"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Oração que alcança Deus

Por J. C. Ryle

Quero me dirigir àquelas pessoas que oram. Creio que alguns leitores deste artigo já têm o Espírito de adoção e sabem bem o que significa a oração. Para tais pessoas, ofereço apenas algumas palavras de conselho e exortação fraternal. Deus ordenou que o incenso oferecido no tabernáculo fosse preparado de maneira muito específica. Não poderia ser qualquer tipo de incenso. Lembremo-nos disso e sejamos cuidadosos com a nossa maneira de orar. Em primeiro lugar, então, chamo a sua atenção para a importância da reverência e da humildade na oração. Nunca nos esqueçamos daquilo que realmente somos e de como é sério falar com Deus. Tenhamos cuidado para não entrar correndo na sua presença de forma irrefletida e leviana. Digamos antes para nós mesmos: “Estou em terra santa. Aqui não é outro lugar senão a própria porta do céu. Se eu não estiver falando com sinceridade, estarei brincando com Deus. Se eu contemplar iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá” (Êx 3.5; Gn 28.17; Sl 66.18).
Observemos as palavras de Salomão: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra” (Ec 5.2). Quando Abraão se dirigiu a Deus, ele disse: “sou pó e cinza”(Gn 18.27). De maneira semelhante, Jó disse: “Sou indigno [ou vil]” (Jó 40.4). Tenhamos a mesma atitude.
Chamo a sua atenção, em seguida, para a importância de orar espiritualmente. Com isso, quero dizer que devemos buscar sempre a ajuda do Espírito nas nossas orações e vigiar, sobretudo, contra a formalidade. Não há nada tão espiritual que não possa transformar-se numa fórmula mecânica, especialmente em se tratando de oração individual. É muito fácil formar o hábito inconsciente de usar as palavras mais adequadas possíveis e oferecer petições totalmente bíblicas e, ao mesmo tempo, fazer de tudo isso uma mera rotina sem qualquer sentimento interior, repetindo diariamente os mesmos passos no mesmo caminho batido. Quero tocar neste ponto com cautela e delicadeza. Sei que há certas necessidades que aparecem na nossa vida diariamente; não significa necessariamente que estou sendo formal porque peço as mesmas coisas com as mesmas palavras. O mundo, o diabo e o nosso coração são iguais todos os dias. É necessário pisar diariamente no mesmo terreno. Contudo, quero reafirmar que devemos ser muito cuidadosos neste ponto. Se o esqueleto e o esboço das orações precisam ser repetidos a ponto de se tornarem praticamente uma fórmula, esforcemo-nos para que a roupagem e o conteúdo delas sejam sempre gerados pelo Espírito, no máximo possível. Considere, também, a importância de fazer da oração uma atividade regular da vida.Cabe aqui dizer algo sobre o valor de ter horários fixos no dia reservados para a oração. Deus é um Deus de ordem. O fato de ter uma hora certa para o sacrifício da manhã e o da tarde, no templo dos judeus, não era um detalhe insignificante. A desordem é um dos frutos mais notórios do pecado. Ao mesmo tempo, não estou sugerindo nenhum tipo de obrigação opressiva. Só quero afirmar isto: é essencial para a saúde do homem interior incluir a oração como parte imprescindível de sua atividade em cada ciclo de vinte e quatro horas da sua vida.
Assim como você reserva um horário para comer, para dormir e para trabalhar, separe igualmente um tempo para a oração. Escolha seu próprio horário no dia a dia e faça-o, também, em ocasiões especiais. Fale com Deus, ao menos no primeiro instante do dia, de manhã, antes de falar com o mundo; e fale com ele à noite, depois de encerrar seu contato com o mundo. Determine em sua mente que a oração é uma das atividades mais importantes do seu dia a dia. Não a relegue para um lugar secundário. Não lhe dê as sobras do seu tempo nem as pontas das outras obrigações. Sejam quais forem as demais atividades prioritárias de sua vida, coloque a oração como uma delas.
Considere agora a importância da perseverança na oração. Uma vez iniciado o hábito, nunca desista dele. O seu coração poderá lhe dizer algumas vezes: “Você já orou com a família; que grande mal haveria em deixar de fazer sua oração pessoal?”. Outras vezes, seu corpo poderá reclamar: “Você não está sentindo bem, está com sono, cansado; não precisa orar”. A sua mente tentará argumentar: “Você tem negócios importantes para tratar hoje; encurte as orações”. Encare todas essas sugestões como procedentes diretamente de Satanás. Elas estão passando, com efeito, esta mensagem: “Negligencie a sua alma”. Não estou defendendo que as orações devam ter sempre a mesma duração; quero encorajá-lo apenas a nunca permitir que desculpa alguma o faça desistir de orar. Paulo disse: “Perseverai na oração” e “Orai sem cessar” (Cl 4.2; 1 Ts 5.17). Ele não estava dizendo que todos deveriam estar o tempo inteiro de joelhos, mas exortava os discípulos para que suas orações fossem como os holocaustos contínuos, mantidos regularmente todos os dias; que fossem tão constantes quanto o tempo de semeadura e de colheita, de inverno e verão, despontando infalivelmente em ocasiões regulares; que se tornassem como o fogo do altar, o qual, mesmo quando não consumia sacrifícios, nunca se apagava completamente. Mantenha sempre em mente que você pode formar uma corrente ininterrupta, ligando as orações matutinas com as da noite, por meio de pequenas orações e súplicas oferecidas ao longo do dia. No lugar em que estiver, seja no trabalho, seja com outras pessoas ou até mesmo na rua, você pode disparar silenciosamente pequenas mensagens a Deus, como flechas voadoras, assim como fez Neemias quando estava diante do próprio rei Artaxerxes (Ne 2.4).
