"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 31 de maio de 2011

O compromisso da igreja

Por certo, estamos vivenciando tempos descritos por Paulo em sua carta à Timóteo: “Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis...” (2º Tm 3:1-5).

As características destes tempos estão aí aos nossos olhos. Entretanto, o mundo não está por conta dos desvarios da natureza humana decaída. Depois da ascensão de Cristo, uma nova força surgiu na história: a igreja, a síntese de gentios e judeus formando um só corpo, sob uma cabeça: Jesus Cristo, exaltado. Esse fato constitui o grande mistério que estivera oculto, mas revelado nos tempos finais pelo ministério de Paulo. Esta verdade, em si mesma, é uma proclamação aos principados e potestades nas regiões celestes (Ef 3:9-10). Mais do que nunca, portanto, precisamos restaurar a essência da unidade da igreja para uma proclamação eficaz do Senhorio de Jesus Cristo. Esta unidade, porém, não pode ser uma doutrina, uma visão, uma afirmação teológica, sim uma prática que flui através de relacionamentos firmes e comprometidos com Deus e uns com os outros (Ef 4:1-16). Os tempos são difíceis. A maldade humana potencializada por satanás e seus principados aumenta. Somente no seio da comunidade messiânica restaurada, os homens poderão ver as obras de Deus (Mt 5:14-16). O compromisso divino através de sua igreja, é abençoar todas as nações da terra. A igreja, como um só corpo demonstra ao mundo a Glória de Deus, um atributo da Nova Jerusalém que desce dos céus (Ap 21:2-11). “...eis o Tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles...” (Ap 21:3).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Como Eu fiz, façais...

“Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:13-15).


No Evangelho de João vemos o Senhor Se inclinando algumas vezes. Em uma das vezes para escrever na terra. O resultado foi o perdão de uma mulher adúltera (João 8). Em outra ocasião, Ele Se inclina para lavar os pés dos discípulos (João 13). Uma vez para trazer perdão a uma pecadora. Outra vez para deixar exemplo aos santos.
Perceba que o Senhor Jesus não disse que devemos fazer o que Ele fez, mas como Ele fez. O que Ele fez? Ele Se humilhou e serviu outros. Esse é o verdadeiro coração de um servo. Humildade não é pensar pouco sobre si mesmo, é absolutamente não pensar em si. O mundo diz que devemos subir o mais alto que pudermos, não importa em quantas cabeças tenhamos de pisar para chegar onde queremos. Porém, o Senhor Jesus nos ensina aqui que a real grandeza vem de se descer o mais baixo possível para o bem de outros!
É bom lembrarmos que antes do Senhor Jesus começar essa ilustração sobre humildade, os discípulos estavam discutindo entre si quem seria o maior deles. O Senhor Jesus então colocou diante deles e de nós o segredo da genuína grandeza: Pensarmos nos outros! Ele sabia que todas as coisas haviam sido entregues em Sua mão. Mas não lutou para conquistar honra e posição elevada para Si mesmo. Essa também não é nossa luta. O que temos de entender é quem somos em Cristo e o que temos por causa d’Ele (Efésios 1.3: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”).
O Senhor Jesus nos deu o exemplo para que pratiquemos esse tipo de serviço em prol de outros. E o que significa lavar os pés hoje em dia? Talvez encorajar, aliviar e servir as pessoas. Talvez deixá-las em melhor estado do que antes de nos encontrarmos com elas. Descubra como você pode lavar alguns pés hoje!!!

domingo, 15 de maio de 2011

Frutificando para Deus

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gálatas 5.22-25).

