"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 21 de outubro de 2014

Qual é o impacto de um milagre em sua vida?

“...o que temos feito com os resultados do milagre em nossas vidas? (João 6.12).
João destaca aqui, no milagre da multiplicação a ampla provisão de Deus (Jeremias 31.14 diz: “o Meu povo será saciado pela minha bondade.”). Mas, existe um detalhe aqui: Embora o Senhor tenha muito para suprir as nossas necessidades, Ele não deixara que nada seja desperdiçado. A Bíblia nos ensina sobre a alegria indizível e cheia de glória. Essa alegria é mais do que ver um pedido realizado, um sentimento que alimentamos ou fruto de circunstâncias favoráveis. Esta alegria não vem de nós mesmos e nem dos outros. É uma alegria que vem do alto, ela é gerada por Deus. É ação do Espírito Santo em nós (ela é o resultado da plenitude do Espírito Santo). 
1. Esta alegria tem origem divina
Não podemos produzir esta alegria na terra. Ela não é resultado de uma personalidade amável, de um temperamento dócil nem mesmo de circunstancias favoráveis. Nenhuma experiência vivida por nós, por mais intensa e arrebatadora, poderia ser classificada como uma alegria divina e cheia de gloria. Essa alegria tem uma origem celestial.
Deus é a fonte desta alegria. Só na presença d’Ele existe plenitude de alegria. Só na Sua presença é que vamos saciar nossa alma.
2. Esta alegria tem uma natureza sobrenatural
A Bíblia diz que a alegria faz parte do próprio conteúdo do evangelho, pois o evangelho é a boas novas de grande alegria. O reino de Deus que está dentro de nós é alegria no Espírito Santo. O fruto do Espírito é alegria e a ordem de Deus é alegrai-vos. Esta alegria que nasce em Deus e jorra para nossos corações, por intermédio do Espírito Santo, não é apenas um sentimento de bem estar nem apenas um momento de euforia que se esvai com o tempo. Não é como a alegria passageira que os aventureiros buscam em banquetes do pecado, pelo contrario, é uma alegria pura e santa, que asperge a alma com o balsamo da paz.
Deixa-me dizer algo aqui, esta alegria é um contentamento que domina nossa mente e coração mesmo em circunstancias sejam contrarias e desfavoráveis. É desta alegria que Pedro diz para os crentes da dispersão, que estavam sendo perseguidos pelo mundo e banidos e mortos.
3. Esta alegria tem um propósito glorioso
Quando desfrutamos da alegria de Deus, o próprio Deus é glorificado. O evangelho nos leva a viver e anunciar a gloria de Deus neste mundo tenebroso. Não há impacto mais poderoso no mundo do que um discípulo de Cristo que mesmo sendo torturado, cantar louvores na prisão. Não há argumento maior do que poder do evangelho na vida de um cristão afligido e ainda assim ter um brilho em sua face e cânticos de louvor em seus lábios. Não há evidencia maior acerca do poder de Deus quando um cristão, mesmo depois de enfrentar as perdas mais severas e ainda assim adorar a Deus.
Concluindo, o que temos feito com os resultados do milagre em nossas vidas? Do que temos enchidos os nossos cestos? Se o propósito do milagre é trazer a glória ao nome de Deus, seu resultado com certeza é transformar vidas aqui na terra. A alegria do povo de Deus é um testemunho tremendo acerca do poder transformador do evangelho em nossas vidas. Neste mundo que vivemos repletos de tantas más noticias, encharcado de tristeza, podemos experimentar a alegria celestial, que vem do céu. É um privilegio para os discípulos e uma evidencia da plenitude do Espírito Santo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A ética e a vida comunitária no Novo Testamento

“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica.” (Filipenses 1.27).
Em o Novo Testamento, a vida comunitária traduz um aspecto sobremodo importante pra o andar cristão. Não há cristianismo onde o individualismo prevalece. Talvez por causa do capitalismo temos a ênfase da experiência pessoal mais enfatizada do que a experiência comunitária. O socialismo não é a resposta por causa de seu imanentismo e chave hermenêutica da luta de classes que promove mais o antagonismo social do que a verdadeira comunhão.

1.     Vivendo a cidadania do Reino
“Vivei” o verbo utilizado por Paulo aqui no original é: πολιτευεσθε / politeuesthe, que não tem o sentido geral de περιπατεω /peripateō  “andar”, assim um sentido politico “vivei como cidadãos” tratando-se de cristãos significa viver como cidadãos do Reino traduzindo assim o sentido pratico de vida comunitária. Assim podemos entender o reino de Deus como uma nova ordem politica, econômica e social, não simplesmente um sistema de doutrinas e credos isolados do contexto da vida.

         2.     Uma vida que transforma
Podemos compreender neste texto porque o Novo Testamento que visa a formação espiritual nunca se dirige a pessoas isoladas, mas sempre a comunidade, aos irmãos e sua vida conjunta. A conduta adequada que corresponde a espiritualidade do reino e a santificação, ocorrem no contexto da vida fraterna que o Novo Testamento preconiza. Esta é a vida que se transforma e produz transformação verdadeira e se torna um testemunho para a sociedade.

