"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 15 de março de 2016

Deus quer curar as nossas feridas

“Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.”  (Ezequiel 37.12).
O texto trata de um povo ferido, cujas esperanças pareciam sepultadas para sempre no exílio na Babilônia. Foi em meio a esse desespero existencial que o profeta traz esta revelação de esperança. Talvez a sua experiência não seja a mesma que o povo hebreu estava enfrentando. Mas, pode ser que a sua necessidade seja real, porém, de outra ordem.   
Mas você pode me perguntar: “Chico, o que é essa sepultura? As vezes nos enterramos na tristeza, na amargura, no vicio, na pornografia, no medo, na solidão ou na angustia e sem perceber, nos afastamos demasiadamente do Senhor, acabamos abrindo espaços vazios em nosso íntimo que nos rouba a fé e esperança. Amados, há promessas do Senhor que ainda não se cumpriram em nossas vidas. Precisamos entender que existe uma luta em nosso íntimo e esta batalha é do Senhor! Há um vale de situações e circunstancias que precisam ser restauradas pelo Senhor. E gostaria de citar algumas verdades que podemos aprender com este texto do profeta Ezequiel: 
Em primeiro lugar, precisamos entender que existe um espaço ocupado ilegalmente por nossas feridas. É ilegal porque todo espaço disponível em nossa vida foi preenchido por Jesus: 1 Pedro 1.18-19: “...sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, Mas, pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo...” Nosso destino não é ficar preso em nossas emoções e sentimentos feridos. O inimigo ocupa espaços feridos e se alimenta de nossas dores. Lúcifer (satanás), tenta provocar nossos instintos naturais, com o fim de nos fazer pecar. Ele nos espreme tentando extrair nosso suco mais azedo (Como uma frase muito comum em nossos dias: “Há como eu sou má, hahahaha”). Para alcançar seu intento, ele nos fustiga com pessoas e situações que são capazes de exibir atitudes provocativas. Ele quer nos mostrar o que temos de pior dentro de nós. Em nossas feridas o inimigo estabelece domínio sobre nós. Ele nos fere para conquistar mais espaços em nosso interior, formando uma área de contaminação. É um instrumento nas mãos do inimigo para nos subjugar.  E deixa eu dizer algo a você: é possível ficarmos vulneráveis! Quando passamos por circunstancias ou problemas onde em nosso intimo nos sentimos prejudicados ou roubados.
Em segundo lugar, precisamos estar atentos pois as feridas são sepulturas que nos engolem, como disse agora a pouco, as vezes ficamos vulneráveis aos ataques do inimigo. Paulo nos mostra isso em 1Co 10.13: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.”  Muitos relacionamentos têm sido enterrados na falta de compreensão, muitos hoje acabam se enterrando no medo, nas angustias. Se sentem incapazes diante das provações. Acabam dando ouvidos ao inimigo que diz que somos incapazes.  Amados, as feridas sufocam nossa vida com Deus. Sufocam nossa vida minando nossa fé, rouba nossa esperança, as feridas se transformam em águas amargas que ficam represadas em nosso interior, nos tornando amargos e indiferentes ao agir de Deus em nossas vidas.
E em terceiro lugar, as feridas são um espaço a serem conquistados por Cristo! Jesus aponta as nossas possibilidades. Uma ferida curada é um espaço a mais para o agir de Cristo e um a menos para o diabo. Quando Cristo governa nossas vidas não existe espaços vazios.
Em 2Co 2.10-11, Paulo apresenta a pratica do perdão como uma arma capaz de desmontar algumas das mais perigosas ciladas do inimigo, além de queimar eficientemente arquivos incômodos: “A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.”  O perdão é necessário para experimentarmos plena felicidade. Nenhum calmante químico pode aquietar uma alma desassossegada pela mágoa. Nenhum prazer deste mundo pode aliviar a dor de um coração ferido pelo ódio. A mágoa produz muitas doenças. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. Mas, o perdão traz cura completa para o corpo e felicidade plena para a alma. Nós não somos perfeitos, não viemos de uma família perfeita, não temos um casamento perfeito, não temos filhos perfeitos nem frequentamos uma igreja perfeita. Consequentemente, nós temos queixas uns dos outros. Na verdade, nós decepcionamos as pessoas e as pessoas nos decepcionam. Nossas fraquezas transpiram em nossas palavras e atitudes. Sem o exercício do perdão ficamos entupidos de mágoas e a mágoa gera raiz de amargura no coração. Não somente isso, a amargura perturba a pessoa que a alimenta e contamina as pessoas ao redor. Hebreus 12.15 diz: “Cuidado para que não haja alguma raiz de amargura, que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”. Feridas abertas e não tratadas são raízes de amargura. Uma ferida emocional não tratada cresce e se transforma em amargura, ressentimento e alienação porque não foram tomados os cuidados necessários quando ainda era pequena. Amados, o conhecimento das estratégias do inimigo nos torna capazes de saber como lutar contra ele. Será uma benção para nós, se respondermos a esse mal com o bem. Uma reação indevida, do tipo que o diabo gosta, provocará graves prejuízos emocionais (Provérbios 26.4). Ouvi certa vez, de um amigo a historia de um professor que pediu a seus alunos que levassem uma sacola com batatas para a sala de aula. Solicitou que separassem uma batata para cada pessoa que os magoara ou de alguma forma os fizera sofrer. Então que escrevessem o nome da pessoa na batata e a colocassem dentro da sacola. Eles começaram a pensar, e foram lembrando uma a uma... Algumas sacolas ficaram muito pesadas! A tarefa seguinte consistia em, durante uma semana, carregar a sacola com as batatas para onde quer que fossem. Com o tempo as batatas foram apodrecendo. Era um incômodo carregar a sacola o tempo todo e ainda sentir seu mau cheiro. Além disso, a preocupação em não esquecer a sacola em algum lugar fazia com que deixassem de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles. E foi assim que os alunos entenderam a lição de que carregar mágoas é tão ruim quanto carregar batatas. Quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o stress e roubando nossa alegria.
Perdoar e deixar a mágoa ir embora é “tratar a ferida” é a única forma de trazer de volta a alegria. 
Jogue fora suas “batatas” e seja feliz!!!
Concluindo, Deus quer curar nossas feridas. É importante reconhecer que elas existem (“Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos feitos, que não foram bons; e tereis nojo em vós mesmos das vossas iniquidades e das vossas abominações.” Ezequiel 36.31); O pecado está trabalhando contra nós, e temos que colocar toda a nossa confiança em Cristo! Então, confie n'Ele agora! Ouse, experimentar a obra de Deus por você, em você e através de você! Tenha coragem para experimentar a liberdade em Cristo, que não permite criar espaços para ficarmos presos aos vícios, hábitos e escravidão da velha vida da cova do pecado. Como um cristão Deus o ressuscitou, Deus o exaltou, Deus o fez assentar no trono com Jesus para que você seja um troféu da sua graça por toda a eternidade!

