"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



domingo, 7 de outubro de 2012

Compromisso e Relacionamento


Os textos de Mateus 5.13-16 e 1 Pedro 2.4-9, falam de nosso compromisso como cristãos no mundo. Não podemos, entretanto, separar este compromisso do relacionamento com Deus e uns com os outros. Atentemos para a pluralidade de nossa comissão nas palavras de Jesus e de Pedro: “Vós, sois o sal da terra” (Mt 5.13); “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio Santo, a fim de oferecerdes  espirituais agradáveis à Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pe 2.5). “Vós sois, raça eleita, sacerdócio real, nação santa... A fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou, para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9).
1. Natureza do Compromisso
    O dicionário Aurélio traz as seguintes definições que interessam a essa mensagem, para a palavra compromisso: Acordo, convenção, ajuste, promessa de trato à ser cumprido, escrita vincular, obrigação de caráter social, pacto, etc.. Todas estas definições, inferem relacionamento não unilateral. O compromisso difere do legalismo. Este último ignora o propósito, o pacto, as condições, enfim, a razão de ser do compromisso. Em essência, o legalismo afirma obrigação em si, enquanto que o compromisso enfatiza a relação que promove os objetivos comuns à serem alcançados. Tomando por exemplo o casamento (1Pe 3.7 e Ef 5.31-32). Não é só romantismo ou obrigação. Antes, é um compromisso cujo objetivo é revelar o mistério Cristo e a igreja. Por esta razão, o homem deve viver a vida comum do lar com discernimento (conhecimento progressivo e revelado do propósito de Deus para o casamento), tratando a esposa com dignidade que lhe é devida, pois ambos foram abençoados (comprometidos) por Deus para mesma graça de vida (comparar 1Pe 3.7 com Gn 1.27-28). É dentro portanto, do compromisso de revelar o mistério Cristo que são estabelecidos os relacionamentos (Ef 5.21-30).  
2. Compromisso de Deus
    O propósito de Deus ao abençoar o primeiro casal, incluía toda a sua descendência (Gn 1.26-28). A queda (Gn 3), não mudou o compromisso de Deus. Em Gn 12.1-3, Deus chama Abraão e com ele restabelece seu pacto de abençoar todas as famílias da terra. Deus teria um relacionamento pactual com Abraão (Gn 17.1-5). Na semente de Abraão, que é Cristo, Deus encarnou Seu compromisso, conforme lemos em 1Co 1.4. Desta forma, Deus descansou em Seu filho, a quem confiou todo o julgamento (Cf. Jo 5.22). No relato de Genesis, Deus descansou de suas obras (literalmente cessou) ao criar o homem e a mulher, confiando-lhes seu compromisso de sujeitar toda a Sua criação e abençoar todas as famílias da terra (Gn 1.26-28, 31 e 2.1-3). No NT Jesus é o sabathah (descanso) de Deus (Hb 4.1). Nele  encontramos também nosso descanso e somos abençoados com o compromisso de abençoar todas as nações da terra (Hb 3.14 e Mt 28.18-20). A criação do homem e da mulher conforme relato de Gênesis, é semente que Paulo revela como grande mistério, isto é a igreja (Ef 5.31-32). A igreja é a comunidade restaurada que tem Jesus como cabeça e através de seus relacionamentos, mutualidade e proclamação, anuncia a vitoria de Jesus Cristo sobre todos os principados, potestades e poderes deste mundo. 
3. Compromisso do Homem
Em Gn 1, Deus compromete Adão e Eva que vieram a falhar. Em Gn 12 Deus compromete Abrão e Sarai. Em Gn 17, a mudança de nomes para Abraão e Sara, se relaciona com o pacto divino de abençoar todas as nações da terra (Gn 17.1-8 e 17.15-16). É nesse objetivo que Paulo foi constituído ministro conforme a graça de Deus (Ef 2.11-22 e 3.6-7). A dádiva do Espírito Santo, mal compreendida e assimilada é a garantia, a parte divina do pacto, o penhor, a benção de Abraão, o compromisso de Deus chegou até nós (Gl 3.14 e 2Co 1.21-22). O compromisso portanto, encarna o propósito do relacionamento, isto é, ser uma benção para todas as famílias da terra. Para ser uma benção, Abraão teria que andar com Deus, ser obediente em tudo. A circuncisão seria o sinal exterior do compromisso entre Deus e Abraão. É precisamente isto que está inserido no batismo cristão: “Um compromisso solene, um pacto de seguir ao Senhor, isto é, um relacionamento de submissão e obediência” (1Pe 3.21). Somente desta maneira torna-se possível fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20).
Concluindo, a igreja tem hoje o compromisso, um pacto com Deus de ser uma benção para todas as famílias da terra. As portas do inferno não poderão prevalecer contra ela (Mt 16.19). Deus confiou esta promessa mediante juramento (Gn 22.15-17 e Hb 6.17-18). Cristo, o pacto encarnado de Deus, vitorioso foi dado a igreja (Ef 1.20-23). Está, portanto diante de nós o desafio: “Vos sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo.”            
Portanto, abençoemos as nações!