         3.     Nossa verdadeira luta
Como cristãos não estamos inseridos em contextos ideológicos humanistas, não obstante, não somos reféns de uma espiritualidade legalista (Conferir Cl 2.23), nem apegados a concepções fundamentalistas que distorcem a verdade. Preceitos humanos provenientes de literalismos doentios jamais captarão a plenitude da vida ativa em constante mutação. Também não podemos ser prisioneiros de aspectos exteriores onde o coração e a interioridade profunda da fé não se façam presente, talvez por isso, a exortação de Paulo: “...de modo digno do evangelho de Cristo. Vivei a vossa vida comunitária.” Onde os conceitos de unidade, diversidade, individualidade e coletividade se complementam numa dinâmica produzida pelo Espírito Santo: “Estai firmes, em um só espirito com uma só alma lutando juntos pela fé evangélica.”   


Concluindo, portanto, este aspecto de vida comunitária é muito significativo porque é na comunidade que o evangelho de Cristo é percebido em sua maneira digna de vivencia-lo, com transparência e fidelidade a Jesus Cristo, o Senhor. Nesses dias é de vital importância que recuperemos essa dimensão de vida do Novo Testamento porque somente assim Cristo será glorificado em Seus santos.  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Enquanto os homens dormem...

“Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.” (Mateus 13.24-30).
Nesta parábola Jesus utiliza uma expressão interessante ao dizer que “enquanto os homens dormiam...” veio o inimigo e semeou o joio em meio ao trigo. Ele estava se referindo ao que acontece no reino de Deus ou como gostaria de compartilhar aqui, o que o inimigo tem semeado em meio às famílias. Enquanto como povo de Deus, sacerdotes do Senhor, parecem estar adormecidos ou indiferentes, o inimigo tem semeado em nossas casas, por vezes de maneira sutil, realidades preocupantes que podem ter consequências dolorosas num futuro não muito distante. A um ataque contra os princípios e visão cristã da família.
A edificação da família é ameaçada não apenas pela atitude interior do coração, mas também por influencias externas. Como discípulos de Cristo sempre nos deparamos com uma batalha de duas frentes. Uma é a luta contra nosso inimigo interior, que vem de dentro, do “eu” (a nossa carne) e a outra é uma guerra contra nosso inimigo exterior, o diabo, que nos aflige por fora. Nesta parábola Jesus nos descreve o perigo exterior, e nossa conduta diante deste ataque. Há uma pergunta feita pelos empregados que me chama a atenção:
· “De onde vem, pois, o joio?” Muitas vezes acontecem situações em nossas vidas que também nos perguntamos por que esta acontecendo isso?  Humanamente falando esses homens eram acostumados a lidar com a terra e deveriam saber que a erva daninha cresce por si próprio. Mas, se aqui há um caso incomum, o motivo é que em anos anteriores a terra, que fora limpa por estes homens, não apresentava uma quantidade tão grande de joio (“Trigo do diabo”) como desta vez. Certamente a correria do dia-a-dia, os muitos afazeres nos leva a descuidar ou não estar atento às ervas daninhas que o inimigo vai semeando em nossas vidas. Ficamos insensíveis, descuidamos em nosso devocional.
· “Um inimigo fez isso...”  Outro ponto que precisamos estar atentos é como o dono da terra sabia com tanta certeza que enquanto todos dormiam o inimigo semeou o joio? A Bíblia esta sempre nos alertando que nosso inimigo vem como um ladrão. Sorrateiramente. No momento do cansaço, depois de um dia de trabalho exaustivo, quando abaixamos a guarda, relaxamos... Pedro nos advertiu que nosso adversário é como um leão que nos rodeia procurando uma forma de nos destruir.  
· “Queres que vamos e arranquemos o joio?” a resposta parece ser meio obvio, mas a algo profundo aqui, o trigo possui raízes mais frágeis que o joio. Ao arrancar o joio, também arrancaria o trigo. Muitas vezes a semente lançada por satanás em nossas vidas nos deixam indiferentes, frios, insensíveis e acabamos deixando nosso coração endurecido e na explicação da parábola Jesus adverte os discípulos para o perigo da colheita e porque deveriam esperar (Mt 13.36-43). O sentido da separação é julgar, condenar e punir. Não cabe a nós isto é obra do Senhor, no dia do juízo. 
     A questão da separação aqui é importante pois o Senhor nos deixou viver em meio ao joio para sermos luz! Nossa vida e conduta reflete a glória de Deus, essa separação será feita pelos anjos do Senhor (vs. 39-41), a separação prematura na época atual se torna mais destrutiva do que purificadora.  
     Concluindo, Mateus usa aqui a frase: Seu campo. Gostaria de dizer a você que há uma promessa de Deus para sua casa, uma promessa de colheita. O campo pode ou não parecer fértil! Pode ser semeado joio entre as sementes que você tem semeado, ou seu campo pode ser devastado pela seca (necessidade espiritual), mas em meio a todo o caos Deus nos promete uma colheita farta! Amem! Repleta de frutos, sua vida a vida de sua esposa e filhos é um campo fértil nas mãos do Pai!