"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Pastoreamento


“Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada...” (1 Pedro 5.1).
Pedro faz um apelo à liderança. Em tempos de sofrimento e perseguições, como lideres precisamos estar alertas. Precisamos conduzir a igreja por esse vale de dor e ser modelos do rebanho nesta fornalha ardentes.
A natureza do apelo: A palavra grega parakalo, traduzida por “rogo” vem de parakletos que é “consolador”. Trata-se de um apelo intenso, veemente, urgente, porém regado de ternura. Neste gesto Pedro está nos ensinando algo importante aqui, mesmo em sua posição de autoridade como apostolo ele não manda, mas roga. Demonstrando a característica de um líder, que tem sua autoridade reconhecida e não por autoritarismo.
Destinatários do apelo: Pedro roga aos lideres que estavam a frente do rebanho. Pedro sabia e respeitava a responsabilidade destes homens em cuidar do rebanho. Pedro sabia que eles é quem cuidava do rebanho, protegendo-as dos perigos e alimentando-as.
Vs. 2-3: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.
Nestes versos Pedro faz três observações importantes na tarefa de liderar pessoas:
1. Não por constrangimento, mas espontaneamente: O líder não é o dono das ovelhas, não podemos nunca nos esquecer que o rebanho é do Senhor. Mas o Senhor nos orientou a alimentar, proteger e conduzir as pessoas a Cristo. Pedro esta dizendo aqui que a liderança no corpo de Cristo não é algo imposto pela força, mas é algo voluntario. Existe também a questão de fazer a obra do Senhor de qualquer jeito, é necessário nos prepararmos para trazer ensino, direção e a visão correta acerca do reino de Deus aos irmãos. Por isso é necessário nos prepararmos.
     2. Não por sórdida ganância, mas de boa vontade: Como lideres precisamos exercer o serviço entre os irmãos. Devemos visar a glória de Deus e o bem das pessoas que cuidamos. Ensinar com o exemplo.
      3. Não como dominadores, mas como modelo: Por meio do Espírito Santo temos recebido autoridade para liderar pessoas, mas não podemos fazer mau uso desta autoridade. Como líder preciso ser um modelo para os irmãos, estamos a frente para mostrar o caminho aos irmãos. Jesus ensinou que o modelo de liderança é o serviço. (Jo 13.4-5).
      Concluindo, todo nosso trabalho será recompensado: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” (vs.4). Todo líder que serve ao Senhor com fidelidade tem a promessa de que, quando Jesus voltar, em majestade e glória, receberão de suas mãos a coroa da gloria. Pedro cita aqui uma coroa como de um atleta que recebe ao final de sua conquista. A coroa de um líder fiel é uma coroa de glória, uma coroa imarcescível. A Bíblia cita algumas coroas que eu gostaria de destacar aqui:
     a. Coroa da alegria: “Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós?” (1 Ts 2.19),
     b. Coroa da justiça: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” (2 Tm 4.8).
     c. Coroa da vida: “Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1.12) e “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.10).
     d. Coroa de glória: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” (1 Pe 5.4).
      Creia haverá ampla recompensa da parte de Cristo para aqueles que servirem com fidelidade e amor. Paixão pela obra!


