"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



segunda-feira, 24 de março de 2014

Ética cristã e moralidade!


A sociedade atual está abandonando o conceito de moralidade, substituindo-a por um conceito ideologizado de justiça social. Talvez isto ocorra pela dificuldade de diferenciar a ética de moral. A ética entre outras coisas investiga a natureza do comportamento social. A moral é este comportamento traduzido em costumes, normas e consenso dentro do processo de socialização. A convivência social, portanto prescinde da moral. Já dizia Espinosa que o ser humano é mais livre na companhia de outros do que na solidão. Mas certamente, esta natureza social exige que a moral esteja presente na relação. Uma relação desnormatizada, onde o bem comum não é viabilizado promove a barbárie. Muito se tem criticado em nossos dias a moralidade sempre atribuída à um conservadorismo retrógrado face às mudanças culturais prevalecentes. Em certo sentido isto pode ser compreendido porque a racionalidade obscureceu em muito as verdades do cristianismo. Mas vamos sem pretensão de originalidade repor as coisas: 1) Deus revelou na Lei sua vontade moral para com os homens; 2) O ser humano não é capaz de agir moralmente de acordo com essa vontade revelada sem auxílio da graça divina. Disto temos duas grandes diretrizes que influenciaram em muito a civilização ocidental: a) O dever ser; e, b) a Intencionalidade. A primeira se refere à atitudes observáveis. A segunda a necessidade de interioridade. Deus revelou sua vontade não só de forma escrita, mas também no coração do homem (Jeremias 31.31-33). Portanto, a moral cristã não é vivida à partir da exterioridade, mas à partir daquilo que é impresso pelo Espírito Santo no coração do homem.
Ademir Ifanger.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ser apanhado de surpresa!


Hoje pela manhã estava meditando sobre minha vida e como existem situações que as vezes me surpreende. Em meu dia a dia procuro estar sempre sensível ao Espírito Santo, pois tenho experimentado seu mover de forma tremenda em minha vida. Eu sei que ao ler o tema desta mensagem você pode me dizer: “por que esta frase Chico?” Por mais que organizemos a vida, por mais que consideremos todas as possibilidades, por mais cuidada e minuciosa que seja a nossa agenda, sempre há surpresas pela frente. Algumas aparecem logo, outras demoram anos a fio. Há surpresas agradáveis e surpresas terríveis. A expressão “ser apanhado de surpresa” refere-se mais à surpresa negativa do que à positiva. Não há nada pior do que ser apanhado de surpresa pela morte de um ente querido. Não há nada melhor do que ser apanhado de surpresa pela notícia de que um filho querido, não morreu diante de um grave acidente. E tantas outras situações que acontecem em nossa caminhada neste mundo tenebroso. Porém, a Bíblia narra fatos de homens e mulheres que viveram situações que não são diferentes da nossa realidade, podemos ver isso em algumas passagens que nos mostra como estes cristãos reagiram diante de surpresas inesperadas. Se houve um homem que nadou a vida inteira no mar das surpresas, o nome desse filho de Deus é Jacó. Foi uma surpresa enorme sonhar com aquela escada que ia da terra ao céu e pela qual os anjos de Deus subiam e desciam, exatamente quando ele estava confuso, tenso e sozinho, saindo de casa pela primeira vez, rumo a um país desconhecido, depois de haver enganado o pai e o irmão. Ao acordar, Jacó exclamou: “De fato, o senhor Deus está neste lugar e eu não sabia disso” (Gn 28.16). Que surpresa agradável foi o encontro “acidental” de Jacó com Raquel junto ao poço de onde ela e outros pastores de ovelhas davam de beber aos seus animais. Além de ser uma moça bonita (Gn 29.17), ela era uma das moças indicadas por sua mãe para se casar com ele (Gn 28.2). Que surpresa desagradável foi quando Jacó, aproveitando-se dos primeiros raios de sol que iluminavam o quarto nupcial, levantou o lençol de linho para ver o rosto da amada e descobriu que ela não era Raquel, mas Leia! (Gn 29.25). A última grande surpresa de Jacó e a maior de todas, aconteceu quando ele abraçou e beijou os netos nascidos no Egito e disse a José: “Eu pensei que nunca mais ia ver você, e agora Deus me deixou ver até os seus filhos!” (Gn 48.11). A pretensão de Jacó durante mais de vinte anos era abraçar o filho desaparecido e dado como morto, não aqui, mas no “mundo dos mortos” (Gn 37.35).
