"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Avisos que não podemos ignorar!

Mateus 10.16 nos diz:  “...sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.”  Como os sinais de transito são importantes para o motorista, os avisos eternos das Sagradas Escrituras são tão claros e apropriados para nossos dias atuais. Precisamos examinar a cultura em que vivemos para podermos compreender a época em que vivemos e a sociedade ao qual temos anunciado a mensagem do reino. Isso não apenas nos ajudará a aumentar as bases de nossa fé, como também iluminará áreas sombrias de nossa mente e providenciará um caminho seguro através da mata fechada de uma sociedade que tem se perdido em seus valores e conduta. O NT inclui vários avisos muito claro para os cristãos, começando pelas palavras do Senhor Jesus: 
à João 15.18-21: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.  Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou.”
à João 16.1-3   “Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim.”
à 1 João 4.1-3 “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.”
O apostolo João estava nos alertando ao escrever a frase: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo.” (1 Jo 2.15). Pois ele compreendeu as circunstancias ao seu redor e teve revelação acerca dos problemas que os cristãos enfrentariam no futuro. Hoje vemos a sociedade caminha em passos largos para a destruição, fartando-se da cobiça da carne, da cobiça dos olhos e da ostentação de bens. Porque precisamos de uma advertência tão obvia?
Por que o mundo quer pensar por nós! O inimigo quer penetrar sorrateiramente em nossa mente e emoções, a fim de nos tornar distraídos e nos afastar das coisas que Deus tem para nós. Por isso precisamos de avisos, alertas para que possamos estar atentos e acordar para a realidade destes dias tão difíceis que vivemos (...prudentes como...). 
AVISO GERAL: TEMPOS DIFÍCEIS SE APROXIMAM
2 Timóteo 3.1: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis...” Ao lermos este texto vemos Paulo fazendo um apelo veemente para nós: Estejam atentos! Preste atenção!  Tenham isto sempre em mente... A uma tradução que está assim: “não sejam ingênuos, tempos difíceis vem por ai...” A única maneira de vencermos aqui é aprendermos a pensar de maneira madura e adequada. Precisamos considerar o que a palavra de Deus nos ensina e recusar viver a fantasia que o mundo bonitinho, tudo vai bem. Pedro nos alerta em 1 Pe 5.8: “Sejam alertas e vigiem...” a palavra tem nos chamado para despertamos. Precisamos enfrentar a realidade ao nosso redor: Vivemos dias perigosos e não podemos dar as costas ao diabo. Quando Paulo nos fez esta advertência ele não estava sentado em uma confortável cadeira de praia, olhando o horizonte, jogando palavras ao vento... Não! Ele está nos alertando que os dias seriam difíceis. Amados, Paulo esta pedindo para observarmos com atenção, pois estamos vivendo tempos extremamente violentos e perigosos. Creia nestas palavras! Guarde-as no coração, aplique-as com sinceridade. Se já era difícil nos tempos de Paulo imaginem agora. 
     AVISO ESPECÍFICO: AS PESSOAS SE TORNAM DIFÍCEIS
      2 Timóteo 3.2-5 “pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Paulo inicia neste versículo nos explicando porque os dias seriam difíceis, ou seja, porque as pessoas seriam difíceis. Paulo cita uma lista a respeito das coisas que tornam as pessoas difíceis. A palavra que Paulo usa para homens no original significa humanidade e não apenas o homem. Paulo não está se referindo apenas as pessoas do sexo masculino, mas ao ser humano em geral. Ou seja, homens e mulheres tem se tornado pessoas complicadas e cheios de complexos e traumas. Eis aqui a mensagem que como igreja (corpo de Cristo) precisamos compreender. Eis o mundo em que vivemos e eis as pessoas que precisamos ministrar a cultura do reino de Cristo! Como discípulos de Cristo, somos chamados para um padrão de vida diferente: “O padrão de Cristo.” Vivemos dias onde é necessários edificarmos valores cristãos em nossa vida diária: obediência, gratidão, santidade, amor e perdão. E esses valores nos ajudam a construir e sustentar relacionamentos bons e saudáveis. Precisamos estar atentos, pois estes dias selvagens em que vivemos são caracterizados pela ausência destes valores e parte da razão do colapso de nossos relacionamentos está no fato de não darmos a devida atenção para isso. Se as coisas estão difíceis, desistimos. Se temos a impressão que o relacionamento não vai dar certo, largarmos. Se as exigências se tornam grandes demais, renunciamos. Se a felicidade (ou sucesso) não vem imediatamente, viramos as costas. Amados, no reino de Deus não podemos agir assim. “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança...” (2 Timóteo 3.10).