O apostolo Paulo faz um contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Se obras falam de esforço, o fruto é algo natural. É importante destacar aqui a diferença de obras para fruto, pois remove a ênfase do esforço humano. As obras da carne é resultado de nosso esforço, porém o fruto do Espírito é a realização do Espírito Santo em nós.
Uma obra é algo que o homem produz por si mesmo, um fruto é algo que é produzido por um poder que não é dele mesmo. O fruto do Espírito tem origem sobrenatural, crescimento natural e maturidade gradual.
Paulo enfatiza três verdades importantes sobre o fruto do Espírito:
1. A natureza do fruto
2. Sua variedade
3. Seu cultivo
O fruto que Paulo está tratando é criação do Espírito Santo. Ele não brota da nossa natureza, nem é produto acadêmico. Esse fruto é variado, uma vez que são produzidos pelo próprio Espírito. Por isso precisamos observar estas verdades:
1. A natureza do fruto
Gl 6.7 diz: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.”
Tudo o que plantamos, nos colheremos. O homem é livre para escolher, mas não é livre para escolher as conseqüências do que escolhe. Essa é a lei da causa e efeito. Colhemos exatamente a mesma natureza daquilo que semeamos. Uma árvore má não dá bons frutos.
Há algo muito importante nesta questão, pois colhemos mais do que semeamos. Há uma multiplicação na colheita. Por exemplo: “quem semeia ventos, colhe tempestades (Os 8.7). Por isso Paulo nos exorta: “...de Deus não se zomba...”
“Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.” (Gl 6.8).
Ao pensarmos na natureza do fruto precisamos atentar para a raiz, pois a raiz determina o fruto, e não o fruto a raiz. Semear para a própria carne significa buscar a satisfação das necessidades desta vida, sem nenhuma consideração pela vida futura, mas quando o Espírito Santo semeia em nossas vidas buscamos os valores da vida que permanece.
Por isso, semear na carne significa deixar que a velha natureza se expresse livremente, enquanto semear no Espírito significa deixar que o Espírito se expresse como ele quer.
2. Sua variedade
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23).
O fruto do Espírito não pode ser criado artificialmente nem pode ser simulado. Ninguém frutificará alheio a operação do Espírito Santo. Vale ressaltar que Paulo não fala de frutos, mas do fruto. Essas nove virtudes são como que gomos de um mesmo fruto. Não podemos ter um fruto e ser desprovidos de outros. As nove virtudes produzidas em nós pelo Espírito podem ser entendidas em três áreas:
Nossa atitude para com Deus: “...amor, alegria, paz...” estas três virtudes tem a ver com nossa relação com Deus, pois o primeiro amor é o nosso amor à Deus, nossa principal alegria é para com Deus e nossa paz mais profunda é nossa paz com Deus.
Nossa atitude para com outras pessoas: “...longanimidade, benignidade, bondade...” estas três virtudes estão conectadas com a nossa relação com o próximo. Longanimidade é paciência para com aqueles que nos irritam ou nos perseguem, é uma pessoa tardia em irar-se. Benignidade é uma questão de disposição para servir e amar ao próximo e bondade refere-se a nossas palavras, atos e ações.
Nossa atitude com nós mesmos: “...fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Estas três últimas virtudes tem a ver com nossa relação com nós mesmos. Fidelidade significa fé, lealdade. Descreve a pessoa que é digna de confiança. Mansidão significa dócil, submisso. É ter poder sob controle. Domínio próprio significa ter domínio dos próprios desejos e apetites.
Estamos ligados a Cristo na sua morte e ressurreição. Estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais acima de todo principado e potestade. Por isso precisamos assumir nossa posição em Cristo.
Por isso Paulo diz que a carne já foi crucificada. É nossa responsabilidade crer nisso e agir de acordo.
3. Seu cultivo
“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gl 5.25).
Se o Espírito habita em nós e em nós produz seu fruto, precisamos então andar no Espírito. Não podemos viver de modo indigno de nossa vocação.
Algo importante aparece na palavra andemos no original grego diz stoichomen, que significa caminhar em uma linha reta. Comportar-se adequadamente (era usada para demonstrar uma linha definida, nado sincronizado, bale, etc.). Aponta para uma ação habitual e continua em nossas vidas.
Paulo fala de duas experiências distintas: “andar no Espírito” (5.16 e 25) e “ser guiado pelo Espírito” (5.18). Há uma diferença muito clara entre ser guiado e andar, pois uma fala de nossa condição em obediência ao Espírito e a outra fala de uma posição que somos ajudados pelo Espírito em nossas dificuldades e permitimos sua ajuda. Em seu cultivo nas nossas vidas é o Espírito Santo quem guia, mas quem anda somos nós. É uma tomada de posição!
Concluindo, John Stott diz que o cristianismo não é escravidão, mas um chamamento da graça para a liberdade.
Nossa liberdade não é uma liberdade que nos permite viver uma vida para o pecado, mas liberdade de consciência somos livres para obedecer. Somos salvos pelo sangue de Cristo e sendo assim livres para viver em santidade!

sábado, 7 de maio de 2011

Uma carta para Deus!