Discipulado


“O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade. Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estrangeiros.” (3 João 1-5). Esta carta de João a Gaio, demonstra algumas realidades acerca do discipulado. Gostaria de destacar algumas destas realidades:
1. Testemunho: Uma destas realidades é o nosso testemunho. João fala 3 vezes esta palavra (vs. 3, 6 e 12). O seu significado são é somente o que dizemos, mas também o que fazemos. Cada um de nós é responsável por nossas ações, sejam elas boas ou más. Não há neutralidade quando se trata da vida cristã.  João ao escrever esta carta especificamente ao seu discípulo Gaio, trata ele com muito afeto e se alegra ao receber boas noticias acerca de seu testemunho (versículo 4). Gaio era um homem que andava na verdade. Ele não só acreditava na verdade, mas andava na verdade, não havia um conflito entre aquilo que ele falava para aquilo que ele fazia. As pessoas podiam ver Cristo em sua vida.
     2. Afeto compartilhado: João não chama apenas Gaio de amado por três vezes (vs. 1, 2 e 5), mas reforça seu conceito, afirmando: “a quem amo na verdade!” O amor cristão não é apenas para ser vivido, mas também para ser declarado e demonstrado. Gaio era uma pessoa especial. Era daquele tipo de pessoas que atrai a atenção dos outros por sua bondade, amor e testemunho. O afeto de João por seu discípulo era demonstrado no vs. 2. Gaio era um homem de vida espiritual saudável, e aqui João nos ensina que a verdadeira prosperidade não esta nem na riqueza e nem na saúde, mas numa vida espiritual comprometida com o Senhor e Seus ensinos. É lindo ver aqui João intercedendo a Deus pela prosperidade de Gaio em todos os sentidos (físico, material e espiritual). Como discipuladores precisamos ter interesse pela saúde espiritual da alma e a saúde física do corpo de nossos discípulos.
     3. Alegria: As pessoas que iam visitar João davam um bom testemunho de Gaio, comentando como Gaio era fiel a Deus em todos os seus atos e ações. Isto trouxe grande alegria a João (vs. 4). A maior alegria de João não era financeira, mas espiritual. Sua recompensa não era monetária, mas ver seus filhos espirituais andando na verdade. João entendeu quando o Senhor Jesus ensinou sobre esta alegria (João 15.11 diz: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa.”). João considerava como maior de toda alegria que pudesse experimentar era saber que seus discípulos iam bem espiritualmente. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O crescimento natural da igreja


“...acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (At 2.47).
A igreja é um organismo vivo e sendo assim seu crescimento acontece de forma natural. Porém, há um perigo na busca do crescimento, pois podemos pecar na idolatria dos números e errar ao ter medo dos números. Por isso, é importante buscarmos um crescimento saudável do corpo de Cristo. Um crescimento que traz glória ao nome de Deus, edificação para a igreja e conversão dos perdidos. 
Gostaria de destacar alguns aspectos acerca deste crescimento saudável do corpo de Cristo: 
1. Esse crescimento é espiritual
No livro de Atos no capítulo 2 versos 42 ao 47, podemos entender esta dinâmica acerca do crescimento espiritual. O crescimento espiritual deve acontecer antes do crescimento numérico, pois ele deve ser fruto de uma igreja que vive a presença do Espírito Santo. Há um perigo de haver muita adesão e pouca conversão. Muito ajuntamento e pouco quebrantamento. Muita religiosidade e pouca espiritualidade verdadeira. 
Precisamos urgentemente da graça e manifestação do Espírito Santo para nos levar a amar a Deus sobre todas as coisas.  Sermos um povo comprometido com a palavra de Deus e Seus ensinos. Uma igreja que ora com fervor e evangeliza com alegria e responsabilidade com os perdidos. Não podemos buscar ao Senhor somente por Suas bênçãos (prosperidade e sucesso), mas precisamos buscar o conhecimento de Deus.
2.    Esse crescimento é fraternal
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2.42). A igreja precisa crescer em comunhão, pois somos uma família e membros de um só corpo (Ef 4.1-6). Precisamos estar ligados uns aos outros pelo vinculo do amor. Não existe discípulo isolado do corpo. Não podemos viver isolados uns dos outros, por isso precisamos viver em comunhão, sendo uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus! Precisamos estar envolvidos uns com os outros, exercer o dom que Deus tem capacitado a cada um para edificação do corpo de Cristo (Ef 4.7-16).
Somos um exército e não soldados isolados. Somos uma família e não membros solitários. Somos um rebanho e não ovelhas desgarradas. 
Necessitamos amar uns aos outros, servir uns aos outros, encorajar uns aos outros, pois somos conhecidos como discípulos de Cristo. O amor de Jesus precisa ser demonstrado em nossas vidas, pois o amor é a maior evidência de que somos, de fato, discípulos de Cristo (Jo 13.34-35).  
O amor fraterno transforma vidas, se torna uma porta aberta para o evangelismo. Quando as pessoas vêem na igreja a realidade do amor de Deus, elas vão se sentir atraídas a conhecer deste amor. Quando olhamos para cima e vemos a graça soberana do pai, olhamos com temor para dentro de nós e permitimos que o Senhor transforme nossas vidas para sermos testemunho as nações.
3. Esse crescimento é numérico
Não podemos medir a saúde espiritual de uma igreja apenas pelo numero de membros, mas pela sua fraqueza evangelística e falta de crescimento. Não existe fidelidade estéril. Uma igreja saudável cresce natural e numericamente, pois sabemos que é o Senhor que acrescenta os que vão sendo salvos (At 2.47).
Deus abre os corações e dá o arrependimento para a vida e a fé em Cristo. Porém, a igreja que semeia com lágrimas volta com jubilo trazendo os seus feixes. A igreja que prega a palavra do reino de Deus com fidelidade e vive em santidade receberá do Senhor a recompensa. Não podemos colher aquilo que não semeamos. Não podemos ver pessoas salvas se não evangelizamos. Não podemos nos alegrar com os frutos do nosso trabalho se não nos dedicarmos na obra. Todo aquele que foi alcançado pelo evangelho tem um compromisso com ele: “Ser um arauto das boas novas”, pois fomos chamados do mundo e enviados de volta a ele como embaixadores de Cristo e ministros da reconciliação!  
Concluindo, não podemos ficar indiferentes diante da mensagem do evangelho. Chegou a hora de nos levantarmos no poder do Espírito Santo para sermos um vaso nas mãos de Deus para cooperarmos com o crescimento numérico da igreja. Pois a igreja precisa crescer de forma: Espiritual, fraternal e numericamente.
No amor de Cristo
Chico.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A vida em comunidade