Pense agora na importância da intensidade na oração. Não é uma questão de gritar, berrar ou falar muito alto a fim de provar que sua oração realmente é intensa. Significa que devemos ter entusiasmo, fervor e paixão, que nossas súplicas devem ser feitas com uma demonstração clara de que estamos envolvidos de coração naquilo que estamos pedindo. É a oração “fervorosa e enérgica” que “muito pode por sua eficácia” (Tg 5.16).
É essa lição que nos é ensinada pelas expressões usadas nas Escrituras para descrever a oração. Orar é “clamar, bater na porta, afadigar-se, empenhar-se, labutar, lutar, guerrear”. É também a lição que aprendemos com os personagens da Bíblia. Jacó foi um deles. Ele disse para o anjo em Peniel: “Não te deixarei ir se me não abençoares” (Gn 32.26). Daniel foi outro. Ouça como ele suplicou diante de Deus: “Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, pelo amor de ti mesmo, ó Deus meu” (Dn 9.19). Nosso Senhor Jesus Cristo demonstrou isso também. Está escrito a respeito dele: “Nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas…” (Hb 5.7).
Lamentavelmente, a maioria das nossas súplicas não possui quase nada dessa intensidade! Como parecem inofensivas e mornas em comparação! De fato, Deus poderia perfeitamente dizer a muitos: “Vocês não querem de verdade aquilo que estão pedindo”.
Vamos nos empenhar para corrigir esse erro. Vamos bater com força na porta da graça, assim como fez a Misericórdia naquele clássico, O Peregrino, como se fôssemos perecer caso não fôssemos ouvidos. Deixemos esta verdade bem firme em nossas mentes: orações frias são o mesmo que um sacrifício sem fogo. Chegamos agora à importância de se orar com fé. Devemos nos empenhar para crer que nossas orações serão ouvidas e que certamente teremos resposta se estivermos pedindo de acordo com a vontade de Deus. Esta é a ordem explícita de nosso Senhor Jesus Cristo: “Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Mc 11.24). A fé está para a oração assim como a pena está para a flecha – sem ela, a oração não acerta o alvo. Em nossas orações, devemos cultivar o hábito de suplicar com base nas promessas de Deus. Podemos tomar algumas promessas e dizer: “Senhor, aqui está o teu compromisso com a tua Palavra. Faze por nós assim como prometeste”. Esse era o hábito de Jacó, de Moisés e de Davi. O Salmo 119 está cheio de petições, feitas “segundo a tua palavra”.
Acima de tudo, devemos cultivar o hábito de esperar respostas às nossas orações. Precisamos ter a atitude de um comerciante que envia seus navios ao mar. Não devemos ficar satisfeitos, a menos que tenhamos algum retorno. Lamentavelmente, há poucos aspectos em que os cristãos falham mais do que neste. Há uma expressão solene de Robert Traill: “Não há maior marca de menosprezo pela oração do que quando as pessoas são indiferentes em relação àquilo que pedem na oração”.
Peço que considere também a importância da ousadia na oração. Há uma familiaridade imprópria nas orações de algumas pessoas que não posso elogiar. Por outro lado, existe uma ousadia santa, que é algo extremamente desejável. Uma ousadia tal qual aquela de Moisés, quando suplicou a Deus para que não destruísse Israel. “Por que”, disse ele, “hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes… Torna-te do furor da tua ira” (Ex 32.12). Refiro-me também à ousadia de Josué, quando os filhos de Israel foram derrotados diante dos homens de Ai: “Então”, disse ele, “que farás ao teu grande nome?” (Js 7.9).
Foi essa ousadia que marcou a vida de Lutero. Uma pessoa que o ouviu enquanto orava disse: “Que espírito, que confiança transparecia até nas expressões do rosto! Seus pedidos eram feitos com reverência e humildade, como faria um suplicante; ao mesmo tempo, falava com esperança e segurança como quem pede a um pai amoroso ou a um amigo”. Foi essa ousadia, também, que caracterizou Bruce, um clérigo escocês do século 17. Diziam que suas orações eram “como dardos disparados para o céu”.
