"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



domingo, 20 de outubro de 2013

O enigma da fé!

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem... Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.” (Hebreus 11. 1 e 3).
Por toda a escritura vemos a fé como expressão de confiança, dependência e relacionamento do homem com Deus. Isto a principio nos parece uma impossibilidade por se tratar de uma relação do finito com o infinito, do imanente com o transcendente. Por este ângulo a fé não se define dentro dos limites da razão, mas simplesmente acontece como um fenômeno, onde a ordem natural e sobrenatural interage. Entretanto a pergunta sobre qual é a natureza da fé no Novo Testamento, permaneceria irrespondível, sem a elucidação intelectual, racional e teórica que o texto de Hebreus 11.1 e 3 nos oferece. É a única definição do conceito de fé que encontramos nas escrituras:
1. “...fé é certeza das coisas que se esperam...” (vs1)
pivsti" ejlpizomevnwn uJpovstasi" pragmavtwn...
  uJpovstasi" /hupostasis = Substancia, consistência, certeza, firme profissão, fundamento, percepção segura, conscientização mental.
  ejlpizomevnwn /elpizomenōn = Esperar, confiança, depositar esperança em alguém, esperar por algo. Podemos traduzir então a fé como firme confiança ou fundamento de algo esperado. A ideia toda é que esta confiança se incorpora em nosso ser como uma realidade substancial não meramente intelectual.
 à O que então é as coisas que se esperam?
      A priori a fé não precisa de comprovação fenomênica. É o que podemos deduzir da afirmação de Paulo em Romanos 4.3: “Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.” O que dizer então da afirmação de Tiago em 2.17: “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.”
 à Como explicar esta aparente contradição?
      A resposta é simples: As obras procedem da fé, ou seja, a fé é o fundamento através da qual as obras se manifestam. A fé lança base sobre as esperanças escatológicas do reino de Deus, porque ela já antecipa essas realidades em Cristo, porque n’Ele a escatologia já se realizou plenamente. Martim Heidegger, filósofo existencialista alemão, propõe uma imanentização da esperança cristã, ou seja, ela só se realiza existencialmente numa parousia, isto é, presença constante, onde a angustia e o medo é superado por uma existência autentica. Em sentido escatológico o homem caminha sem medo para a morte. Na esperança cristã, todavia experimentamos esta parousia, isto é, presença do Cristo ressurreto e exaltado e pela fé esta esperança futura da vida do reino nos é antecipada. Isto é a certeza das coisas que se esperam. Eu creio que estas afirmações respondem a segunda afirmação de Paulo:
2. convicção de fatos que se não vêem...
      A palavra convicção no grego e[legco"/elegchos, tem o sentido de prova. A fé já nos concede prova no intimo da veracidade das coisas que cremos, embora não a estejamos vendo.
3. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.
     Essa afirmação já é uma explicação da natureza da fé conforme foi dito no primeiro versículo: “Coisas que se esperam” “fatos que não se vêem”
    Pela fé, entendemos A palavra entendemos no grego é noou'men/nooumen - Não é gnose: conhecimento, mas diz respeito a capacidade intelectiva de compreensão, entendimento, discernimento, através de uma razão iluminada pela revelação de fé. A revelação busca a intelecção para poder expressar, comunicar à revelação que é obtida pela fé. 2 (dois) aspectos a serem compreendidos aqui:
· Só a fé nos da compreensão que o universo foi formado pela palavra de Deus. A palavra é logo"/logos – Jesus é o logos, isto é, a palavra de Deus (Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. João 1.3).  Quem crê em Jesus, deve crer também na ordem da criação por Ele estabelecida.
· Por este texto podemos também compreender que não houve criação por evolução. A criação foi "Ex-nihilo", ou seja, do nada. Não há também a possibilidade da criação vir a existir de uma matéria pré-existente. 

 Por Ademir Ifanger