Atos 2.44, diz assim: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.” Atos 4.32, nos ensina que: “Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.”
O crescimento espiritual é produto da vida em comunidade. A palavra comunidade tem a mesma raiz da palavra grega κοινονια / koinonia, que significa comunhão. Pode ser definida como todo agrupamento de pessoas em torno de direitos, responsabilidades e alvos comuns. Sua expressão coletiva define sua Natureza (origem), Identidade (o que ela é), e sua Finalidade (para que existe).

1. Natureza da Comunidade Cristã

A comunidade cristã difere essencialmente de quaisquer outras comunidade. Sua natureza (origem) é divina. Compreende o Eterno Propósito de Deus de ter um povo exclusivamente seu (2Co 6.16-18; 1Pe 2.5-9; Ef 4.1-6 e Tt 2.13-14). A comunidade cristã se expressa no mundo como:
· A família de Deus Pai
· O corpo de Deus
· O templo do Espírito Santo (Ef 2.19; Ef 1.22-23 e Ef 1.22)
Sua missão consiste em manifestar e dispensar o Deus Triuno (Cl 2.9 comparar com Ef 3.10-21).
2. Importância da Comunidade
Marcos 3.14-15 “Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios.”
O exemplo de Jesus. Chamou doze homens para estarem com Ele, ensinou-os a manterem relacionamentos íntimos com Deus e entre eles (conferir Mt 20.25-26), e tão somente depois foram enviados. O propósito de Deus é formar um povo, uma entidade coletiva, onde possa colocar  o seu nome (Glória, honra, natureza e caráter). A comunidade é o principal elo com Deus (1Co 11.3 e Ef 1.22-23) e com os Homens (1Co 12.13; At 2.42-47 e Ef 4.1-16).

3. Uma Comunidade Missionária em Torno de Jesus

A comunidade cristã deve estar reunida em torno da pessoa de Jesus Cristo. Dois ou três é representativo de uma comunidade de pessoas em volta de Jesus, comprometidas com Ele, adorando-O e dispostas a servi-Lo e ao Seu Reino neste mundo (Mt 18.20). A comunidade primitiva, um corpo de testemunho no poder do Espírito Santo (At 1.8). O testemunho procedia da comunhão e terminava por levar outros a mesma comunhão (1 Jo 1.1-3). A vida em comunidade servia de plataforma para testemunho poderoso dos apóstolos (At 2.42-43). O mundo só vai conhecer que somos discípulos através da vida em comunidade (Jo 13:34-35).