As surpresas não acontecem apenas nesse curto período de vida compreendido entre a concepção e a morte. Certamente, as maiores surpresas são posteriores à quebra da “corrente de prata”, quando o corpo volta ao pó da terra e o espírito torna a Deus (Ec 12.6-7). Os crentes devem conhecer de cor a passagem das Escrituras que Paulo cita na Epístola aos Coríntios (1Co 2.9):
“Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou
o que Deus preparou para aqueles que o amam”. O mesmo Paulo reforça a questão da surpresa quando explica: “Penso que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a alegria que será revelada em nós” (Rm 8.18). Ninguém tem capacidade de listar as surpresas agora não reveladas
para o mundo e o tempo do futuro. Ao mesmo tempo, ninguém deve se equivocar achando e pregando que as surpresas de então serão exclusivamente surpresas agradáveis. As mais desconcertantes surpresas ainda não aconteceram, pois estão reservadas para a eternidade. Uma delas é lembrada por Jesus no Sermão do Monte: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus” (Mt 7.21). Por isso, meus amados irmãos, precisamos vigiar para não sermos apanhados de surpresa!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A nossa identidade em Cristo!


No texto de Colossenses 3.1-4, Paulo mostra que há uma estreita conexão entre aquilo em que nós cremos e aquilo que nós praticamos. Não pode existir um abismo entre a fé e a prática, entre o discurso e a vida.
Nossa vida passa a ser um testemunho verdadeiro quando demonstramos em nossos atos e ações que as coisas do céu são mais importantes para nós do que as da terra (vs. 1-4). E essa vida cristã pode ser percebida pela nossa identificação com Cristo e pela nossa aspiração por Cristo. Sendo assim, gostaria de conversamos um pouco sobre a identidade de Cristo em nós, como podemos ver neste texto de Colossenses. Há alguns pontos que gostaria de destacar sobre a nossa identificação com Cristo:
1. Nós morremos com Cristo
“...porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (vs.3a).
Cristo não apenas morreu por nós (substituição), mas nós também morremos com Ele (identificação).  Estávamos mais pertos de Cristo do que os dois malfeitores que foram crucificados com Ele. Na cruz Cristo não apenas pagou a nossa dívida com Sua morte, mas também quebrou o poder do pecado em nossa vida. Paulo faz uma pergunta em Romanos 6.2: Nós que morremos para o pecado, como seria possível desejar viver sob seu jugo? Paulo nos lembrar aqui que a morte inevitavelmente desliga o morto dos interesses deste mundo. Da mesma forma, na nossa morte com Cristo deve haver uma mudança em nossa forma de viver, de pensar, de agir e de falar. Nossas ambições precisam ser colocadas nos pés da cruz!
2. Nós vivemos em Cristo
“Quando Cristo, que é a nossa vida...” (vs. 4).
Paulo faz uma afirmação aqui: Cristo é a nossa vida! Aos Filipenses Paulo disse: Porque para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro! (Fp 1.21). Aos gálatas, Paulo afirmou: Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. (Gl 2.20). O apóstolo João disse que a essência da vida eterna é conhecer a Cristo (Jo 17.3). As vezes dizemos de alguém: "a música é sua vida. O esporte é sua vida, ou de alguém ouvimos dizer que fulano vive para trabalhar." Essas pessoas encontram a vida e tudo o que ela significa na música, nos esportes e no trabalho. Para o cristão, porém, não pode ser assim, pois Cristo é a vida. Jesus Cristo domina seus pensamentos e preenche sua alma.
3. Nós ressuscitamos com Cristo
"Portanto, visto que fostes ressuscitados com Cristo, buscai o conhecimento do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus." (Cl 3.1).
A expressão grega: ei oun sunhrgerqhte / ei oun synēgerthēte, fala de uma ação completada. Ela pode ser traduzida assim: "tendo em vista que vocês ressuscitaram." os cristãos possuem dentro de si mesmos a vida da ressurreição.  portanto, devem experimentar o poder da ressurreição de Cristo  em grau cada vez mais alto. Paulo escreve: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo..." (Cl 3.1). A palavra “se” deste primeiro versículo não é uma expressão de dúvida. Todos os que recebem a Cristo estão identificados com Ele  na Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão. O sentido mais correto desta palavra aqui seria: “Uma vez que”. Amados deixa eu dizer algo para vocês, nossa posição em Cristo não é algo que precisamos lutar para alcançar, pois já está consumado! Deixa eu te perguntar algo: é possível estar vivo a ainda estar na sepultura? Quando entregamos nossa vida ao governo de Cristo, Ele nos tira da sepultura e nos transporta para lugares celestiais, onde está assentado à destra de Deus.
