"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



sábado, 30 de outubro de 2010

As aceitações de um discípulo!

“...se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).



Negar-se a si mesmo não significa eliminar a vontade. Isto fica claro na expressão “se alguém quer.” Todavia, significa colocá-la a serviço de Deus e do próximo. Decorre disso aceitar certas formas de direção e disciplina que o velho homem (natureza carnal) rejeita, como segue: Aceitar repreensões fortes (como Jesus repreendeu a Pedro), aceitar instruções (os discípulos aceitam as instruções de Jesus quanto à estratégia de evangelização), aceitar lições práticas de humildade (Jesus apresenta uma criança como modelo de humildade, apresenta a vida de serviço como padrão d’Ele mesmo), aceitar que opiniões pessoais sejam contrariadas (os discípulos repreenderam as crianças que queriam se aproximar de Jesus, e foram contrariados pelo Senhor), aceitar a censura de seus atos (os discípulos foram censurados por Jesus porque queriam impor que certos homens não expulsassem demônios, pois estes não seguiam com eles), aceitar o questionamento das motivações (Jesus questionou a motivação de seus discípulos quando estes queriam destruir os samaritanos).

Estas aceitações, dentre outras, são para muitos a grande dificuldade para aceitarem o discipulado bíblico, porque atingem em cheio o espírito independente do homem natural. Entretanto, são nestas situações que se reconhece o verdadeiro discípulo, aquele que aceita não somente o que Jesus fez (Sua obra redentora), mas também quem Ele é (Senhor) e Suas palavras (Instruções e mandamentos).

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Piedade

“...exercita-te pessoalmente na piedade” (1ª Tm 4:7).

No texto acima piedade não reflete apenas um estado espiritual, senão também uma prática (exercício). Pode ser resumidamente definida como devoção à Deus e à sua causa. Surge então a questão: Como exercitar genuína piedade? Dois textos bíblicos trazem luz sobre o assunto: Mq 6:8 e Is 58:1-14. Miquéias descreve algumas características essenciais da vida piedosa que vemos detalhadas no texto de Isaías: Praticar a justiça, amar a misericórdia, andar humildemente com Deus e os resultados da vida piedosa.
1. Praticar a Justiça
O contexto de Miquéias apresenta um quadro de injustiça social apoiada pela religião com seus falsos profetas. A este tipo de devoção falsa (Cf. Mq 6:6-7), é que Deus contrapõe a verdadeira piedade (Cf. Mq 6:8). Isaias 58:1-5 começa também por este princípio ao estabelecer o que não é justiça. Os versículos 6 e 7 detalham a prática da justiça:
• Soltes as ligaduras da impiedade,
• Desfaças as ataduras da servidão,
• Deixes livres os oprimidos,
• Despedaces todo jugo,
• Repartas o teu pão com o faminto,
• Recolhas em casa os pobres desabrigados,
• Cubras o nu e,
• Não te escondas do teu semelhante (Is 58:6-7).
2. Amar a misericórdia
A expressão quer dizer “ter apego à misericórdia.” Isto vem pelo exercício como Paulo exorta a Timóteo. Jesus ao comer com os publicanos rechaça a religiosidade legalista dos escribas e fariseus quando diz: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos...” (Mt 9:13).
A misericórdia se expressa em compaixão por aqueles que sofrem (isto envolve o mundo). Jesus não veio chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento. Enquanto que a graça trata com os resultados do pecado. A misericórdia concede dignidade aos que a perderam por causa da queda. Por isso Jesus comeu com os publicanos e pecadores (Mt 9:10).
Equidade é traço característico da misericórdia que expressa a justiça do reino, não a nossa. Significa tratar cada pessoa de acordo com sua condição e capacidade além do estritamente legal.
3. Andar humildemente com Deus
Significa basicamente duas coisas:
a. Reconhecer nossa fragilidade e incompetência e,
b. Reconhecer a suficiência de Deus para nos fortalecer e nos capacitar.
Podem ser resumidas numa frase: “Inteira dependência de Deus.”
4. Resultados da vida piedosa (Is 58:8-14)
Vida espiritual abundante: Is 58:8, 11
Vs. 8: “Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda;”
Vs. 11: “O SENHOR te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam.”
Socorro do Senhor: Is 58:9
Vs. 9: “então, clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso;”
Filhos abençoados: Is 58:12
Vs. 2: “Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável.”
Descanso e deleite no Senhor: Is 58:13 e 14
Vs. 13 e 14: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse.”
Conclusão
Assim como nos tempos do Antigo Testamento, Deus abominava a falsa devoção através de sacrifícios que Ele mesmo ordenara, hoje, na nova aliança, Deus não mudou no seu interesse e cuidado com o mundo. Afinal, Jo 3:16, diz que Deus amou o mundo. Por isso enviou Seu filho. Da mesma forma o Filho nos envia e para tanto nos concede o Espírito Santo (Jo 20.21-22).