Temo que aqui também falhamos lamentavelmente. Não compreendemos suficientemente os privilégios do crente. Não suplicamos com tanta frequência quanto poderíamos: “Senhor, não somos teu povo? Não é para tua glória que devemos nos santificar? Não é para tua honra que teu Evangelho deve crescer?” Voltemos nossa atenção, agora, para a importância da plenitude na oração. Não ignoro o fato de que nosso Senhor advertiu os discípulos contra o exemplo dos fariseus, os quais, por pretensão, faziam longas orações. “Orando”, ele instruiu, “não useis de vãs repetições” (Mt 6.7). Por outro lado, também não posso esquecer que ele deixou um claro endosso a longas e intensas devoções quando permanecia a noite toda em oração a Deus. Em todo caso, é pouco provável nos dias de hoje que erremos no extremo de orar demais. Não deveríamos, na nossa geração, ter muito mais receio de estar orando de menos? A quantidade de tempo que os cristãos realmente separam para oração, individualmente ou em conjunto, não é muito pequena?
Tenho receio de que essas perguntas não possam ser respondidas satisfatoriamente. Temo que as devoções particulares da maioria sejam lamentavelmente escassas e limitadas; só o suficiente para provar que estão vivos, mas nada além disso. Parecem querer muito pouco de Deus. Aparentemente, têm pouco para confessar, pouco para pedir e pouco para agradecer. Que situação lamentável!
É muito comum ouvir os crentes se queixando que não conseguem avançar na vida espiritual. Dizem que não crescem na graça como desejariam. Porém, não poderíamos suspeitar de que possuem exatamente o tanto de graça que pediram do Senhor? O fato verdadeiro não seria que têm pouco porque pediram pouco? A causa de sua fraqueza pode ser encontrada em suas próprias orações que são mirradas, mesquinhas, reduzidas, superficiais, apressadas, abreviadas, acanhadas e vazias. Nada têm porque não pedem (Tg 4.2). A triste realidade é esta: não somos limitados por causa de Cristo, pois os limites estão em nós mesmos (2 Co 6.12,13). O Senhor diz: “Abre bem a boca, e ta encherei” (Sl 81.10). Somos como o rei de Israel que feriu a terra três vezes e parou, quando a deveria ter ferido cinco ou seis vezes (2 Rs 13.14-19).
Veja agora a importância de ser específico na oração. Não devemos nos contentar em fazer petições gerais. Devemos detalhar nossas necessidades diante do trono da graça. Não é suficiente confessar que somos pecadores; precisamos dar nomes aos pecados dos quais nossa consciência nos faz sentir culpados. Não devemos nos dar por satisfeitos quando rogamos ao Senhor por santidade em geral; precisamos mencionar as graças e qualidades das quais nos sentimos mais deficientes. Não é correto apenas contar ao Senhor que estamos em dificuldades; precisamos descrever a nossa situação em todas as suas peculiaridades. Foi isso que Jacó fez quando teve medo de seu irmão Esaú. Ele contou para Deus exatamente o que temia (Gn 32.11). Foi isso o que o servo de Abraão fez quando foi procurar uma esposa para o filho do seu senhor. Ele expôs diante de Deus exatamente aquilo de que precisava (Gn 24.12). Foi isso, também, o que Paulo fez quando tinha um espinho na carne. Rogou ao Senhor que o afastasse dele (2 Co 12.8). É essa atitude que demonstra fé e confiança verdadeiras. Devemos acreditar que nada é tão pequeno ou tão insignificante que não possa ser mencionado diante de Deus. O que você acharia de um paciente que fosse ao médico dizer que estava doente, mas não quisesse contar detalhe algum de sua enfermidade? O que você pensaria da esposa que dissesse ao marido que estava infeliz, mas não especificasse a causa? Ou que diríamos do filho que reclamasse ao pai que estava em dificuldades, mas nada além disso? Cristo é o nosso verdadeiro Noivo, o Médico do coração, o Pai perfeito e amoroso de cada um de nós. Vamos demonstrar correspondência sendo totalmente abertos na nossa comunicação com ele. Não esconda dele segredo algum. Conte-lhe tudo o que está no seu coração.
Considere, agora, a importância da intercessão nas nossas orações. Somos egoístas por natureza, e o nosso egoísmo continua se manifestando em nós, mesmo depois da conversão. Há uma tendência para pensar somente na própria vida, nos próprios conflitos espirituais, no próprio progresso, e de esquecer-se dos outros. Contra essa tendência, todos nós precisamos vigiar e lutar, inclusive nas orações. Devemos nos empenhar para despertar interesse no nosso coração pelo bem comum. Precisamos desenvolver o hábito de mencionar outros nomes, além do nosso, diante do trono da graça. Procuremos carregar sobre o coração e os ombros o encargo espiritual de todo o mundo, dos pagãos, de judeus, católicos e evangélicos, de toda a Igreja de Jesus, do país onde vivemos, da congregação à qual pertencemos, da casa onde moramos, dos amigos e parentes com quem temos vínculos. Por cada um e por todos, devemos suplicar. Essa é a maior caridade que se possa dar a alguém! Os que me amam orando por mim é que me amam melhor. Orar em favor dos outros traz saúde para a própria alma. Aumenta nossa compaixão e alarga o coração. Traz benefício para toda a igreja.
