"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014


A nossa identidade em Cristo!

No texto de Colossenses 3.1-4, Paulo mostra que há uma estreita conexão entre aquilo em que nós cremos e aquilo que nós praticamos. Não pode existir um abismo entre a fé e a prática, entre o discurso e a vida.
Nossa vida passa a ser um testemunho verdadeiro quando demonstramos em nossos atos e ações que as coisas do céu são mais importantes para nós do que as da terra (vs. 1-4). E essa vida cristã pode ser percebida pela nossa identificação com Cristo e pela nossa aspiração por Cristo. Sendo assim, gostaria de conversamos um pouco sobre a identidade de Cristo em nós, como podemos ver neste texto de Colossenses. Há alguns pontos que gostaria de destacar sobre a nossa identificação com Cristo:
1. Nós morremos com Cristo
“...porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (vs.3a).
Cristo não apenas morreu por nós (substituição), mas nós também morremos com Ele (identificação).  Estávamos mais pertos de Cristo do que os dois malfeitores que foram crucificados com Ele. Na cruz Cristo não apenas pagou a nossa dívida com Sua morte, mas também quebrou o poder do pecado em nossa vida. Paulo faz uma pergunta em Romanos 6.2: Nós que morremos para o pecado, como seria possível desejar viver sob seu jugo? Paulo nos lembrar aqui que a morte inevitavelmente desliga o morto dos interesses deste mundo. Da mesma forma, na nossa morte com Cristo deve haver uma mudança em nossa forma de viver, de pensar, de agir e de falar. Nossas ambições precisam ser colocadas nos pés da cruz!
2. Nós vivemos em Cristo
“Quando Cristo, que é a nossa vida...” (vs. 4).
Paulo faz uma afirmação aqui: Cristo é a nossa vida! Aos Filipenses Paulo disse: Porque para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro! (Fp 1.21). Aos gálatas, Paulo afirmou: Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. (Gl 2.20). O apóstolo João disse que a essência da vida eterna é conhecer a Cristo (Jo 17.3). As vezes dizemos de alguém: "a música é sua vida. O esporte é sua vida, ou de alguém ouvimos dizer que fulano vive para trabalhar." Essas pessoas encontram a vida e tudo o que ela significa na música, nos esportes e no trabalho. Para o cristão, porém, não pode ser assim, pois Cristo é a vida. Jesus Cristo domina seus pensamentos e preenche sua alma.
3. Nós ressuscitamos com Cristo
"Portanto, visto que fostes ressuscitados com Cristo, buscai o conhecimento do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus." (Cl 3.1).
A expressão grega: ei oun sunhrgerqhte / ei oun synēgerthēte, fala de uma ação completada. Ela pode ser traduzida assim: "tendo em vista que vocês ressuscitaram." os cristãos possuem dentro de si mesmos a vida da ressurreição.  portanto, devem experimentar o poder da ressurreição de Cristo  em grau cada vez mais alto. Paulo escreve: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo..." (Cl 3.1). A palavra “se” deste primeiro versículo não é uma expressão de dúvida. Todos os que recebem a Cristo estão identificados com Ele  na Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão. O sentido mais correto desta palavra aqui seria: “Uma vez que”. Amados deixa eu dizer algo para vocês, nossa posição em Cristo não é algo que precisamos lutar para alcançar, pois já está consumado! Deixa eu te perguntar algo: é possível estar vivo a ainda estar na sepultura? Quando entregamos nossa vida ao governo de Cristo, Ele nos tira da sepultura e nos transporta para lugares celestiais, onde está assentado à destra de Deus.
4. Nós estamos escondidos com Cristo
“...porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (Cl 3.3).  
Nós não mais pertencemos ao mundo, mas a Cristo. As fontes da vida nas quais nos alegramos vêm somente d’Ele. Não há razão alguma para procurarmos outras fontes e nem meios para o suprimento da vida cristã, pois em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3). Paulo está ensinando aos Colossenses sobre os falsos mestres e o perigo de seus ensinos, pois eles achavam que seus livros guardavam e escondiam a sabedoria. Esses livros eram chamados livros apokrifoi (livros escondidos) e para os gnósticos eram tesouros da sabedoria. Por isso, Paulo intervém e diz que para os gnósticos os tesouros da sabedoria estão escondidos em seus livros secretos, mas para nós, porém, Cristo é o tesouro da sabedoria e nós estamos escondidos n’Ele! Estar escondido com Cristo significa que n’Ele nós temos segurança e satisfação.  Amados, o nosso estilo de vida não é mais terreno, o mundo não determina mais conceitos em nossa vida. Nascemos do alto, buscamos as coisas do alto, estamos assentados com Cristo nas regiões celestes. Nossa pátria está no céu, por isso, buscamos as coisas do céu. E deixa eu te dizer algo, isso não significa viver sem responsabilidades na terra, mas significa que as nossas motivações e a nossa força vêm do céu e não da terra!  
5. Nós estamos glorificados com Cristo
“...vós também sereis manifestados com Ele, em glória.” (vs. 4).
Cristo agora está assentado à direita de Deus Pai no céu, mas um dia Ele virá em glória para nos levar para o lar (1 Ts 4.13-18). Quando Ele se manifestar, nós, que estamos escondidos com Ele, também seremos manifestados em glória (1 Jo 3.2).
Havia um pensamento judaico acerca do tempo passado profético que dizia que essa glória simplesmente ainda não foi revelada, ela ainda está por vir. Para nós porém, Cristo é a expressão da gloria do Pai.
· A santificação é a conformidade progressiva à imagem de Cristo aqui e agora.
· A gloria é a conformidade perfeita à imagem de Cristo em sua volta.
Portanto santificação é a glória começada e glória é a santificação completada.   
Concluindo, o fim do nosso caminho não é a sepultura, mas a triunfal ressurreição. A nossa jornada não terminará com o corpo surrado pelas enfermidades e dor, enrugado pelo peso dos anos, mas receberemos um corpo de glória, semelhante ao de Cristo (“o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” Fp 3.21).
Nosso choro cessará, nossas lágrimas serão estancadas. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor (E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. Ap 21.4).