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Compaixão de Deus e a Responsabilidade Social da Igreja.


"Vós sempre tendes convosco os pobres e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem" (Mc 14.7).
É preciso entender que a decisão é racional e não emocional: “Quando quiserdes.” A Compaixão é do Senhor e a atitude é nossa. Da mesma forma que Deus amou o mundo, por isso enviou Jesus, assim também o Senhor se compadece do pobre, do necessitado e nos envia a demonstrar essa compaixão. A idéia que Jesus nos dá, quando fala, “quando quiserdes” é que nós tomamos a decisão de amparar os pobres, ou não.
“Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.” (Gl 2.10). Nesse versículo Paulo recebe uma recomendação e toma a decisão de colocar isso como parte de seu ministério.

Essa foi a introdução da palavra de Jamê Nobre sobre o tema do encontro de pastores e lideres em Serra Negra - SP. Tivemos a presença de vários irmãos do Brasil e irmãos da Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Bélgica e Rússia. Foram dias de muita unção e manifestação da glória de Deus. Fomos incentivados a sermos criativos e praticantes naquilo que temos recebido da parte de Deus, e principalmente a servirmos aos necessitados. Precisamos adquirir a uma mentalidade comunitária, com coragem e empreendimentos que possam mudar a forma de vida das pessoas de forma total: ressurreição espiritual, renovação da mente, mudança comportamental e melhoria da vida. Nas próximas postagens vou colocando um pouco mais das palavras que foram compartilhadas.

domingo, 10 de outubro de 2010

Semeadores de paz



“Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.” (Tiago 3.18).


Quer ver um milagre? Experimente este: tome uma semente menor do que um grão de arroz. Ponha a semente debaixo de alguns centímetros de terra. Dê-lhe água, luz e um bom adubo. E prepare-se. Uma montanha será removida. Não importa se o chão é bilhões de vezes mais pesado do que a semente. A semente o rompera. É interessante aqui notarmos que Tiago, o autor da epistola, não era um agricultor. Mas ele sabia do poder de uma semente plantada em um solo fértil. “Pois a bondade é a colheita produzida pelas sementes que foram plantadas pelos que trabalham em favor da paz.” (versão NTLH).
O princípio da paz é o mesmo aplicado nas colheitas: Nunca se deve subestimar o poder de uma semente. Qual a sua habilidade em plantar sementes de paz? Você pode não ser chamado para remover conflitos internacionais, mas terá a oportunidade de fazer algo de vital importância: Trazer a paz interior a um coração perturbado. Jesus é nosso modelo para isso. Você não o vê resolvendo disputas ou negociando conflitos. Mas pode vê-lo cultivando a harmonia interior por meio de atos de amor:
· Lavando os pés de homens que sabia que o trairia;
· Comendo com um corrupto cobrador de impostos e,
· Honrando uma mulher pecadora de quem a sociedade escarnecia.
Ele construiu relacionamentos sarando feridas. Ele preveniu conflitos tocando no interior das pessoas, com uma palavra de amor. Ele cultivou a harmonia plantando sementes de paz em corações férteis. Pare por um momento e pense nas pessoas que constituem o seu relacionamento, pode ver os seus rostos? Seus familiares, seu melhor amigo, seus vizinhos, seus companheiros de trabalho ou escola, aquele parente querido que mora distante... Congele estas imagens por alguns minutos enquanto lhe digo o que algumas delas estão sentindo agora: Medo, solidão, angustia, insônia, depressão...
Quer ver o milagre? Plante uma semente de amor na vida de uma pessoa. Alimente-a com um sorriso, uma oração e veja o que acontece. Um empregado recebe um elogio, uma pessoa recebe um ramalhete de flores, prepara-se um bolo e leva-o a vizinha para tomar um café. Abraça-se uma viúva. Elogia-se um companheiro de serviço. Plantar sementes de paz é como plantar algo. Não se sabe como funciona, mas sabe-se apenas que funciona. Sementes são plantadas e a crosta ferida é removida. Não se esqueça do princípio. Nunca subestime o poder de uma semente!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um cântico de amor!