     AVISO PESSOAL: FIQUE LONGE DO PERIGO
     2 Timóteo 3.5 “Foge também destes.” Perceba o perigo que esta ao seu redor! Não podemos ficar indiferentes com o que está acontecendo em nossa volta. As vezes sem perceber ficamos tolerantes com o pecado a nossa volta e acabamos nos acostumando com isso. É sempre mais fácil dizer-se tolerante e ficar em cima do muro do que tomar uma posição. A tolerância te faz ganhar amigos, aumenta a sua popularidade. A tolerância reduz os conflitos em seu ambiente de trabalho, de escola e no seu lar. Porem, a tolerância não causa nenhum impacto a favor do reino de Deus. Confesso que ao examinar esta lista de imoralidades que Paulo apresenta a Timóteo, repleta de pecados com os quais podemos convivem em nosso dia-a-dia, me leva a uma questão: “Estamos realmente preocupados com isso?” Amados, deixa eu te dizer algo: o Espírito Santo nos convence e nos estimula. Em outras palavras Ele sempre nos alerta: “fique longe do perigo!” não podemos viver influenciados por uma mentalidade mundana para ditar regras e condutas para nossa vida. Lembre-se nossa luta não é contra o perdido, mas contra o pecado em que ele vive!
     AVISO FINAL: CUIDADO COM O ENGANO
     Como disse no inicio, estamos vivendo dias difíceis. Vivemos em meio a uma sociedade politicamente correta, porem sem ética, sem temor e moralmente corrupta. Enfrentamos dificuldades, conflitos e tribulações com grande perversidade. E você pode em seu intimo se perguntar: Meu Deus porque tudo isso? Porque estamos em uma guerra, um combate invisível, um confronto espiritual. A igreja precisa acordar para isso. O mundo esta tentando levar-nos para longe de Deus. O inimigo quer que continuemos assim: indiferentes, insensíveis, sua estratégia é enganar os cristãos até o fim. “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Tm 3.14-17). 

domingo, 20 de outubro de 2013

O enigma da fé!

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem... Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.” (Hebreus 11. 1 e 3).
Por toda a escritura vemos a fé como expressão de confiança, dependência e relacionamento do homem com Deus. Isto a principio nos parece uma impossibilidade por se tratar de uma relação do finito com o infinito, do imanente com o transcendente. Por este ângulo a fé não se define dentro dos limites da razão, mas simplesmente acontece como um fenômeno, onde a ordem natural e sobrenatural interage. Entretanto a pergunta sobre qual é a natureza da fé no Novo Testamento, permaneceria irrespondível, sem a elucidação intelectual, racional e teórica que o texto de Hebreus 11.1 e 3 nos oferece. É a única definição do conceito de fé que encontramos nas escrituras:
1. “...fé é certeza das coisas que se esperam...” (vs1)
pivsti" ejlpizomevnwn uJpovstasi" pragmavtwn...
  uJpovstasi" /hupostasis = Substancia, consistência, certeza, firme profissão, fundamento, percepção segura, conscientização mental.
  ejlpizomevnwn /elpizomenōn = Esperar, confiança, depositar esperança em alguém, esperar por algo. Podemos traduzir então a fé como firme confiança ou fundamento de algo esperado. A ideia toda é que esta confiança se incorpora em nosso ser como uma realidade substancial não meramente intelectual.
 à O que então é as coisas que se esperam?
