"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Deus é o nosso descanso!


“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.29-30).
Numa destas manhãs quentes desta primavera ao fazer meu devocional ao Senhor me peguei pensando sobre como estamos estressados, com as emoções à flor da pele, nunca temos tempo para nada. Os relacionamentos ficam de lado, pois há muito trabalho. A vida passa voando, e não notamos. Mas nós fomos criados para algo maior do que o trabalho. Somos muito mais do que aquilo que fazemos! Como viveríamos se soubéssemos que teríamos somente mais um mês de vida? 
Se concentrarmos o olhar sobre nossa saúde espiritual, colocando o nosso relacionamento com Deus em primeiro lugar, ele mesmo reorganizará todas as demais áreas. Nossa vida mudará de rumo e estaremos construindo um legado que permanecerá. Não são as circunstâncias da vida ou as pessoas que nos deixam estressados e com a alma no cárcere. É a falta de Jesus em nossas vidas. Com ele, mesmo as situações mais difíceis e dolorosas tornam-se suportáveis e amenas, pois ele está conosco.
No salmo 55 podemos aprender com Davi como lidar com nossas crises existenciais, havia em Davi um profundo desejo de ficar livre das suas angustias. Mas como todos nós ele também tentou resolver suas angustias por si só e não buscando em Deus, tentou achar consolo em suas próprias forças (“Assim eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Então voaria, e estaria em descanso.” Salmo 55.6). Temos que entender que o verdadeiro descanso só podemos encontrar em Jesus. Gostaria de compartilhar com vocês algo que o Espírito Santo ministrou em minha vida na leitura deste salmo. 
A tentação de fugir dos problemas
“Assim eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Então voaria, e estaria em descanso. Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto. (Selá.) Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade.” (Salmo 55.6-8).
Fugir dos problemas nunca é a melhor solução, pois a fuga dos problemas abre um caminho para coisas piores (“É como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se entrando numa casa, a sua mão encostasse à parede, e fosse mordido por uma cobra.” Amos 5.19). A vida cristã não é uma estrada reta rumo à glória, mas um caminho cheio de curvas e precipícios. John Bunyan expressou isso de forma inigualável no clássico O Peregrino. Há momentos que olhamos para frente, e nada enxergamos senão pontes estreitas, vales profundos e abismos imensos. Nessas horas, sentimo-nos impotentes, desanimados e chegamos até mesmo a lavrar a nossa sentença de derrota. Porém, os impossíveis dos homens são possíveis para Deus. Ele continua fazendo com que a mulher estéril seja alegre mãe de filhos. Deus continua levando o pobre do monturo e fazendo-o assentar-se entre príncipes. Ninguém chega ao sucesso e descansa, e ninguém é derrotado e se acaba, porque nenhum sucesso é final e nenhuma derrota é fatal.
Deixe eu te dizer algo, o futuro ainda lhe reserva surpresas. Não se deixe embriagar pelo sucesso nem deixe derrotar pelo fracasso, porque Deus é quem está dirigindo o seu viver. A vida cristã não é uma estrada reta rumo à glória, antes é uma estrada cheia de curvas e surpresas. Tanto o sucesso quanto os fracassos são passageiros. Não podemos nos envaidecer com o sucesso nem nos desesperarmos com os fracassos, pois quando pensamos que chegamos ao fim da linha, Deus nos abre uma nova porta, algo que nos de esperança.
A confiança em Deus
“Eu, porém, invocarei a Deus, e o Senhor me salvará... Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado.” (Salmo 55.16, 22).
O desejo de fugir dos problemas é um traço comum de toda humanidade, mas a confiança em Deus nos dá condições de enfrentarmos nossos problemas e angustias. Se a ansiedade é um mal que devemos evitar, a indecisão é outro erro que não podemos cometer. A liberdade de decidir é uma faculdade fundamental na vida humana. Na verdade somos escravos da nossa liberdade (Gálatas 6.8). Não podemos deixar de decidir. Somos como um homem dentro de um bote correnteza abaixo. Podemos decidir pular do bote e nadar para a margem do rio. Podemos decidir remar e alcançar um lugar seguro. Podemos fingir que não há perigo à frente e dormir passivamente dentro do bote. Podemos fazer muitas outras coisas. Só uma coisa não podemos deixar de fazer. Não podemos deixar de tomar uma decisão.
A indecisão também é uma decisão. Ela é a decisão de não decidir. E quem não toma decisão, decide fracassar.
Moisés encontra na graça e bondade de Deus, favor para superar suas dificuldades ele confia em Deus e encontra descanso (“Disse pois: Irá a minha presença contigo para te fazer descansar.” Êxodo 33.14). É a nossa confiança em Deus que nos faz lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade. Esta é a única forma de nos libertar da ansiedade, pois abre caminho para a intervenção divina e prepara nossos corações para recebermos o que Deus preparou para nós (“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” 1Pedro 5.7).    
Hoje, você pode não entender os planos de Deus na sua vida. Hoje as providências de Deus podem parecer difíceis e assustadoras para você. Mas, no andar de cima, na sala de controle do universo, as coisas estão meticulosamente planejadas e determinadas. E Deus as levará a cabo para o seu bem, para a glória do Seu próprio Nome. Hoje seus problemas podem parecer intrincados, difíceis e você pode pensar em dizer: “Não tem jeito!” Mas, olhe na perspectiva da eternidade e entenda que Deus quer transformar sua vida em algo extraordinário.
Concluindo, Não estamos fazendo uma viajem rumo ao ocaso. Nossa jornada é para o romper da alva. O fim da nossa jornada é uma eternidade cheia de glória, onde reinaremos para sempre com Cristo. Podemos estar cruzando vales e montes, atravessamos pontes estreitas e pântanos lodacentos. Aqui nosso corpo é surrado pela doença e até tomba pela fúria implacável da morte. Mas, a morte não tem mais a última palavra em nossas vidas. Seguimos as pegadas daquele que arrancou o aguilhão da morte. O nosso Redentor é a Ressurreição e a Vida.
Não estamos viajando num bonde que se afundará nas águas encapeladas do mar da vida. Em breve, a trombeta de Deus soará. Em breve, a voz do arcanjo será ouvida. Em breve todos os inimigos serão colocados debaixo dos pés do nosso Senhor. Em breve todo joelho se dobrará e toda língua confessará que ele é Senhor. Em breve, deixaremos esse corpo de humilhação e seremos revestidos com um corpo de glória. Em breve, estaremos para sempre com o Senhor. Não importa se agora o caminho é estreito. Não importa se os inimigos são muitos e estão furiosos contra nós. Nosso destino é glória e é o nosso próprio Senhor vitorioso que nos conduzirá ao nosso descanso!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O discípulo em relação ao mundo


