"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Como é bom ter amigos!

E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos” (Lc 16.9).
A Igreja é caracterizada pelo relacionamento entre seus membros.Isso é reflexo do caráter de seu fundador, que é um caráter de relacionamento, de amizade. Desde o princípio Deus quis andar em amizade com o homem, mas o pecado cortou essa amizade, lançando a inimizade entre o homem e Deus e entre o homem e o seu semelhante. Quando Jesus Cristo morreu na cruz desfez as inimizades (Lc 16.9 e Ef 2.15). Quantos amigos fizemos neste ano? Quantos perdemos ou não cultivamos? A Igreja é um lugar de amizade. É o lugar onde Deus nos coloca para andar em amizades sólidas e leais. Essas amizades são ferramentas de Deus para nos aperfeiçoar (Pv 27.17).
É impossível ao cristão aperfeiçoar-se sem o concurso da Igreja, sem a ajuda de seus irmãos (Pv 27.5). É na Igreja que conhecemos a provisão de Deus, que recebemos a saúde do Corpo de Cristo, que conhecemos os Natãs que, com coragem e amor, apontam os nossos erros, nossos pecados e nos dão a chance de consertar e arrepender. Como nos ensinou nosso amigo Asaph: “Eu não sei o que seria da minha vida, sem irmãos e irmãs… sem a igreja de Cristo, presente ao meu redor …quando eu caminhava para o fim… estenderam a sua mão pra mim…”
A Igreja não é um espaço onde recebemos sem dar. Não é um lugar no qual somos supridos em nossa necessidade teológica ou intelectual. A igreja é a família de Deus e isso quer dizer que a alma é uma só, que o coração é um só e que a vida do Espírito Santo flui nos relacionamentos, permitindo que a vida de Cristo toque em cada um e o mundo reconheça que Jesus foi mandado por Deus (Pv 17.17 e Jó 6.14). A amizade não é a qualquer preço. Ela precisa ser santa, nascer no coração de Deus (Sl 16.3). Se a amizade não se situa ao redor de Jesus, não vale a pena ser mantida, pois somente a amizade produzida pelo Espírito Santo é eterna e abençoadora. (Ex 32.27; Dt 13.6; 1Co 5.11 e Ef 5.6) O Senhor Deus deve ser o eixo dos nossos relacionamentos, que tem que ser santos, como o Senhor é santo. Infelizmente, a tendência dos relacionamentos, quando perdem a referência do Senhor e Sua santidade, é perder o nível de respeito, de honra e de pureza. A princípios somos respeitáveis e respeitadores, mas depois somos permissivos, corruptos e corruptores. Corrompemos e somos corrompidos. 
A amizade tem que produzir bênção para os outros. Não pode se tornar uma panela fechada, onde outros não podem entrar. Deve ser uma relação inclusiva que traz graça ao seu redor. As nossas amizades tem que produzir frutos eternos para nós e para outros. No contexto de Lc 16.9 o Senhor aponta para o lucro que temos com as coisas que ajuntamos. Se ajuntamos coisas materiais, não teremos a possibilidade de receber os frutos disso na eternidade, mas se usarmos as coisas dessa vida para levar amigos para o Reino de Deus, eles nos receberão na eternidade futura. As riquezas atuais são extremamente injustas por causa da má distribuição, por causa de origens duvidosas, por causa das contaminações havidas no seu trajeto. Enfim, precisam ser santificadas ao chegar às nossas mãos. São riquezas de origem injusta. O ensino de Jesus é que as riquezas não podem ser usadas para o meu próprio beneficio, mas para trazer pessoas para o Reino de Deus, para o suprimento de outros e para a alegria do meu próximo (Ef 4.28 e Ec 4.8). As parábolas relatadas em Lucas 15 mostram isso (Lc 15.6, 9, 23).
A amizade revela os corações. Os amigos são abertos entre si. Falam de suas aspirações, seus medos, seus planos e, por isso, a amizade provê ajuda e proteção. A transparência revela a amizade que existe. Quanto maior for a amizade, maior será a transparência (Jo 15.15 e Ex 33.11). Não se deve esperar uma amizade sem decepções, sem desilusões. Enquanto formos amigos de pessoas iguais a nós, débeis, e inconstantes, vamos estar sujeitos a traumas produzidos por incidentes nos relacionamentos (Sl 41.9 e Zc 13.6). Também pode suceder de termos “amigos” somente nas horas que podemos dar alguma coisa. Depois disso, nos deixam, assim como fizeram a Jesus quando multiplicou os pães (Pv 19.6). De qualquer maneira precisamos estar cientes que as amizades são provadas pelas circunstâncias e pelos acontecimentos. Nenhuma amizade fica sem prova (Pv 17.17 e Jo 11.16). A coisa mais lucrativa, de maior futuro para nós é fazer amigos. Tudo o que temos deve ser investido no empreendimento de granjear e manter amigos, fazer amizades. A igreja é formada por amigos. Refiro-me a amizades que glorificam ao Senhor, que visam, em última instância, a glória de Deus. Se não temos e mantemos as amizades, somos meros empresários de um negócio religioso ao qual indevidamente chamamos, de igreja. Na Igreja é onde estão os verdadeiros amigos. Precisamos de amizades sólidas e profundas às quais podemos recorrer nos momentos de aflição e que nos alegram e nos fazem rir nos momentos de descontração. Precisamos de amigos que sentimos saudades quando ausentes; que nos atraem para mais perto do Senhor e que nos desafiam a sermos santos.
Jamê Nobre