As engrenagens de todos os ministérios e funções que fazem o Evangelho avançar são movidas por meio da oração. Aqueles que intercedem como Moisés no monte são tão eficazes pela causa do Senhor quanto os que lutam como Josué no calor e no perigo da batalha. Isso é ser semelhante a Cristo. Ele apresenta diante do Senhor os nomes de suas ovelhas, como o Sumo Sacerdote. Que tremendo privilégio é assumir funções semelhantes às de Jesus! É assim que podemos, de fato, apoiar outros ministros do Senhor. Se eu pudesse escolher uma congregação, escolheria um povo que orasse.
Um aspecto que não pode ser esquecido é a importância da gratidão na oração. Sei muito bem que pedir a Deus é uma coisa e louvá-lo é outra. Mas vejo na Bíblia uma conexão tão próxima entre oração e louvor que não teria coragem de dizer que uma oração é verdadeira se não inclui a gratidão. Não foi sem motivo que Paulo disse: “Sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça” (Fp 4.6, ênfase acrescentada). “Perseverai na oração, vigiando com ações de graça” (Cl 4.2).
É pela misericórdia divina que não estamos no inferno. É pela misericórdia que temos a esperança do céu. É pela misericórdia que temos acesso à luz de Deus. É pela misericórdia que fomos chamados pelo Espírito e não abandonados para colher o fruto dos nossos próprios caminhos. É pela misericórdia que ainda vivemos e temos oportunidades de glorificar a Deus, tanto passiva quanto ativamente. Com certeza, esse tipo de pensamento deve encher nossa mente sempre que falamos com Deus. Nunca deveríamos abrir nossos lábios em oração sem glorificar a Deus pela graça que nos dá a vida, e pela misericórdia e bondade do Senhor que duram para sempre. Nunca houve um grande servo ou serva de Deus que não transbordasse de gratidão. Quase todas as epístolas de Paulo começam com ações de graça. Querido leitor, se quisermos ser luzeiros resplandecentes a brilhar nas trevas da nossa geração, precisaremos cultivar um espírito de louvor. Que nossas orações sejam repletas de gratidão.
Finalmente, peço que considere a importância da vigilância constante sobre sua vida de oração. A oração é o aspecto da vida espiritual, acima de todos os outros, que requer atenção especial. É aqui que começa a religião verdadeira; aqui ela floresce e aqui ela decai. Conte-me como são as orações de alguém, e logo eu lhe direi o estado de sua alma. A oração é o pulso da vida espiritual. Por ela, a saúde espiritual pode ser aferida. A oração é o barômetro espiritual. Por ela, podemos saber se as condições no coração são de tempo bom ou tempo ruim. Que atenção especial precisa ser dada ao seu tempo individual com o Senhor! Aqui está o coração da nossa vida cristã na prática. Sermões, livros, folhetos, reuniões de diretorias e a companhia de pessoas de bem são elementos importantes, cada um com sua função; entretanto, nenhum deles conseguirá compensar a negligência da oração individual.
Marque muito bem os lugares, as companhias e os ambientes que prejudicam e impedem seu coração de ter comunhão com Deus e fazem com que suas orações se tornem pesadas, sem espontaneidade. Coloque uma vigilância dobrada nestes pontos de sua vida. Observe cuidadosamente que amigos e atividades o deixam mais afinado espiritualmente, mais disposto a falar com Deus. A essas pessoas e a essas atividades você deve se ligar e permanecer firme. Se você cuidar bem de sua vida de oração, as demais áreas da vida dificilmente se desencaminharão.
Ofereço estes pontos para sua consideração pessoal. Faço-o com toda a humildade. Não há ninguém que precise ser mais lembrado deles do que eu mesmo. Mas creio que representam a própria verdade de Deus, e meu anseio é para que eu mesmo e todos aqueles que eu amo os coloquem em prática com intensidade cada vez maior.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Disposição de coração


“aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.” (Hebreus 10.22). Dos versos 19 ao 21 o autor de Hebreus fala de nos aproximarmos do Senhor e andar em seus caminhos. Ele nos aconselha a nos achegarmos ao trono da graça (Hb 4.16).  
“...aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé...”
O autor esta dizendo que somos atraídos para perto do Senhor em oração, porém, diz que além de ter confiança nós devemos ir com sincero coração, em plena certeza de fé.
Quando nosso coração é sincero, a fé é evidente com certeza completa, experimentamos uma completa confiança em Deus.
“...tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.”
Aqui o autor esta se referindo ao interior (coração) e ao exterior (corpo). Ele esta nos animando a nos aproximar do Senhor com o corpo, a alma, mas purificados do pecado. Podemos nos aproximar do trono da graça pelo sangue de Jesus que nos lava de todos os nossos pecados. Precisamos ter a consciência do ato de Cristo na cruz: Jesus removeu para sempre a culpa que nos impedia de se achegar a Cristo!
A água na Bíblia tem o sentido da palavra do Senhor (Ef 5.25-26: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra.”).