4. Nós estamos escondidos com Cristo
“...porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (Cl 3.3).  
Nós não mais pertencemos ao mundo, mas a Cristo. As fontes da vida nas quais nos alegramos vêm somente d’Ele. Não há razão alguma para procurarmos outras fontes e nem meios para o suprimento da vida cristã, pois em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3). Paulo está ensinando aos Colossenses sobre os falsos mestres e o perigo de seus ensinos, pois eles achavam que seus livros guardavam e escondiam a sabedoria. Esses livros eram chamados livros apokrifoi (livros escondidos) e para os gnósticos eram tesouros da sabedoria. Por isso, Paulo intervém e diz que para os gnósticos os tesouros da sabedoria estão escondidos em seus livros secretos, mas para nós, porém, Cristo é o tesouro da sabedoria e nós estamos escondidos n’Ele! Estar escondido com Cristo significa que n’Ele nós temos segurança e satisfação.  Amados, o nosso estilo de vida não é mais terreno, o mundo não determina mais conceitos em nossa vida. Nascemos do alto, buscamos as coisas do alto, estamos assentados com Cristo nas regiões celestes. Nossa pátria está no céu, por isso, buscamos as coisas do céu. E deixa eu te dizer algo, isso não significa viver sem responsabilidades na terra, mas significa que as nossas motivações e a nossa força vêm do céu e não da terra!  
5. Nós estamos glorificados com Cristo
“...vós também sereis manifestados com Ele, em glória.” (vs. 4).
Cristo agora está assentado à direita de Deus Pai no céu, mas um dia Ele virá em glória para nos levar para o lar (1 Ts 4.13-18). Quando Ele se manifestar, nós, que estamos escondidos com Ele, também seremos manifestados em glória (1 Jo 3.2).
Havia um pensamento judaico acerca do tempo passado profético que dizia que essa glória simplesmente ainda não foi revelada, ela ainda está por vir. Para nós porém, Cristo é a expressão da gloria do Pai.
· A santificação é a conformidade progressiva à imagem de Cristo aqui e agora.
· A gloria é a conformidade perfeita à imagem de Cristo em sua volta.
Portanto santificação é a glória começada e glória é a santificação completada.   
Concluindo, o fim do nosso caminho não é a sepultura, mas a triunfal ressurreição. A nossa jornada não terminará com o corpo surrado pelas enfermidades e dor, enrugado pelo peso dos anos, mas receberemos um corpo de glória, semelhante ao de Cristo (“o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” Fp 3.21).
Nosso choro cessará, nossas lágrimas serão estancadas. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor (E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. Ap 21.4).  

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A vida eterna!



Existem diversas maneiras de enxergar a vida. Ao olhar para um copo com água até a sua metade podemos dizer que ele está meio vazio ou que está meio cheio. A primeira opinião dizemos ser de uma pessoa pessimista e, a segunda, de uma pessoa otimista. Não devemos ter nenhuma das duas opiniões, pois ambas refletem visões humanas. Poderíamos também afirmar que este copo contém 90 ml de água. Para isso eu preciso ter uma medida de referência, quanto de água cabe no copo. A isso chamamos de opinião realista. A vida é assim: nós a enxergamos conforme a aparência. O Senhor já disse isso a Samuel: "O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração." (1 Samuel 16.7a).