      A priori a fé não precisa de comprovação fenomênica. É o que podemos deduzir da afirmação de Paulo em Romanos 4.3: “Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.” O que dizer então da afirmação de Tiago em 2.17: “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.”
 à Como explicar esta aparente contradição?
      A resposta é simples: As obras procedem da fé, ou seja, a fé é o fundamento através da qual as obras se manifestam. A fé lança base sobre as esperanças escatológicas do reino de Deus, porque ela já antecipa essas realidades em Cristo, porque n’Ele a escatologia já se realizou plenamente. Martim Heidegger, filósofo existencialista alemão, propõe uma imanentização da esperança cristã, ou seja, ela só se realiza existencialmente numa parousia, isto é, presença constante, onde a angustia e o medo é superado por uma existência autentica. Em sentido escatológico o homem caminha sem medo para a morte. Na esperança cristã, todavia experimentamos esta parousia, isto é, presença do Cristo ressurreto e exaltado e pela fé esta esperança futura da vida do reino nos é antecipada. Isto é a certeza das coisas que se esperam. Eu creio que estas afirmações respondem a segunda afirmação de Paulo:
2. convicção de fatos que se não vêem...
      A palavra convicção no grego e[legco"/elegchos, tem o sentido de prova. A fé já nos concede prova no intimo da veracidade das coisas que cremos, embora não a estejamos vendo.
3. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.
     Essa afirmação já é uma explicação da natureza da fé conforme foi dito no primeiro versículo: “Coisas que se esperam” “fatos que não se vêem”
    Pela fé, entendemos A palavra entendemos no grego é noou'men/nooumen - Não é gnose: conhecimento, mas diz respeito a capacidade intelectiva de compreensão, entendimento, discernimento, através de uma razão iluminada pela revelação de fé. A revelação busca a intelecção para poder expressar, comunicar à revelação que é obtida pela fé. 2 (dois) aspectos a serem compreendidos aqui:
· Só a fé nos da compreensão que o universo foi formado pela palavra de Deus. A palavra é logo"/logos – Jesus é o logos, isto é, a palavra de Deus (Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. João 1.3).  Quem crê em Jesus, deve crer também na ordem da criação por Ele estabelecida.
· Por este texto podemos também compreender que não houve criação por evolução. A criação foi "Ex-nihilo", ou seja, do nada. Não há também a possibilidade da criação vir a existir de uma matéria pré-existente. 

 Por Ademir Ifanger

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Como é bom ter amigos!

E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos” (Lc 16.9).
A Igreja é caracterizada pelo relacionamento entre seus membros.Isso é reflexo do caráter de seu fundador, que é um caráter de relacionamento, de amizade. Desde o princípio Deus quis andar em amizade com o homem, mas o pecado cortou essa amizade, lançando a inimizade entre o homem e Deus e entre o homem e o seu semelhante. Quando Jesus Cristo morreu na cruz desfez as inimizades (Lc 16.9 e Ef 2.15). Quantos amigos fizemos neste ano? Quantos perdemos ou não cultivamos? A Igreja é um lugar de amizade. É o lugar onde Deus nos coloca para andar em amizades sólidas e leais. Essas amizades são ferramentas de Deus para nos aperfeiçoar (Pv 27.17).