Por isso tendo consciência da palavra que nos liberta e com fé, com sincero coração, precisamos:
1. Ensinar os irmãos a esperança
    “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.” (Hebreus 10.23). O conteúdo desta confissão a esperança de que Cristo cumprirá todas as promessas que fez! Somos orientados a continuar ensinando nossa esperança em Cristo de maneira segura, com fé. Deus é fiel para cumprir suas promessas: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hb 13.5).
2. Em expressar amor
    “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.” (Hebreus 10.24).
     O autor nos ensina que o amor de Deus se estende através de nos aos que estão a nossa volta. Por isso, precisamos considerar como temos incentivado os irmãos em amor e boas obras! Precisamos encontrar maneiras de levar os irmãos a crescerem em suas expressões de amor que resultam em fazer coisas boas. Obras feitas em amor ao próximo honra a Deus, o Pai.
     Concluindo, ao falarmos sobre fé, esperança e amor, parece-me que a esperança é sempre negligenciada. Damos mais valor ao amor e a fé. Porem o autor de hebreus nos exorta a andarmos com sincero coração diante dos desafios da vida cristã, na esperança que as virtudes da fé e do amor sejam manifestas em nossas vidas, pois a esperança nos guia pelas veredas de justiça. O discipulado é a expressão do amor de Cristo nos relacionamentos que alcança as pessoas e as colocam juntas. O esporte, o teatro, o cinema e a política pode ajuntar multidões, mas o sangue de Cristo mantém as pessoas ligadas, porque nos leva a adorar e expressar o amor de Deus a outros.  Quando o autor de hebreus nos diz a estimularmos uns aos outros ele esta no orientando a fortalecermos a maravilhosa unidade de amor que nos liga: O sangue de Jesus!

domingo, 7 de setembro de 2014

Artesãos da paz!


“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5.9). “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra”! Tal era o louvor dos anjos, quando o Senhor Jesus nasceu (Lucas 2.14). Porém o Senhor Jesus, o Príncipe da paz, foi rejeitado. E essa paz, que vem de Deus, não pôde ser estabelecida no mundo. Isso acontecerá quando o Senhor Jesus voltar. Porém essa volta será precedida pelo juízo sobre todos os que rejeitaram a Deus.
Hoje em dia Deus oferece Sua paz a todos. É urgente estar reconciliado com Deus (2ª Coríntios 5.20). Cristo fez a paz pagando um preço altíssimo: Sua própria morte na cruz. Agora nos convida a nos aproximarmos d’Ele, tal como somos, com nossas dificuldades, amarguras e medos, para desfrutar a paz com Deus em nossa consciência e coração.
Dessa forma, podemos ser artesãos da paz ao falar do Senhor Jesus e nos esforçando ao máximo para manter bons relacionamentos com os que nos rodeiam. Isso às vezes é uma tarefa dificílima, porque é necessário nos humilharmos diante dos outros. Ser um artesão da paz também é ajudar a reconciliação de pessoas que estão aprisionadas pela hostilidade ou amargura. Peçamos ao Senhor Sua ajuda para que saibamos escutar, compreender e amar uns aos outros. E sendo assim, poderemos ser reconhecidos como pacificadores (“Pois a bondade é a colheita produzida pelas sementes que foram plantadas pelos que trabalham em favor da paz.” Tiago 3.18 NTLH).


sábado, 6 de setembro de 2014

Elos da Evangelização


“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que anunciam boas novas,” (Romanos 10.13-15).
Jesus é a esperança em nós. Jesus veio restaurar a imagem de Deus em nós, pois o pecado desfigurou o homem perante Deus.
Agora se não pregarmos o evangelho, como essa maravilhosa e tão completa graça (tudo o que Jesus fez na cruz), não terá nenhuma utilidade para o mundo. A salvação chegou até você porque alguém lhe pregou o evangelho! Por isso, o evangelho precisa ser pregado para que o sacrifício de Cristo tenha sentido e valor para eles.
A dinâmica da evangelização é composta de sete elos (partes ou componentes) de uma corrente:
1. ENVIAR
2. IR
3. PREGAR
4. OUVIR
5. CRER
6. INVOCAR
7. SER SALVO
Conforme Paulo nos mostra nestes versículos, temos três protagonistas ou responsáveis nestas partes: Deus, nós e os perdidos.
Deus: é o responsável por nos: ENVIAR e SALVAR.
Nós: somos os responsáveis por: IR e PREGAR.
Os perdidos: são responsáveis por: OUVIR, CRER e INVOCAR.
1. Enviar: Deus é aquele que envia. E Ele já nos enviou. Ele deu a ordem: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16.15). Também: "Ide e fazei discípulos de todas as nações" (Mateus 28.19). Portanto, o primeiro movimento desta corrente é de Deus.
2. Ir: Não está mencionado nessa passagem, porém está implícito. Isso pertence a nós. É nossa responsabilidade. Isso significa calçar os sapatos para sair às ruas. Há muitos crentes que vivem descalços. Alguém pode ficar descalço dentro de sua casa, mas não convêm sair assim à rua, nem ao campo, muito menos a uma guerra. Para sair deve calçar seus pés. Por isso Paulo diz em Efésios 6.15: "Calçados os pés com a preparação do Evangelho". O único ponto de contato com a terra são os nossos pés. Hoje existem muitas igrejas "descalças". Estão na comodidade de um tapete, no templo, porém não saem às ruas. Devemos estar calçados e sair.