O fato é nós vemos os fatos segundo aquilo que está diante dos nossos olhos. Por exemplo, podemos chegar a uma reunião da Congregação, olhar as pessoas e pensar: "De novo estou aqui, de novo terei reunião com essas pessoas. De algumas eu gosto, de outras eu não gosto muito. Vou me sentar perto daquelas de que gosto e me afastar daquelas que não tenho muita atração". Essa é uma maneira de ver as pessoas. Entretanto, a Palavra de Deus diz que devemos ver as pessoas não segundo a carne, mas segundo Cristo (2 Coríntios 5.16). O fato é que a nossa vida é determinada pela visão que temos das coisas e das pessoas. Podemos vê-las segundo as aparências ou segundo o que Deus mostra e o nome que damos a isso é "Visão Profética" (ver com os olhos de Deus). Visão Profética não é ter uma clareza de como as coisas vão acontecer nos últimos dias (isso se chama Escatologia), mas é enxergar as coisas de onde Deus está vendo e como Deus está vendo. Isso é possível porque Ele nos colocou assentados em um lugar alto e, desse lugar, é que devemos enxergar (Efésios 2.6). Um exemplo: Quando converso com pastores falando acerca da unidade da igreja sempre lhes digo que "quem viaja de avião não vê cercas". Estas somente são vistas por quem está lá embaixo. Quem está no avião vê um só rebanho. Ou seja, a visão que temos pode influenciar e/ou interferir no nosso dia a dia. Outro exemplo: Podemos chegar na reunião e dizer: "Mais um culto... Eu vou para 'cumprir tabela', pois meus discipuladores são chatos e não gosto de ficar prestando contas." Então "batemos o ponto", o que eu chamo de "culto de corpo presente". Jesus falou de pessoas que O louvam com os lábios, mas cujo coração está longe d’Ele (Mateus 15.8). Ainda em relação ao copo com água, sabemos sua real capacidade porque temos uma medida que nos foi dada como referência. Da mesma forma, para vermos as coisas de Deus precisamos de uma referência externa a nós, ver segundo o próprio Deus vê.
O problema é que podemos enxergar as situações influenciados por várias coisas. Primeiro, pela nossa cultura. Por exemplo, em Moçambique muitos homens são casados com várias mulheres - é a cultura deles – e isso não lhes fere a consciência. Assim, a cultura interfere na visão, no comportamento, na maneira de ser. Segundo, o nosso momento. Podemos estar passando por uma situação muito complicada e enxergar as coisas de forma negativa – "ninguém me ama; ninguém me quer; ninguém busca a Deus; é provável que não dê certo". Ou então, se o momento estiver bom, veremos tudo de forma positiva. Depende do ânimo que tivermos do momento. Terceiro, podemos ver as coisas segundo a nossa história. Essa é muito mais séria do que podemos perceber. Assim, a visão que temos das coisas e das pessoas é que determina a nossa vida diária, as nossas buscas, paixões, anseios e relacionamentos. Desta forma, precisamos cuidar da nossa visão. Foi isso que aconteceu, por exemplo, no Jardim do Éden:
"E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e desejável para dar entendimento" (Gênesis 3.6).
O que é, então, a vida eterna?
João 6.44: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia."
João 6.47: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna."
João 6.51: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo."
João 6.54: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia."
Vemos por esses textos que a vida eterna vem antes da ressurreição. Não considerando que um seja mais importante que o outro, eu achei cinco conceitos de vida eterna nas Escrituras:
1. Conhecimento de Deus.
João 17.1-3: "Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti; assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."
Nossa cultura, infelizmente, foi muito influenciada pela cultura grega que descreve conhecimento como "acúmulo de informações". Entretanto, o conhecer a Deus está relacionado à revelação que temos d’Ele baseados em uma vida de relacionamento e intimidade com Ele. Podemos ter muita informação acerca de Deus, mas só podemos conhecê-Lo por meio de uma relação profunda com Ele. Os escribas e fariseus conheciam as Escrituras como ninguém, mas rejeitaram e negaram o Senhor Jesus. Conhecer a Deus é uma questão de coração e não de cabeça.
Mateus 11.27: "...ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar." Oséias 6.3a: "Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor;" Será que conhecemos realmente a Deus? Que possamos entrar em 2014 com essa tremenda dúvida e busca em nossos corações, uma imensa sede de conhecer ao Senhor e não descansar naquilo que simplesmente sabemos ou aprendemos acerca d’Ele. Um amigo meu diz que "no dia que descrevermos a Deus, fujamos disso, pois acabamos de criar um ídolo." É impossível descrever a Deus. Em termos de brincadeira eu digo que só conseguiremos descrever Deus quando uma ameba, no microscópio, descrever seu pesquisador olhando de baixo para cima.
2. Lugar.
Mateus 25.41,46: "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; (...) E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna."
Vida eterna, nesses textos, está relacionada a um lugar aonde as pessoas irão após a morte. Deus não fez o fogo eterno para os homens, mas estes, virando as costas para Ele, irão para esse lugar indevido. Muitos textos nas Escrituras trazem esta ideia de vida eterna como um lugar, seja da presença ou da ausência de Deus.