Deus tem nos convocado para algo que, com frequência, cai em esquecimento: “Ergam os olhos e vejam.” (Mateus 6.26-28). O que temos visto? Dependendo de onde moramos, podemos dizer que só vemos poluição, trânsito congestionado, violência e injustiça. Olhar como resposta a um convite divino pode nos dar perspectivas mais sensíveis e se desdobrar em relações e posturas diferenciadas. Mesmo quando ao redor há destruição (prova de nosso descuido e consequência de nosso egoísmo), podemos melhor nos conscientizar sobre as mortes que o pecado gera. Podemos nos voltar a Deus humildemente, saboreando sua graça, a redenção em Jesus, e nos inspirar a criar com espontaneidade, com formosura e com a alegria pregar o Reino de Deus, Sua justiça e Seu amor por uma criação que não conhece o Seu Criador. Mas infelizmente vivemos seduzidos por uma cultura enferma, refém de um mundo já condenado. Hoje ao ler um artigo em uma revista fiquei pensativo. Pedro em sua 1 carta nos alerta para que lembremos de nossa condição em meio a este mundo (“Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo...” 1Pedro 2.11), parece que perdemos esse princípio cristão de que somos peregrinos nesse mundo, se prestarmos atenção, muitos não vivem como tal. Alguns (ou muitos) se sentem atraídos a fazer como os amigos íntimos de Jesus que queriam fazer no monte da transfiguração: construir tendas, fixar estacas e atear a verdadeira bandeira que traduzia o que havia em seus corações: “daqui eu não saio, daqui ninguém me tira”.
Muitos acham que vieram pra ficar. Se esquecem que estão de passagem. Vivem presos na corrida incansável pela compra da sensação de bem-estar e, no final, esse estilo de vida só serve para provar que eles, na verdade, não acreditam muito em uma pátria além, moradas celestiais (“...e habitarei na casa do Senhor por longos dias.” Salmo 23.6).
Na língua portuguesa, quando Pedro escreve “peregrinos” e “forasteiros”, podemos ter uma ideia confusa, pois essas palavras são pra nós sinônimas e de pouca ou nenhuma diferença. Mas no grego não é assim. Pedro usa palavras diferentes, sendo que com relação a “peregrinos” - παροίκους / paroikous, que se refere a alguém que é hospede, que está hospedado em uma casa por um curto período de tempo. Já a palavra “forasteiro” - παρεπιδήμους / parepidēmous, que significa alguém que é emigrante, refugiado, estranho, estrangeiro em um país.
Isso me faz lembrar que somos peregrinos na casa que habitamos, o nosso corpo corruptível. Esse, decididamente, não é o nosso corpo permanente. Por vezes nos esquecemos que essa casa (corpo) é passageira, que não foi feita para durar pra sempre. O corpo vai ficar doente, vai sofrer…  A degradação é automática e inevitável, assim como é automática a habitação do novo corpo, que é glorificado e, por isso, é eterno.
Também somos forasteiros nesse país. Não podemos ganhar os moldes do mundo e se conformar com suas aberrações (Romanos 12.1-2). Não somos dessa terra, mas sim, estamos de passagem! Com esta aplicação sobre ser forasteiro e ser peregrino podemos dizer que somos peregrinos tanto dentro desse corpo como também dentro do lugar onde habita o corpo. Sendo assim, com certeza, vamos começar a olhar as coisas numa outra perspectiva. Vamos olhar, com o olhar de alguém que discerne o tempo e modo das coisas.
Parece que nos tornamos mais técnicos que adoradores. Acumulamos informações, discutimos acadêmica ou teologicamente, mas talvez se Jesus chegasse hoje ao nosso meio seu comentário para nós não seria diferente daquele dirigido a mulher samaritana: “Vocês adoram o que não conhecem” (João 4.22). Em nosso dia-a-dia, vivemos como seres fragmentados, continuamos a pregar Jesus na cruz, sem desfrutarmos do significado de sua morte e ressurreição: “Uma vida nova, livre e abundante, cuja inteireza cativa outros.” Como diz Franky Schaeffer, em seu livro “Viciados em Mediocridade”: “Na maior parte do tempo os cristãos vivem na tensão entre suas atividades espirituais e o resto da sua vida. Entretanto, o cristianismo deveria ser uma experiência libertadora que abre nosso entendimento para apreciar mais de Deus. Somos aqueles que foram libertos para ver o mundo como realmente é desfrutando e nos divertindo com a diversidade e a beleza da criação”.
Não somos desse mundo, desse planeta, desse país… Dessa forma, não podemos nos parecer com ele, não podemos amar o mundo (“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele."  1 João 2.15).
Quero resgatar o significado da imagem do povo que é raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus. Quero me lembrar sempre que não é só o tempo que passa. Para onde tenho fixado meu olhar!
Sei que estamos no mundo, pois foi Jesus mesmo quem nos deixou aqui (“Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” João 17.15). 
Então, saibamos, pois, ouvir sua voz, que é cheia de majestade, que faz dar cria às corças e desnuda os bosques (Salmo 29.4, 9). Que o Espírito de Deus nos ajude a parar, contemplar, adorar e proclamar as maravilhas do Criador e a pregar Jesus como Senhor de nossas vidas, pois n’Ele podemos viver um dia de cada vez, com reverencia e temor!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Praticando coisas boas!