3. Pregar: Ir e pregar. É nossa responsabilidade. Trata-se de soltar o kerigma. De dar a boa notícia. De abrir a boca. De levar Cristo a todos os lugares da terra. Em seguida, há três partes que correspondem ao pecador:
4. Ouvir: Se você prega, o pecador ouve. Querendo ou não ele ouvirá o que você disser. Alguns continuarão apenas ouvindo, outros não.
5. Crer: Quando o pecador ouve a palavra, esta carrega dentro de si o dom da fé. Portanto, lhe motivará a crer. Rm 10.17 diz: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” Aquele que não ouve a pregação não tem a possibilidade de crer.
6. Invocar: Aquele que crer tem que invocar. "Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo". Assim, primeiro deve ouvir, depois deve crer e, como consequência, invocará. São três ações que pertencem ao pecador.
7. Salvar: Isso pertence ao Senhor. Você não pode salvar nem converter alguém, nem sequer uma criança. É obra de Deus, do Espírito, da Sua graça. E Deus quer salvar a todos! Ele está pronto para fazê-lo. É o que Ele mais deseja. Tem disposição para fazê-lo. Porém, uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais frágil. Uma corrente pode ser muito forte, com elos grossos, mas se tem um só elo fraco, ela se romperá e não servirá. Qual é o elo mais frágil dessa corrente de sete elos? Deus é forte, Ele envia e salva. Há três ações que dependem dos pecadores. Porém, há duas que dependem de nós: ir e pregar. Gostaria de destacar duas formas de fazer isso:
            a. Evangelização espontânea.
      Quando você sai para trabalhar, estudar, levar seus filhos à escola, fazer compras etc., sempre se encontra com pessoas. Então, já que vai, pregue o evangelho. Devemos fazê-lo a tempo e fora de tempo. Mostre Cristo em todos os lugares e de todas as formas possíveis: através de sua vida, de seu amor, de seu exemplo, de sua amabilidade, de seu serviço, de sua oração. Você deve estar sempre disposto a ajudar, estar próximo ao que sofre, ao necessitado, ao que está aflito. Assim, já que você está nesta sociedade, nesta cidade, neste país, onde quer que vá pregue o evangelho para que as pessoas tenham a possibilidade de crerem e serem salvas. A Bíblia diz que um dia Jesus foi à sinagoga de Nazaré. Sentou-se como qualquer outro visitante. O encarregado da sinagoga lhe perguntou: "Tens alguma passagem bíblica que queres ler?" Aparentemente ele não havia ido lá com a intenção de pregar; mas a oportunidade lhe surgiu. E ele disse: "Sim". Para o povo judeu, quando alguém completa 30 anos já pode ler as Escrituras na sinagoga. Assim, ele se dirigiu ao púlpito, pegou o rolo do livro de Isaías, e o abriu no capítulo 61. E começou a ler: "O Espírito do Senhor está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos". Ele não pregou. Apenas fez o que qualquer visitante teria feito. Porém, os olhos de todos naquela sinagoga estavam fitos nele. Então ele disse uma frase final: "Hoje se cumpriu essa escritura diante de vós." Assim também nós devemos fazer onde quer que vamos, seja no trabalho, na escola, no supermercado, no clube... Devemos estar atentos e prontos para pregar o evangelho.
            b. Evangelização planejada.
      Sair e pregar intencionalmente, planejadamente. Jesus também fazia isso. Diz em Mateus 9.35: "Percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo". Ele fazia isso de forma planejada. A Palestina era um país muito grande. Tinha uns 200 km de comprimento por 80 km de largura, aproximadamente. Ele não tinha um carro, não tinha sequer um burrinho. No entanto, em três anos ele visitou todas as cidades e aldeias. Isso não se consegue fazer sem um bom planejamento. Jesus também formou 35 equipes de 2 discípulos cada uma, e os enviou a todos os povos e cidades aos quais ele havia ido. Que tremendo! Isso é planejamento! Não iremos a todos os lugares apenas esperando que esse dia chegue. O dia já chegou! Fomos enviados a todo o mundo. Devemos planejar em oração e irmos segundo a direção do Espírito. Paulo ficou por três anos em Éfeso, que era a capital da Ásia (uma província romana que se localizava a oeste da atual Turquia). Diz Atos 19.9,10, que todos os habitantes da Ásia (tanto judeus como gentios) ouviram a palavra do Senhor. Não sabemos como ele fez isso, mas ele fez. E em 3 anos! Devemos sair, orar, pensar e planejar o que fazer e onde ir. Porque se não formos, o que Cristo fez por todas as pessoas que vivem nessas cidades não servirá para nada. Cabe a nós nos movermos, colocar em ação esse elo da salvação.