Conclusão:

Escolher a Cristo, não é somente uma relação com Ele, mas escolher tomar um lugar na comunidade local, onde se possa encontrar:
a. NUTRIÇÃO:
Ensino, palavra, exemplo, disciplina.
b. PROTEÇÃO:
Pela oração, conselho, comunhão, supervisão e cobertura espiritual.
c. FORMAÇÃO:
Pelos mandamentos claros e o controle por fazer juntos a obra de Deus pela convivência transparente.
d. INTEGRAÇÃO:
Pelo conhecimento e envolvimento na comunidade de fé e pela ajuda mútua. Isto é, o corpo unido entre si pela ajuda mutua.
“... de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Efésios 4.16).  
“...e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Colossenses 2.19).  


sábado, 5 de julho de 2014

Falta de reverência, o perigo de nossa obstinação!


“Porque eu sabia que eras obstinado, e a tua cerviz é um tendão de ferro, e tens a testa de bronze.” (Isaías 48.4). Estava meditando neste texto de Isaías e comecei a refletir um pouco sobre a forma como o Senhor nos criou, Deus nos criou eretos, porem precisamos aprender a dobrar nossos joelhos e nos curvar, principalmente diante do Criador. Mas as vezes (ou quase sempre) esta é uma posição incomoda e não temos facilidade em nos curvar. Na maioria das vezes somos resistentes a nos dobrar e ajoelharmos (“Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo obstinado.” Êxodo 32.9). 
Algo que me chama a atenção neste texto, é que Deus está nos exortando, dizendo que o tendão do pescoço do povo era de ferro e a sua testa era de bronze. Fico imaginando como as vezes nos portamos assim, somos orgulhosos, obstinados e teimosos. Assim caímos no erro de se tornar alguém que não se dobra, não se ajoelha, não coloca o rosto no chão.
Amados, precisamos descobrir a graça que existe nos joelhos dobrados, em se humilhar na presença do Senhor. Quando nos ajoelhamos, quebramos o orgulho e tudo que impede o fluir da graça do Pai em nossas vidas. Ao nos ajoelharmos nos aproximamos de Deus e esta é uma reverencia aceita por Deus, demonstramos nossa confiança e comunhão com Ele (1 Pedro 5.6-7).
Podemos ver na Bíblia, pessoas extremamente necessitadas aproximando-se de Jesus e se ajoelhando diante d’Ele para suplicar por seu favor e vale a pena relembrarmos: Como Marcos cita o homem leproso que se ajoelha diante do Redentor: “Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me.” (Marcos 1.40). Ou o clamor de um pai desesperado diante da grave doença de seu filho: “E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água.” (Mateus 17.14-15). Precisamos voltar aos joelhos dobrados. Nossa oração rompe as barreiras e quebra as amarras que nos prendem. As vezes caímos no engano de achar que as circunstancias, dificuldades que enfrentamos são maiores e mais forte do que nós, neste momento precisamos olhar para o exemplo que vários homens e mulheres da Bíblia. Eles se punham de joelhos diante de decisões e dificuldades que estavam enfrentando, como Salomão, diante do desafio de governar a nação se põe de joelhos diante do Senhor: “Sucedeu, pois, que, acabando Salomão de fazer ao Senhor esta oração e esta suplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os céus, se levantou diante do altar do Senhor.” (1 Reis 8.54). Vemos também Esdras em sua indignação pela nação, caindo de joelhos e clamando ao Senhor: “e perto do sacrifício da tarde me levantei da minha aflição, havendo já rasgado as minhas vestes e o meu manto, e me pus de joelhos, e estendi as mãos para o Senhor meu Deus...” (Esdras 9.5). Quantos de nós não somos colocados em situações difíceis de resolver, você inclusive neste momento pode estar sendo perseguido em seu trabalho ou escola, pode ainda estar sendo caluniado e tendo pessoas armando para sua vida. Deixa eu te dizer algo sobre este homem de Deus: Daniel! Ao saber dos planos que conspiravam contra ele, ao ponto dele ser lançado na cova dos leões, qual foi sua reação: “Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa... e se punha de joelhos, e orava e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer...” (Daniel 6.10). O Senhor enviou o Seu anjo e fechou a boca dos leões! Eu poderia ficar horas aqui escrevendo várias situações em que homens e mulheres se colocaram de joelhos diante do Senhor clamando por Seu socorro, mas eu gostaria de dizer algo a você amado irmão, Paulo escrevendo aos efésios revela uma graça valiosa: “Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai e oro para que Ele os fortaleça com poder, por meio do Seu Espírito.” (Ef 3.14-16).  Precisamos voltar a pratica da suplica, do rogo, pois em relação a oração nossos joelhos não podem ficar ociosos. Eles foram feitos para se dobrarem diante do Todo-Poderoso, por isso o salmista nos convida: “Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador” (Sl 95.6). Amados precisamos aprender a fazer isso para que, na plenitude da graça:  “...ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fp 2.10-11).
A Deus toda a gloria!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cuidado com as raposas!


"Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor." (Cantares 2.15).
Estamos vivendo dias onde o casamento e a família tem sido mortalmente atacados. Há um descrédito a legalidade das instituições familiares e sem percebermos está em todo vapor uma corrente para desconstruir valores e princípios nos relacionamentos.  As vezes em minha vida e ministério  me deparo com circunstâncias, que a principio parecem ser coisas simples de se resolver, mas no final é somente a ponta de um iceberg. Ao meditar neste texto de Cantares, vejo a sabedoria de Salomão nos dando um aviso acerca do cuidado que precisamos ter em nossos relacionamentos familiares, a situações e circunstâncias que nos rodeiam e que vem como ladrão para roubar a alegria no casamento, na família, nos relacionamentos: “Cuidados com as raposas.”   Eu sei que não existe uma formula para se cultivar um relacionamento familiar. Porém, precisamos estar dispostos a cultivar um bom relacionamento, como um sábio agricultor tem habilidade para tirar os melhores frutos de seu pomar, devemos buscar em Cristo a graça para ministrar a alegria em nossos relacionamentos. Por estes dias ouvi um testemunho de um terapeuta familiar ao orientar um jovem casal que o questionava acerca de como ter uma relação harmoniosa entre eles, achei interessante e importante seu conselho a este jovem casal:
“Se vocês querem ter um casamento harmônico, “não tenham nem televisor nem computador em casa” nos primeiros dois anos de casado!”. Eles se entreolharam, com um esboço de sorriso e uma expressão de interrogação, perguntando-se se eu estava falando sério ou se era apenas uma piada, entre as muitas que eu havia contado durante a palestra. Então eu continuei, solene: “Bem, me digam uma coisa, se vocês não tiverem televisão nem computador nos dois primeiros anos de casado, no final do expediente irão chegar em casa, jantar e em seguida farão o que?”. Eles soltaram uma gargalhada e responderam: “Conversar!”.
Realmente não há fórmulas mágicas para um sucesso no casamento, senão o diálogo. Nos dias atuais, a televisão e o computador são os maiores “ladrões do diálogo conjugal e familiar”. As pessoas chegam em casa cansadas de expedientes muitas vezes torturantes e querem “não pensar”. Apenas se jogam em frente à televisão ou ao computador e ali deixam a mente vagar pelos espaços cibernéticos, sem fazer esforço algum, senão o de mexer os dedos para zapear ou o de teclar e clicar o mouse.
Deixa eu te dizer algo aqui, muito cuidado com esse relax! Existe muito lixo no espaço cibernético e nas programações televisivas que sorrateiramente como uma raposa, se acumula nos cantos da mente e produz, em médio prazo, um mal comportamental que infecta os relacionamentos. Muitas vezes ouvimos comentários de mulheres cristãs, afirmando que estavam torcendo para que uma determinada personagem da novela abandonasse o marido e ficasse com o amante, pois o primeiro era malvado e cruel, enquanto o segundo era adorável, amável, companheiro. Esse lixo entra silenciosamente nas mentes e vai distorcendo os valores.
Algo
tem me alarmado em minhas conversas com amigos pastores sobre inúmeros casos de homens e mulheres com uma vasta bagagem cristã, mas que, de um momento para o outro, se vêem envolvidos em pornografia pela internet. Isso por terem “inocentemente” entrado em salas de bate-papo e, paradoxalmente, não terem mais espaço de diálogo com o cônjuge. Amados irmãos, Jesus nos alerta: “O ladrão só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa” (Jo 10.10).
Cuidemos então de cultivar o diálogo conjugal e familiar e de manter os
ladrões distantes de nossa casa. Talvez você não precise desfazer-se de sua televisão ou computador, mas precise orar a Deus para desenvolver o fruto do Espírito Santo, que inclui o domínio próprio (Gl 5.22). Dominar o impulso de chegar em casa e ligar a televisão ou o computador e aproveitar o tempo para um fecundo diálogo conjugal e familiar é, sem dúvida, sinal de maturidade espiritual.