É impossível ao cristão aperfeiçoar-se sem o concurso da Igreja, sem a ajuda de seus irmãos (Pv 27.5). É na Igreja que conhecemos a provisão de Deus, que recebemos a saúde do Corpo de Cristo, que conhecemos os Natãs que, com coragem e amor, apontam os nossos erros, nossos pecados e nos dão a chance de consertar e arrepender. Como nos ensinou nosso amigo Asaph: “Eu não sei o que seria da minha vida, sem irmãos e irmãs… sem a igreja de Cristo, presente ao meu redor …quando eu caminhava para o fim… estenderam a sua mão pra mim…”
A Igreja não é um espaço onde recebemos sem dar. Não é um lugar no qual somos supridos em nossa necessidade teológica ou intelectual. A igreja é a família de Deus e isso quer dizer que a alma é uma só, que o coração é um só e que a vida do Espírito Santo flui nos relacionamentos, permitindo que a vida de Cristo toque em cada um e o mundo reconheça que Jesus foi mandado por Deus (Pv 17.17 e Jó 6.14). A amizade não é a qualquer preço. Ela precisa ser santa, nascer no coração de Deus (Sl 16.3). Se a amizade não se situa ao redor de Jesus, não vale a pena ser mantida, pois somente a amizade produzida pelo Espírito Santo é eterna e abençoadora. (Ex 32.27; Dt 13.6; 1Co 5.11 e Ef 5.6) O Senhor Deus deve ser o eixo dos nossos relacionamentos, que tem que ser santos, como o Senhor é santo. Infelizmente, a tendência dos relacionamentos, quando perdem a referência do Senhor e Sua santidade, é perder o nível de respeito, de honra e de pureza. A princípios somos respeitáveis e respeitadores, mas depois somos permissivos, corruptos e corruptores. Corrompemos e somos corrompidos. 
A amizade tem que produzir bênção para os outros. Não pode se tornar uma panela fechada, onde outros não podem entrar. Deve ser uma relação inclusiva que traz graça ao seu redor. As nossas amizades tem que produzir frutos eternos para nós e para outros. No contexto de Lc 16.9 o Senhor aponta para o lucro que temos com as coisas que ajuntamos. Se ajuntamos coisas materiais, não teremos a possibilidade de receber os frutos disso na eternidade, mas se usarmos as coisas dessa vida para levar amigos para o Reino de Deus, eles nos receberão na eternidade futura. As riquezas atuais são extremamente injustas por causa da má distribuição, por causa de origens duvidosas, por causa das contaminações havidas no seu trajeto. Enfim, precisam ser santificadas ao chegar às nossas mãos. São riquezas de origem injusta. O ensino de Jesus é que as riquezas não podem ser usadas para o meu próprio beneficio, mas para trazer pessoas para o Reino de Deus, para o suprimento de outros e para a alegria do meu próximo (Ef 4.28 e Ec 4.8). As parábolas relatadas em Lucas 15 mostram isso (Lc 15.6, 9, 23).
A amizade revela os corações. Os amigos são abertos entre si. Falam de suas aspirações, seus medos, seus planos e, por isso, a amizade provê ajuda e proteção. A transparência revela a amizade que existe. Quanto maior for a amizade, maior será a transparência (Jo 15.15 e Ex 33.11). Não se deve esperar uma amizade sem decepções, sem desilusões. Enquanto formos amigos de pessoas iguais a nós, débeis, e inconstantes, vamos estar sujeitos a traumas produzidos por incidentes nos relacionamentos (Sl 41.9 e Zc 13.6). Também pode suceder de termos “amigos” somente nas horas que podemos dar alguma coisa. Depois disso, nos deixam, assim como fizeram a Jesus quando multiplicou os pães (Pv 19.6). De qualquer maneira precisamos estar cientes que as amizades são provadas pelas circunstâncias e pelos acontecimentos. Nenhuma amizade fica sem prova (Pv 17.17 e Jo 11.16). A coisa mais lucrativa, de maior futuro para nós é fazer amigos. Tudo o que temos deve ser investido no empreendimento de granjear e manter amigos, fazer amizades. A igreja é formada por amigos. Refiro-me a amizades que glorificam ao Senhor, que visam, em última instância, a glória de Deus. Se não temos e mantemos as amizades, somos meros empresários de um negócio religioso ao qual indevidamente chamamos, de igreja. Na Igreja é onde estão os verdadeiros amigos. Precisamos de amizades sólidas e profundas às quais podemos recorrer nos momentos de aflição e que nos alegram e nos fazem rir nos momentos de descontração. Precisamos de amigos que sentimos saudades quando ausentes; que nos atraem para mais perto do Senhor e que nos desafiam a sermos santos.
Jamê Nobre


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Aprendendo a esperar!