“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia...” (Hebreus 10.25).
“Posso servir a Deus do meu jeito, não preciso ir à igreja!” Esse é um pensamento bastante comum. E é verdade no sentido de que todo indivíduo pode adorar e louvar a Deus por si mesmo. Mas a Bíblia não nos transmite a idéia de “ilhas cristãs”. De fato, ela nos afirma justamente o contrário. Quer reconheçamos ou não, gostemos ou não, precisamos uns dos outros. Poder ser que o santo que menos pareça ter importância seja exatamente o escolhido de Deus para suprir uma necessidade em sua vida.
Quando
nos reunirmos com outros discípulos, seria uma boa prática perguntarmos ao Senhor a quem podemos encorajar. Talvez indaguemos qual o objetivo de sair de casa para irmos às reuniões. Porém, a pergunta certa seria: VOU SAIR DE CASA PARA ABENÇOAR QUEM? De acordo com Hebreus 3.13, deveríamos praticar sempre essa forma de encorajamento: “Exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje.”
Vivemos em uma época na qual temos inúmeras maneiras de entrar em contato com os outros. Telefone, mensagens eletrônicas, celulares, facebook e
diversas oportunidades baratas de estar em contato com nossos irmãos na fé. Como é maravilhoso receber um telefonema inesperado ou um simples e-mail e saber que alguém está orando por nós! É isso o que o escritor de Provérbios nos lembra quando escreve: “Como água fresca para a alma cansada, tais são as boas novas vindas da terra distante” (25.25), e “A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra” (12.25).
Você é do tipo de pessoa que alivia o fardo dos outros ou os sobrecarrega? Você percebe que: “...as palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos” (16.24)?

domingo, 7 de outubro de 2012

Quando amar é arriscado...