Por que a dor não se acaba?


Quanto tempo vai durar a dor? Quanto tempo vai durar a dor provocada por situações que nos deixam depressivos? Nem sempre a alegria rompe de manhã cedo, depois de uma noite de choro (Sl 30.5). A dor pode durar mais de um dia, mais de uma semana, mais de um mês, mais de um ano. A outra boca do túnel, que dá para a claridade, pode estar a uma distância muito grande.
A caminhada do povo hebreu até Canaã durou quarenta anos (Dt 8.2). O tempo de julgo e servidão na Babilônia se estendeu por setenta anos (Jr 25.11). Por quarenta anos, o Egito sofreu humilhação e destruição até reconhecer que o Senhor é Deus (Ez 29.12). Nabucodonosor padeceu em sua loucura por sete “tempos” andando de quatro e comendo a grama do palácio até tomar consciência de que Deus é quem “destrona reis e os estabelece” (Dn 4.32-33). Davi amargou por dez anos sofrendo as consequências do seu adultério. Jó perdeu tudo em um só dia. Ele foi privado de tudo que ele tinha (Jó 19.9), principalmente a saúde e a solidariedade religiosa da esposa. Recuperou tudo, mas não foi repentinamente. Em meio à dor, ele se questionou: “Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?” (Jó 6.11). As vezes esta tem sido a nossa oração! Em meio a perda e a dor ficamos fragilizados e precisamos nos conscientizar que tanto a dor quanto o seu prolongamento, em última análise, são mistérios. Todos sofrem: as crianças e os idosos, os bons e os maus, os cristãos e os não-cristãos, os ricos e os pobres. Uns sofrem mais, outros menos. Em alguns casos, a dor prolongada gera uma fábrica de revoltosos e incrédulos. Em outros, é uma fábrica de santos e de pessoas disponíveis aos outros.
Amados, precisamos estar atentos pois a dor prolongada tanto pode ser uma tentação como uma provação. Se ela me afastar de Deus, é uma tentação; se ela me aproximar d’Ele, é uma provação (e uma bênção). Por mais terrível e misteriosa que seja a dor prolongada, a pior maneira de lidar com ela é perder a comunhão com Deus, perder a fé, perder a esperança. Esse foi o pior conselho que a mulher de Jó lhe deu: “Amaldiçoa a Deus, e morre!”. Porém a resposta que Jó dá a sua esposa precisa estar sempre em nosso coração: “Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?” (Jó 2.9-10). O sofrido Jó nos ensina a suportou a dor prolongada e vencê-la por meio da esperança: “Eu sei que o meu Redentor vive e que no fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).
Meus irmãos, dificilmente a dor prolongada dura a vida inteira. Mas, ela pode demorar muito tempo para passar, por isso é nossa comunhão com Deus que nos dá esperança para vencer a dor, porque sabemos que “no fim ‘o Redentor’ se levantará sobre a
terra” (Jó 19.25). Esse mesmo Redentor “enxugará dos seus olhos toda lágrima. Então não haverá tristeza, nem choro, nem dor [muito menos a dor prolongada], pois a antiga ordem já passou”. Assim, aquele que reina sobre tudo e sobre todos e que está sentado no trono dirá: “Estou fazendo novas todas as coisas!” (Ap 21.4-5). Lembre-se o Senhor virá em nosso socorro, pois Ele conhece os nossos limites!