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu...” (Salmo 42.5). Um dos maiores transtornos do homem é não saber nem querer esperar. Assim como o feto gasta nove meses para se transformar em uma criança apta para sair do ventre materno e sobreviver fora dele, muitas de nossas carências não são nem podem ser satisfeitas imediatamente, como muitos querem. A prática da espera é difícil por causa da impaciência, do imediatismo e da curiosidade. Um erro é não esperar nada, outro é não saber esperar. Segundo a Palavra de Deus, é preciso aprender a esperar: Salmos 90.4: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite.” 2 Pedro 3.8: “Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.” A prática da espera é a arte de aguardar tranquilamente a hora de Deus, sem deixar de fazer o que é de nossa competência e sem fazer o que é da competência de Deus, deixando de lado toda impaciência e todo esmorecimento. É preciso esperar numa atitude de confiança: “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl 40.1). É preciso esperar numa atitude de paciência: “Depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa” (Hb 6.15). É preciso esperar numa atitude de tranquilidade: “Vou esperar, tranquilo, o dia em que Deus castigará aqueles que nos atacam” (Hc 3.16, BLH). Existe o erro de esperar o que não é preciso, como aconteceu com a mulher samaritana que aguardava o Messias, sem saber que Ele próprio falava com ela (Jo 4.25). Assim, já não é preciso esperar a vinda do Messias, a efusão do Espírito, que se deu no dia de Pentecostes (At 2.1-4), algum acréscimo ao evangelho pregado pelos apóstolos (Gl 1.8, 9) e o tempo de proclamar o evangelho (Mt 28.19, 20). “Na prática da espera, Deus pode produzir em nós confiança, paciência e quietude. Assim poderemos fazer frente às atitudes inversas de dúvida, ansiedade e ativismo. Uma tentação é deixar de esperar, abandonar a esperança, cansar-se de uma espera que parece longa demais. Outra é intrometer-se, resolver a questão de qualquer modo, assumir a responsabilidade de providenciar o que estava nas mãos de Deus.”
Espere no Senhor, sempre!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Uma vida atraente

Ao lermos o texto de 2 Timóteo, capitulo 2, versos 1-10 vemos uma bela interação entre discípulo e seu mestre. Paulo como um sábio instrutor, ministra e exorta Timóteo, para perseverar naquilo que ele estava sendo ensinado. É interessante ver como Paulo utiliza quatro verbos para salientar os princípios de uma vida atraente. Ao lermos as escrituras, precisamos estar sempre atentos para os verbos do trecho que estamos lendo, pois eles formam o conteúdo da mensagem. São eles que mantêm os pensamentos coesos. Quando há uma ação a realizar, os verbos indicam os passos que devemos tomar para nos alinharmos com a verdade. Neste caso, os verbos aparecem sob a forma de mandamentos, com o objetivo de estimular um ambiente bíblico e atraente para a evangelização. Gostaria de destacar no texto de 2 Timóteo 2, quatro características que torna uma pessoa atraente:
1. O verbo fortifique-se: “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.” (2 Timóteo 2.1). O verbo fortificar fornece a primeira característica de uma pessoa atraente. Jesus era uma pessoa contagiante, Paulo era uma pessoa contagiante. E o ensino que o sábio apostolo passa a seu filho na fé: “é sempre necessário permanecer forte na graça.” Parece fácil e simples, mas esse é o principio mais difícil de se aplicar em nossa sociedade tão consumista. Paulo ensina a Timóteo algo que ele vivia: Ele proclamava e promovia a graça. Vivia da graça, sua mensagem era o evangelho da graça. Paulo jamais se esqueceu da importância do favor imerecido de Deus em sua vida. A mensagem que Paulo anunciava era as boas novas do reino de Cristo, que é graça aos perdidos. Imaginem o impacto que haveria em nossos círculos de amizade ou local de trabalho, se cada um de nós nos dispuséssemos a anunciar aquilo que a graça de Deus fez em nossas vidas. Pense nisso, uma vez por semana, somente com uma pessoa. Deixe eu te dizer algo: o ímpio precisa ouvir a mensagem da cruz, que o leva de uma vida vazia, repleta de culpa e pecado, para uma vida em que o senhorio de Cristo traz graça, paz, amor e perdão. Amados, nós somos esta ponte que liga o pecador a Cristo, quando anunciamos o evangelho do reino.