“Começamos, porventura, outra vez a recomendar-nos a nós mesmos? Ou temos necessidade, como alguns, de cartas de recomendação para vós outros ou de vós? Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.” (2ª Coríntios 3.1-3).

Gostaria de destacar algumas preciosas verdades desse texto:
A verdade escrita no coração é a mais legível mensagem de Deus
“... Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.”
O mundo nem sempre lê as escrituras, mas ele está sempre nos lendo. Somos uma carta aberta sobre os olhos do mundo. Nossa vida é um outdoor de Deus estampado diante dos olhos das pessoas ao nosso redor. Nossa vida é uma espécie de megafone de Deus para os ouvidos em nossa história. Cada um de nós somos uma propaganda de Cristo.
Juan Carlos Ortiz (em seu livro O Discipulo), diz que somos o evangelho que é lido pelo mundo. Cada um de nós sendo uma tradução do evangelho as pessoas.
Jesus é o próprio autor desta carta, por isso não cabe nada além que ele mesmo queira escrever. Nenhuma mensagem espúria pode ser gravada em nossa vida. Por isso o pecado não pode reinar, nenhum parágrafo desta carta pode macular a honra do autor. Somos um poema, carta de Cristo.
A verdade escrita em nosso coração é a mais duradora mensagem de Deus
“... escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.” (vs. 3).
A mensagem do evangelho não é escrita com tinta que se apaga, mas escrita pelo Espírito de Deus. Ela é escrita em nossos corações. Quando nos convertemos a Cristo e nos batizamos somos selados pelo Espírito Santo, por isso ninguém pode desfazer a obra de Deus em nós. Ninguém pode apagar a escrita do Espírito Santo nos corações transformados pelo evangelho.
A tinta é perecível, ela se apaga. Mas o que tem sido escrito em nossas vidas é espiritual e permanente. O E. S. não esta produzindo em nós uma caricatura de Cristo, mas nos transformando de glória em glória na própria imagem de Cristo:
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (vs. 18).
A verdade escrita no coração é a verdade mais convincente de Deus
“Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens...” (vs. 2).
Uma vida transformada pelo evangelho é o melhor visual para a pregação do evangelho. A vida transformada dos crentes em corintos era a carta de recomendação de Paulo (1ª Co 6.9-11).
Só o evangelho de Cristo transforma vidas. Só a verdade de Deus ilumina os olhos daqueles que estão mergulhados na escuridão do preconceito e nas trevas espessas do pecado. Nenhuma mensagem é tão impactante do que a de uma vida transformada pelo poder de Deus.
Certa vez um incrédulo começou a questionar a fé de um recém convertido, e sua fé nas verdades da Bíblia e seus milagres.
- Assim perguntou-lhe: “Você ainda acredita nesse relato de que Jesus multiplicou pães e peixes e transformou água em vinho?”
- O novo convertido respondeu: “Eu acredito firmemente nisso.”
- “Mas como você pode explicar isso? Perguntou incrédulo.
- “É que na minha casa, Jesus transformou cachaça em comida. Ódio, em amor. Brigas, em solidariedade, trevas em luz e perdição em salvação!”
Nossas vidas precisam ser um relato vivo e real na vida das pessoas que fazem parte de nosso dia a dia. Vidas transformadas, casas transformadas, casamentos transformados...
A verdade que esta sendo gravada em nós é a mais profunda mensagem de Deus. A lei foi gravada em tabuas e fora de nós, mas a nova aliança está sendo gravada dentro de nós (nos corações). A primeira nos fala o que devemos fazer para Deus, a segunda, o que Deus faz por nós!
Concluindo, Paulo depois de descrever as marcas de uma vida vitoriosa, faz uma pergunta que nos constrange: (2ª Coríntios 2.16) “Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas?”
Ele não dá a resposta imediatamente. Somente no Cap. 3, ele nos mostra a verdade e responde a esta questão: “não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus...” (2ª Co 3.5).
Paulo nos ensina que nossa pregação tem que ser baseada naquilo que Deus tem feito por nós, e essa é a diferença principal de vivermos a nova aliança. A velha aliança nos ensina a fazer o melhor para Deus, mas a nova aliança nos ensina que Deus fez tudo por nós.