      Concluindo, algo precisa acontecer entre nós! Tem que haver uma mudança, uma revolução em nossa forma de viver. Eu anseio ver uma revolução espiritual. Cada dia eu oro e peço: "Senhor, aviva em mim o Teu fogo, Tua paixão. Incendeia-me e faz-me voltar ao primeiro amor!"

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Pastoreamento


“Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada...” (1 Pedro 5.1).
Pedro faz um apelo à liderança. Em tempos de sofrimento e perseguições, como lideres precisamos estar alertas. Precisamos conduzir a igreja por esse vale de dor e ser modelos do rebanho nesta fornalha ardentes.
A natureza do apelo: A palavra grega parakalo, traduzida por “rogo” vem de parakletos que é “consolador”. Trata-se de um apelo intenso, veemente, urgente, porém regado de ternura. Neste gesto Pedro está nos ensinando algo importante aqui, mesmo em sua posição de autoridade como apostolo ele não manda, mas roga. Demonstrando a característica de um líder, que tem sua autoridade reconhecida e não por autoritarismo.
Destinatários do apelo: Pedro roga aos lideres que estavam a frente do rebanho. Pedro sabia e respeitava a responsabilidade destes homens em cuidar do rebanho. Pedro sabia que eles é quem cuidava do rebanho, protegendo-as dos perigos e alimentando-as.
Vs. 2-3: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.
Nestes versos Pedro faz três observações importantes na tarefa de liderar pessoas:
1. Não por constrangimento, mas espontaneamente: O líder não é o dono das ovelhas, não podemos nunca nos esquecer que o rebanho é do Senhor. Mas o Senhor nos orientou a alimentar, proteger e conduzir as pessoas a Cristo. Pedro esta dizendo aqui que a liderança no corpo de Cristo não é algo imposto pela força, mas é algo voluntario. Existe também a questão de fazer a obra do Senhor de qualquer jeito, é necessário nos prepararmos para trazer ensino, direção e a visão correta acerca do reino de Deus aos irmãos. Por isso é necessário nos prepararmos.
     2. Não por sórdida ganância, mas de boa vontade: Como lideres precisamos exercer o serviço entre os irmãos. Devemos visar a glória de Deus e o bem das pessoas que cuidamos. Ensinar com o exemplo.
      3. Não como dominadores, mas como modelo: Por meio do Espírito Santo temos recebido autoridade para liderar pessoas, mas não podemos fazer mau uso desta autoridade. Como líder preciso ser um modelo para os irmãos, estamos a frente para mostrar o caminho aos irmãos. Jesus ensinou que o modelo de liderança é o serviço. (Jo 13.4-5).
      Concluindo, todo nosso trabalho será recompensado: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” (vs.4). Todo líder que serve ao Senhor com fidelidade tem a promessa de que, quando Jesus voltar, em majestade e glória, receberão de suas mãos a coroa da gloria. Pedro cita aqui uma coroa como de um atleta que recebe ao final de sua conquista. A coroa de um líder fiel é uma coroa de glória, uma coroa imarcescível. A Bíblia cita algumas coroas que eu gostaria de destacar aqui:
     a. Coroa da alegria: “Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós?” (1 Ts 2.19),
     b. Coroa da justiça: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” (2 Tm 4.8).
     c. Coroa da vida: “Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1.12) e “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.10).
     d. Coroa de glória: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” (1 Pe 5.4).
      Creia haverá ampla recompensa da parte de Cristo para aqueles que servirem com fidelidade e amor. Paixão pela obra!


Discipulado


“O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade. Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estrangeiros.” (3 João 1-5). Esta carta de João a Gaio, demonstra algumas realidades acerca do discipulado. Gostaria de destacar algumas destas realidades:
1. Testemunho: Uma destas realidades é o nosso testemunho. João fala 3 vezes esta palavra (vs. 3, 6 e 12). O seu significado são é somente o que dizemos, mas também o que fazemos. Cada um de nós é responsável por nossas ações, sejam elas boas ou más. Não há neutralidade quando se trata da vida cristã.  João ao escrever esta carta especificamente ao seu discípulo Gaio, trata ele com muito afeto e se alegra ao receber boas noticias acerca de seu testemunho (versículo 4). Gaio era um homem que andava na verdade. Ele não só acreditava na verdade, mas andava na verdade, não havia um conflito entre aquilo que ele falava para aquilo que ele fazia. As pessoas podiam ver Cristo em sua vida.
     2. Afeto compartilhado: João não chama apenas Gaio de amado por três vezes (vs. 1, 2 e 5), mas reforça seu conceito, afirmando: “a quem amo na verdade!” O amor cristão não é apenas para ser vivido, mas também para ser declarado e demonstrado. Gaio era uma pessoa especial. Era daquele tipo de pessoas que atrai a atenção dos outros por sua bondade, amor e testemunho. O afeto de João por seu discípulo era demonstrado no vs. 2. Gaio era um homem de vida espiritual saudável, e aqui João nos ensina que a verdadeira prosperidade não esta nem na riqueza e nem na saúde, mas numa vida espiritual comprometida com o Senhor e Seus ensinos. É lindo ver aqui João intercedendo a Deus pela prosperidade de Gaio em todos os sentidos (físico, material e espiritual). Como discipuladores precisamos ter interesse pela saúde espiritual da alma e a saúde física do corpo de nossos discípulos.