2. O verbo confiar: “E o que de mim, entre muitas testemunhas , ouviste , confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.” (2 Timóteo 2.2). Esse versículo apresenta nossa segunda característica de um discípulo que tem contagiado vidas com seu testemunho de vida.  Essa base é fornecida por meio do verbo confiar, que no original significa literalmente entregar algo a alguém. Fica difícil entender aqui a palavra entregar, pois tem um sentido de somente posso entregar algo sem me comprometer com ele. Acho importante a ideia de transmitir a verdade como quem confia algo de valor a alguém. Amados, temos uma mensagem valiosa para passar adiante. O apostolo Paulo transmitiu a Timóteo seu coração, sua alma, suas verdades, seus estímulos, enfim, sua vida.
3. O verbo sofrer: “Tu pois, sofre as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo.” (2 Timóteo 2.3). Gosto da simplicidade das palavras de Paulo, embora não sejam simples de se viver. No original este verbo sofrer, compõe a tradução de um único verbo que significa: “Suportar o mesmo tipo de sofrimento que os outros.” Não é um mandamento fácil de cumprir, é preciso da graça do Espírito Santo para cumprir. Que benção quando isso ocorre de fato! Você notou a palavra comigo (que consta de algumas versões), no texto acima. É isto que torna uma pessoa atraente, contagiante, simpática, quando alguém se machuca, todos sofrem juntos. Ninguém sofre sozinho. Hoje há tantos que necessitam de apoio, pois enfrentam crises e desapontamentos diários, outros possuem familiares que precisam de nossas orações. Lembre-se é a graça que nos une. Vivemos em uma cultura que impera competição e inveja. Todos os esforços são direcionados e motivados pelo lucro. No corpo de Cristo, a igreja, não pode ser assim, pois o amor de Cristo que nos une: Quando tem alguém em dificuldade, a comunidade se une para ajudar. Outro vai a casa do enfermo para visitá-lo, outro vai as compras e socorre ao necessitado. Ninguém pode se curar sozinho.
4. O verbo suportar: “Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória.” (2 Timóteo 2.10). O ponto principal para se destacar aqui está no verbo suportar, que no original é uma palavra composta: upomenw/hipomenō à hipo = embaixo / menō = resistir. A ideia que Paulo esta passando para Timóteo é para ele permanecer firme sob as pressões, dificuldades e sofrimentos decorrentes da proclamação do evangelho. Quando estamos anunciando Cristo a alguém sempre ocorre confrontos e dificuldades para desistirmos. Mas Paulo esta nos dizendo não desista, siga firme. Mantenha sua palavra e integridade. Vele por seu testemunho. Não podemos ceder a pressão do mundo, da cultura ou rebaixarmos o padrão que nos foi dado por Cristo. Precisamos permanecer focados na mensagem, anunciando-a de modo consistente. Não podemos deixar de tornar Cristo conhecido para esta pessoa. Algo que nos paralisa e impede que o Espírito Santo opere em nossas vidas é a falta de perdão. O perdão é a chave da benção. O arrependimento e o perdão abrem os nossos corações e fazem que o rio de Deus possa fluir livremente em nós. Precisamos nos render ao Espírito Santo para que ele traga as nossas mentes o que precisa ser resolvido em nossos corações.
Concluindo, quando assumimos estas características (Fortificar-se, confiar, sofrer e suportar) em nossas vidas e unindo aos fundamentos de Atos 2.42-47, nossa vida será incrivelmente diferente e maravilhosamente atraente. Em outras palavras: Uma vida contagiante. E assim, nos tornaremos uma comunidade onde cada parte do corpo opera em conjunto saudável, atencioso, desenvolvido e maduro. Vamos anunciar o evangelho do reino, faremos discípulos. Seremos uma comunidade onde há ensino, comunhão, partir do pão e orações. E viveremos em comunhão plena onde então poderemos clamar em uma só voz: Ó vem Senhor Jesus!!!