Compromisso e Relacionamento


Os textos de Mateus 5.13-16 e 1 Pedro 2.4-9, falam de nosso compromisso como cristãos no mundo. Não podemos, entretanto, separar este compromisso do relacionamento com Deus e uns com os outros. Atentemos para a pluralidade de nossa comissão nas palavras de Jesus e de Pedro: “Vós, sois o sal da terra” (Mt 5.13); “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio Santo, a fim de oferecerdes  espirituais agradáveis à Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pe 2.5). “Vós sois, raça eleita, sacerdócio real, nação santa... A fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou, para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9).
1. Natureza do Compromisso
    O dicionário Aurélio traz as seguintes definições que interessam a essa mensagem, para a palavra compromisso: Acordo, convenção, ajuste, promessa de trato à ser cumprido, escrita vincular, obrigação de caráter social, pacto, etc.. Todas estas definições, inferem relacionamento não unilateral. O compromisso difere do legalismo. Este último ignora o propósito, o pacto, as condições, enfim, a razão de ser do compromisso. Em essência, o legalismo afirma obrigação em si, enquanto que o compromisso enfatiza a relação que promove os objetivos comuns à serem alcançados. Tomando por exemplo o casamento (1Pe 3.7 e Ef 5.31-32). Não é só romantismo ou obrigação. Antes, é um compromisso cujo objetivo é revelar o mistério Cristo e a igreja. Por esta razão, o homem deve viver a vida comum do lar com discernimento (conhecimento progressivo e revelado do propósito de Deus para o casamento), tratando a esposa com dignidade que lhe é devida, pois ambos foram abençoados (comprometidos) por Deus para mesma graça de vida (comparar 1Pe 3.7 com Gn 1.27-28). É dentro portanto, do compromisso de revelar o mistério Cristo que são estabelecidos os relacionamentos (Ef 5.21-30).  
2. Compromisso de Deus
    O propósito de Deus ao abençoar o primeiro casal, incluía toda a sua descendência (Gn 1.26-28). A queda (Gn 3), não mudou o compromisso de Deus. Em Gn 12.1-3, Deus chama Abraão e com ele restabelece seu pacto de abençoar todas as famílias da terra. Deus teria um relacionamento pactual com Abraão (Gn 17.1-5). Na semente de Abraão, que é Cristo, Deus encarnou Seu compromisso, conforme lemos em 1Co 1.4. Desta forma, Deus descansou em Seu filho, a quem confiou todo o julgamento (Cf. Jo 5.22). No relato de Genesis, Deus descansou de suas obras (literalmente cessou) ao criar o homem e a mulher, confiando-lhes seu compromisso de sujeitar toda a Sua criação e abençoar todas as famílias da terra (Gn 1.26-28, 31 e 2.1-3). No NT Jesus é o sabathah (descanso) de Deus (Hb 4.1). Nele  encontramos também nosso descanso e somos abençoados com o compromisso de abençoar todas as nações da terra (Hb 3.14 e Mt 28.18-20). A criação do homem e da mulher conforme relato de Gênesis, é semente que Paulo revela como grande mistério, isto é a igreja (Ef 5.31-32). A igreja é a comunidade restaurada que tem Jesus como cabeça e através de seus relacionamentos, mutualidade e proclamação, anuncia a vitoria de Jesus Cristo sobre todos os principados, potestades e poderes deste mundo. 
3. Compromisso do Homem
Em Gn 1, Deus compromete Adão e Eva que vieram a falhar. Em Gn 12 Deus compromete Abrão e Sarai. Em Gn 17, a mudança de nomes para Abraão e Sara, se relaciona com o pacto divino de abençoar todas as nações da terra (Gn 17.1-8 e 17.15-16). É nesse objetivo que Paulo foi constituído ministro conforme a graça de Deus (Ef 2.11-22 e 3.6-7). A dádiva do Espírito Santo, mal compreendida e assimilada é a garantia, a parte divina do pacto, o penhor, a benção de Abraão, o compromisso de Deus chegou até nós (Gl 3.14 e 2Co 1.21-22). O compromisso portanto, encarna o propósito do relacionamento, isto é, ser uma benção para todas as famílias da terra. Para ser uma benção, Abraão teria que andar com Deus, ser obediente em tudo. A circuncisão seria o sinal exterior do compromisso entre Deus e Abraão. É precisamente isto que está inserido no batismo cristão: “Um compromisso solene, um pacto de seguir ao Senhor, isto é, um relacionamento de submissão e obediência” (1Pe 3.21). Somente desta maneira torna-se possível fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20).
Concluindo, a igreja tem hoje o compromisso, um pacto com Deus de ser uma benção para todas as famílias da terra. As portas do inferno não poderão prevalecer contra ela (Mt 16.19). Deus confiou esta promessa mediante juramento (Gn 22.15-17 e Hb 6.17-18). Cristo, o pacto encarnado de Deus, vitorioso foi dado a igreja (Ef 1.20-23). Está, portanto diante de nós o desafio: “Vos sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo.”            
Portanto, abençoemos as nações!