3. Tempo.
1 Coríntios 2.7: "Mas falamos a sabedoria de Deus, outrora oculta em mistério, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória;"
2 Coríntios 4.7: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória muito mais excelente;"
Nossa cabeça é limitada para entender a questão de tempo e eternidade. Às vezes achamos que as lutas que estamos enfrentando são muito pesadas e nunca irão terminar. Mas a comparação que devemos fazer dessas lutas que a Palavra chama de "leves e momentâneas" é com o "peso eterno de glória" que nos está preparado por Deus.
4. Libertação do poder da morte.
João 11.25,26: "Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá."
Deus já nos deu a vida eterna. A implicação disso é que todos morreremos, mas temos dentro de nós um poder explosivo incalculável que irá destruir a morte e nos levantar da sepultura, porque a vida é maior que a morte. Paulo vivia o tempo todo pelo poder da ressurreição, ele experimentava a ressurreição.
1 Coríntios 15.51-55: "Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?"
Eclesiastes 3.11: "Tudo que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou a eternidade no coração do homem; mesmo assim, ele jamais chega a compreender inteiramente o que Deus fez."
Às vezes vemos pessoas ligadas à medicina lutando para salvar seus pacientes das doenças e da morte. Alguns cientistas, inclusive, criaram a "criogenia" que é um método de congelar o corpo de uma pessoa que morre com nitrogênio a muito baixa temperatura, até que seja descoberta a cura da doença que motivou sua morte e seu corpo pudesse, então, ser descongelado e voltar à vida. Isso é resultado do que diz o texto: Deus colocou a eternidade no coração dos homens, os fez para viver eternamente. Podemos, sim, orar para que Deus dê sabedoria aos cientistas para descobrirem a cura do câncer e de outras doenças, pois todo tesouro da ciência e da sabedoria estão em Deus e não é justo que as pessoas adoeçam. Entretanto, Jesus já trouxe a solução para a morte e para a eternidade. A morte foi vencida em Cristo e, ainda que sejamos sepultados, será apenas uma questão de tempo. A vida de Cristo nos levantará da sepultura, seremos transformados, receberemos um corpo incorruptível e estaremos para sempre na presença do Senhor.
5. Estilo de vida.
1 Crônicas 12.32: "Do povo de Issacar, duzentos de seus chefes, conhecedores dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer, e todos os seus parentes sob suas ordens."
Eternidade como estilo de vida é vivermos cada momento da vida de forma eterna. É perceber a eternidade em tudo o que fazemos, é entender que tudo o que fazemos pode influenciar para a eternidade, é deixar de olhar para as coisas naturais como se fossem eternas. Nossa cultura ensina que algo concreto é aquilo que podemos ver, tocar, sentir. Entretanto, a Palavra diz que:
"...não fixamos o olhar nas coisas visíveis, mas naquelas que não se veem; pois as visíveis são temporárias, ao passo que as que não se veem são eternas" (2 Co 4.18). Assim, as coisas eternas é que são verdadeiramente concretas. Por causa dessa cultura equivocada passamos a vida toda correndo atrás de coisas que podemos tocar, coisas que têm valor em si mesmas, mas não têm valor eterno. Mas Cristo decretou a eternidade para nós e não para as coisas. Todas as coisas materiais estão envelhecendo e apodrecendo. Então, as coisas pelas quais lutamos não devem ser as visíveis, deste mundo, mas as espirituais, eternas.
1 Pedro 1.3,4: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos regenerou para uma viva esperança, segundo a sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que não perece, não se contamina nem se altera, reservada nos céus para vós..."
Vida eterna é trabalhar não pelo pão que perece, mas pelo pão que nos traz vida (João 6.33). É ter uma visão das coisas como Deus vê. Se pudéssemos enxergar a nossa vida pela ótica de Deus, filmada por Ele, veríamos como ela passa rapidamente. 1 Pedro 1.24: "Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;"
Se a vida é assim, será que deveríamos empregar quase todo o nosso tempo, esforço e trabalho nesse tão curto tempo que viveremos aqui? Não estou dizendo que devemos nos isolar de tudo e de todos, não fazer mais nada e apenas ficar esperando a volta de Jesus. Estou dizendo como Paulo ensinou:
1 Coríntios 7.29-31: " Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem; mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa."