“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” (1ª João 4.16-18).
Desde Genesis podemos ver Deus demonstrando sua longa história de amor por nós e de seu desejo que amemos a Ele e uns aos outros. Logo em Êxodo 15.13 podemos ver Moisés e o povo cantando: “Com a tua beneficência guiaste o povo que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade.” Sem imaginar eles cantaram com alegria um relato resumido da historia bíblica. Desde a criação até a eternidade, Deus conduziria e resgataria seu povo, trazendo-o, enfim, para sua verdadeira habitação.
Deus sempre teve a intenção de demonstrar este amor para seu povo. Em Êxodo 34.6-7 o Senhor declara o seu amor a Moisés: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” Muitos que desfrutaram deste amor celestial se rebelaram contra Deus, vivendo para si mesmo e não mais servindo ao Senhor, e mesmo assim, Deus perdoaria de novo e de novo, jamais perdendo o Seu amor por aqueles que criou.
O povo hebreu muitas vezes no deserto se rebelou contra Moisés, apesar de ver com seus olhos tantos milagres. Mais tarde, Davi assassinou e cometeu adultério apesar da potente mão de Deus a lhe poupar a vida e torná-lo rei. Salomão, em toda sua sabedoria, acabou a vida se fartando em suas riquezas e mulheres, esquecendo-se de Deus. E assim vemos a história de Israel dividido e afastado do Senhor. Em Oséias Deus expressa sua dor e seu amor pelos filhos desobedientes. E infelizmente este padrão de desobediência se dá até a vinda de Cristo.
O filho de Deus veio a terra interromper o ciclo de pecado e castigo. Levando uma vida de amor e depois morrendo por amor, Jesus assim redimiu o povo que Deus amava tanto. Jesus ressuscitou para continuar sua vida em nós por intermédio do Espírito Santo. Assim sendo depois de muitas cartas de instrução e ensino ao povo, João nos conduz outra vez a este amor declarando seu cântico: “O perfeito amor lança fora todo medo...” (1ª Jo 4.18). Ele sabia que amor e medo são dois dos maiores motivadores do espírito humano. Orientaram muitas vidas no Antigo Testamento e são a raiz do relacionamento inconstante da humanidade com o Senhor. O medo, muitas vezes, provoca incerteza e rebelião, mas o amor de Deus tem o poder de vencer o medo.
Um escritor e estudioso (Henri Nouwen), declarou que todas as pessoas vivem ou na “casa do medo” ou na “casa do amor.” Ele explicou melhor: Quando João diz que o medo é expulso pelo perfeito amor, refere-se ao amor que vem de Deus, um amor celestial... O local de habitação, o local de intimidade, não é feito por mãos humanas. Ele é criado por Deus para nós habitarmos. O Senhor quer armar sua tenda entre nós, convidar-nos para entrar em sua casa. Podemos depositar nossa confiança no amor que Deus tem por nós. Ele deseja que vivamos nesse amor, fazendo habitação n’Ele e agindo com as pessoas baseados neste conforto de amor que temos aprendido com Ele. Para isso podemos contar com a Bíblia, o livro que nos ensina sobre a casa do medo e a casa do amor. A escolha é nossa. Cada vez que aperta o coração podemos abrir nossa Bíblia e ouvir a canção de amor que Deus tem para nós.