como discípulos de Cristo, precisamos compreender qual é a vontade de Deus para nós e como estruturar nossa vida num relacionamento com Ele, sobre um fundamento mais sólido. Não com padrões mundanos baseado em sentimentos, mas também em atitudes e ações! Para permanecer fiel a Deus em nossa vida cotidiana.
“Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.” (Esdras 7.10). Neste verso Esdras nos dá uma dica de como manter nosso coração focado no proposito de Deus. Gostaria de destacar três propósitos do coração comprometidos com Deus:
1. Dispor nosso coração para conhecer a palavra de Deus:
“Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do Senhor”
Precisamos se dedicar a conhecer e saber manusear bem a palavra de Deus. Deus quer se revelar a nós, mas para isso precisamos ter o interesse de busca-Lo de todo o nosso coração. É preciso manter acesa a paixão do primeiro amor. Tal como em Apocalipse 2.4, somos chamados a manter acesa a paixão por Deus, por sua palavra, precisamos mergulhar nas aguas profundas das mais sublimes revelações que emanam de Sua palavra. Ao lê-la precisamos ter respeito, atenção e cuidado, pois Deus pode estar falando conosco.
Amados, precisamos de homens que conheçam a palavra de Deus e o Deus da palavra. Vivemos um tempo de grande apostasia, de surgimento de novidades estranhas que não constam na Bíblia, que infelizmente tem encontrado guarida nos corações de muitos crentes. Muitos hoje buscam as ultimas novidades do mercado da fé (como se a fé pudesse ser comprada), correndo atrás de experiências místicas e milagres arrebatadores. Erramos ao deixar de lado o estudo criterioso da Bíblia, para ouvir vozes confusas do coração humano cheio de engano, fruto de uma geração que não conhece a Bíblia e tem cada vez mais se afastado das veredas da verdade.
2. Dispor nosso coração para viver a palavra de Deus
“...e para a cumprir...”
É importante desenvolvermos uma intimidade com Deus. Ao criar o homem, o anelo de Deus era que este desenvolvesse intimidade com o Criador, pois se encontravam diariamente no final do dia (Gn 3.8). Intimidade então é um profundo conhecimento do outro, que se expressa no ser transparente em nossas ações, precisamos viver aquilo que pregamos. Ter uma vida coerente com aquilo que a palavra de Deus tem nos ensinado. Praticar aquilo que temos transmitido a outros.
Esdras dispôs o seu coração para viver a palavra de Deus. Infelizmente hoje vivemos uma profunda crise moral em nossa sociedade, há um abismo entre o que as pessoas falam e fazem. Essa mesma crise tem atingido o povo de Deus, e tem havido uma ruptura entre a profissão de fé e a pratica. Não basta conhecer a Bíblia, é preciso viver o que nela está escrito. “A maior vergonha dos nossos dias é que a santidade que apregoamos é anulada pela impiedade de nosso viver!” (Leonard Ravenhill).
Temos vivido dias difíceis onde a mensagem do evangelho tem sido deturpada diante de um estilo de vida cada vez mais governado pelo mundo.
3. Precisamos ensinar a palavra de Deus
“...e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.”
Esdras segue uma linha de coerência. Primeiro, ele estuda a palavra. Depois, aplica essa palavra em seu dia a dia. Então, ele está apto para ensiná-la a outros. A palavra de Deus não pode ser represada em nossas vidas, precisamos compartilha-la. Do nosso coração precisa transbordar a palavra de Deus. De nossos lábios precisam jorrar os mananciais da graça de Deus. Nossa vida precisa ser um vaso útil nas mãos do Senhor, preparado para toda boa obra. O mundo carece de homens que amem a palavra de Deus, que cumpram o Seu proposito e com fidelidade se disponha a impactar vidas com o seu testemunho de fé.
Minha oração é que possamos ser despertados a ler a palavra de Deus com dedicação e aplica-la em nossas vidas. Para que outros possam através de nós serem ensinados e edificados.
Concluindo, muitos têm vergonha de falar de Cristo, vergonha de pregar o evangelho a seus amigos, a seus vizinhos. Paulo disse que não se envergonhava do evangelho. Vergonha é roubar, vergonha é fornicar, vergonha é mentir, porém não é vergonha pregar o evangelho, anunciar às pessoas uma boa notícia, especialmente sabendo que o evangelho é o poder de Deus que todos necessitam receber para serem salvos. Paulo estava convencido que o evangelho é o único meio de salvação e de transformação. A palavra poder aqui é “dynamis”; o evangelho é a dynamis de Deus. Quando pregamos o evangelho, soltamos a dynamis, a dinamite, a bomba de Deus no meio das nações. Porém esta bomba, em vez de matar, dá vida, paz e salvação. Como se envergonhar de pregar o evangelho? Paulo estava absolutamente convencido desta realidade. Rm 15.15-16, a palavra gentios pode ser traduzida também por pessoas, povos e nações, pois no grego é etnia" / etnias 
Que tremendo! Paulo arde com este desejo, que as nações, cheias de tanto pecado e iniquidade, cheguem a ser, por meio do evangelho, uma oferta aceitável, agradável, santificada pelo Espírito Santo. Que visão! Que paixão pela evangelização.