     3. Alegria: As pessoas que iam visitar João davam um bom testemunho de Gaio, comentando como Gaio era fiel a Deus em todos os seus atos e ações. Isto trouxe grande alegria a João (vs. 4). A maior alegria de João não era financeira, mas espiritual. Sua recompensa não era monetária, mas ver seus filhos espirituais andando na verdade. João entendeu quando o Senhor Jesus ensinou sobre esta alegria (João 15.11 diz: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa.”). João considerava como maior de toda alegria que pudesse experimentar era saber que seus discípulos iam bem espiritualmente. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O crescimento natural da igreja


“...acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (At 2.47).
A igreja é um organismo vivo e sendo assim seu crescimento acontece de forma natural. Porém, há um perigo na busca do crescimento, pois podemos pecar na idolatria dos números e errar ao ter medo dos números. Por isso, é importante buscarmos um crescimento saudável do corpo de Cristo. Um crescimento que traz glória ao nome de Deus, edificação para a igreja e conversão dos perdidos. 
Gostaria de destacar alguns aspectos acerca deste crescimento saudável do corpo de Cristo: 
1. Esse crescimento é espiritual
No livro de Atos no capítulo 2 versos 42 ao 47, podemos entender esta dinâmica acerca do crescimento espiritual. O crescimento espiritual deve acontecer antes do crescimento numérico, pois ele deve ser fruto de uma igreja que vive a presença do Espírito Santo. Há um perigo de haver muita adesão e pouca conversão. Muito ajuntamento e pouco quebrantamento. Muita religiosidade e pouca espiritualidade verdadeira. 
Precisamos urgentemente da graça e manifestação do Espírito Santo para nos levar a amar a Deus sobre todas as coisas.  Sermos um povo comprometido com a palavra de Deus e Seus ensinos. Uma igreja que ora com fervor e evangeliza com alegria e responsabilidade com os perdidos. Não podemos buscar ao Senhor somente por Suas bênçãos (prosperidade e sucesso), mas precisamos buscar o conhecimento de Deus.
2.    Esse crescimento é fraternal
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2.42). A igreja precisa crescer em comunhão, pois somos uma família e membros de um só corpo (Ef 4.1-6). Precisamos estar ligados uns aos outros pelo vinculo do amor. Não existe discípulo isolado do corpo. Não podemos viver isolados uns dos outros, por isso precisamos viver em comunhão, sendo uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus! Precisamos estar envolvidos uns com os outros, exercer o dom que Deus tem capacitado a cada um para edificação do corpo de Cristo (Ef 4.7-16).
Somos um exército e não soldados isolados. Somos uma família e não membros solitários. Somos um rebanho e não ovelhas desgarradas. 
Necessitamos amar uns aos outros, servir uns aos outros, encorajar uns aos outros, pois somos conhecidos como discípulos de Cristo. O amor de Jesus precisa ser demonstrado em nossas vidas, pois o amor é a maior evidência de que somos, de fato, discípulos de Cristo (Jo 13.34-35).  
O amor fraterno transforma vidas, se torna uma porta aberta para o evangelismo. Quando as pessoas vêem na igreja a realidade do amor de Deus, elas vão se sentir atraídas a conhecer deste amor. Quando olhamos para cima e vemos a graça soberana do pai, olhamos com temor para dentro de nós e permitimos que o Senhor transforme nossas vidas para sermos testemunho as nações.
3. Esse crescimento é numérico
Não podemos medir a saúde espiritual de uma igreja apenas pelo numero de membros, mas pela sua fraqueza evangelística e falta de crescimento. Não existe fidelidade estéril. Uma igreja saudável cresce natural e numericamente, pois sabemos que é o Senhor que acrescenta os que vão sendo salvos (At 2.47).
Deus abre os corações e dá o arrependimento para a vida e a fé em Cristo. Porém, a igreja que semeia com lágrimas volta com jubilo trazendo os seus feixes. A igreja que prega a palavra do reino de Deus com fidelidade e vive em santidade receberá do Senhor a recompensa. Não podemos colher aquilo que não semeamos. Não podemos ver pessoas salvas se não evangelizamos. Não podemos nos alegrar com os frutos do nosso trabalho se não nos dedicarmos na obra. Todo aquele que foi alcançado pelo evangelho tem um compromisso com ele: “Ser um arauto das boas novas”, pois fomos chamados do mundo e enviados de volta a ele como embaixadores de Cristo e ministros da reconciliação!  
Concluindo, não podemos ficar indiferentes diante da mensagem do evangelho. Chegou a hora de nos levantarmos no poder do Espírito Santo para sermos um vaso nas mãos de Deus para cooperarmos com o crescimento numérico da igreja. Pois a igreja precisa crescer de forma: Espiritual, fraternal e numericamente.
No amor de Cristo
Chico.