Ou seja, viver não dependendo ou não colocando o coração nessas coisas, mas usando-as para a glória do Senhor.
Salmos 121.1,2: "Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra". Às vezes olhamos para o carro, a casa, o diploma, o dinheiro como se eles fossem os montes. Mas nosso socorro não vem dessas coisas, vem do Senhor. Não podemos esperar nessas coisas, pois elas estão apodrecendo. Trabalhemos, sim, mas para a eternidade.
Lucas 16.1-12: "Disse Jesus também aos discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como quem estava a defraudar os seus bens. Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela. Disse o administrador consigo mesmo: Que farei, pois o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha. Eu sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas. Tendo chamado cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu patrão? Respondeu ele: Cem cados de azeite. Então, disse: Toma a tua conta, assenta-te depressa e escreve cinquenta. Depois, perguntou a outro: Tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta. E elogiou o senhor o administrador infiel porque se houvera atiladamente, porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz. E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?"
O que esse homem queria é que as pessoas pagassem ao seu senhor apenas metade do que deviam e que a outra metade ficasse com ele. A Bíblia diz que aquele senhor louvou esse homem porque ele foi previdente. Jesus quer nos ensinar que todo patrimônio, toda riqueza que cai em nossas mãos deve ser usada para levar pessoas para o reino dos céus. Um dia as riquezas irão acabar, mas os amigos irão nos receber nos tabernáculos eternos. Todas as riquezas que existem, todo o dinheiro que circula na terra está contaminado, são de origem iníqua. Assim, todo o dinheiro que chegar em nossas mãos devemos consagrar ao Senhor para que se torne santo, puro, usando-o com uma visão eterna das coisas. Um ser eterno trabalha eternamente, tem aspirações, coração e alvos eternos porque esta é a sua natureza. Não somos carnais, não somos deste mundo, não nascemos para viver para sempre plantados na terra. Somos, sim, seres espirituais. Nosso Deus é eterno, nossa vida é eterna; então, nosso coração e visão também devem ser eternos.
Lucas 2.25-32: "Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel."
A primeira característica que vemos em Simeão é que ele esperava a consolação de Israel e sua vida era vivida para isso. Nosso estilo de vida demonstra que esperamos a volta de Jesus? No livro de Êxodo lemos que os hebreus celebraram a Páscoa vestidos e em pé pois estavam de saída. A Páscoa fala dessa brevidade de tempo que temos na terra e, então, vivemos cingidos, vestidos, prontos para sair. Outra característica de Simeão é que o Espírito Santo estava sobre ele. Posso afirmar ousadamente que todos os que aguardam a consolação do Senhor têm sobre si o Espírito Santo pois é Ele quem provoca essa expectativa nas pessoas.
Houve um maravilhoso sincronismo divino naquela situação. Simeão esperava o Salvador por muitos anos e exatamente naquele dia e hora o Espírito Santo o mandou ir para o Templo, pois José, Maria e Jesus lá estavam chegando. Ele tinha a eternidade em seu coração, entendeu o momento de Deus e foi para o Templo, encontrando-se com Aquele que esperava por toda a sua vida. "Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação." Essa foi a plenitude dos tempos se cumprindo na vida de Simeão. Quem está esperando encontra a plenitude, o kairós de Deus, os momentos que Deus produz.
Lucas 2.36-38: "Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém."
Ana, da mesma forma, chegou ao Templo exatamente na mesma hora que a família de Jesus chegou. Aquela era a sua hora, o seu momento, o seu kairós - a eternidade toda estava se manifestando naquele exato momento da sua vida. Esse conceito de eternidade muda a nossa história, muda o nosso estilo de vida, muda a visão que temos das coisas e nos faz olhar para o alto, esperando sempre no Senhor, usando todas as coisas para o Senhor, relacionando com as pessoas para glorificar o Senhor. Tudo nesse mundo só existe para um propósito: que o Senhor seja glorificado e que pessoas conheçam a Ele.
Que 2014 seja um tempo eterno em nossas vidas, um ano diferente dos que temos vivido até aqui. Não mais correndo atrás de coisas que passam, não mais colocando o coração nas coisas terrenas, tendo como se não tivéssemos, usando tudo para a glória do Senhor. Que Deus encha os nossos corações dessa profunda expectativa da vinda do Senhor Jesus Cristo!
Jamê Nobre