Andando em sabedoria

No texto de Tiago capitulo 3 ele nos fala dos versículos 1 ao 12 sobre o poder da língua:
· Ela tem o poder de dirigir (freio e leme);
· Ela tem o poder de destruir (fogo e veneno); e,
· Tem o poder de deleitar (fonte e fruto).
E nos versos 13 a 18, vemos Tiago nos ensinando sobre a sabedoria que tanto necessitamos para lidarmos em nossos dias com circunstancias e com as pessoas. Assim meus amados, como o rei Salomão pediu sabedoria para Deus, nós também precisamos clamar ao Senhor por sabedoria. Porem, pode nos surgir uma questão: O que é sabedoria? Uma definição bem simples, mas bem coerente é: Sabedoria é o uso correto do conhecimento.  Uma pessoa pode ser muito inteligente, mas não ser sábia. Em nossos dias se da mais valor para a inteligência emocional do que à inteligência intelectual. Uma pessoa pode ser muito inteligente, mas não sabe se relacionar com pessoas. Este é um dos conflitos de nossos dias, a intolerância e falta de relacionamentos, e como mensageiros de boas novas precisamos de muita sabedoria para proclamar o Reino de Deus as pessoas. Tiago nos mostra nos versos 13 e 14, que a sabedoria se reflete nos relacionamentos. E a melhor definição para sábio é aquele que é santo em seu caráter, profundo em discernimento e útil nos conselhos.
Meus irmãos nestes dias mais que nunca, precisamos ser sábios e inteligentes pela mansidão da sabedoria e pelas boas obras mostrando em nosso santo proceder o testemunho de Cristo Jesus em nossas vidas. Gostaria de comparar à sabedoria de Deus com a sabedoria do mundo, Tiago faz três contrastes quanto a sua origem, as suas características e ao seu resultado:
 1. A origem da sabedoria
Tiago nos mostra claramente dois tipos de sabedoria: a sabedoria terrena e a sabedoria celestial. Aqui me surge uma questão: Qual sabedoria governa nossa vida? Que tipo de vida estamos vivendo? Quais os frutos que este estilo de vida esta produzindo? Sua fonte é doce ou salgada (vs.12). Tiago nos ensina que há uma sabedoria que vem do alto e outra que é terrena. Uma vem de Deus e a outra é produzida pelo próprio homem. Ele nos diz que a sabedoria da terra tem três características: Ela é terrena, animal (não espiritual) e demoníaca.
· Terrena, pois é a sabedoria deste mundo (Paulo diz em 1Co 1.20-21 assim: “Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.”). A sabedoria do homem vem da razão, enquanto a sabedoria de Deus vem da revelação. A sabedoria terrena não conseguiu resolver os conflitos da humanidade. O homem tem conhecimento, dinheiro, poder, ciência, mas continua sendo mau e corrupto. Mais amante dos prazeres do que de Deus.
· Animal ou não espiritual: A palavra no original aqui é ψυχικη / psychikē tem um sentido da natureza da pessoa com seus desejos e impulsos das paixões carnais. Sendo assim oposta a natureza espiritual. Em Judas 1.19 ela é traduzida por sensual (“São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito.”). Essa natureza está em oposição às coisas de Deus, ela escarnece das coisas espirituais. A palavra de Deus não governa mais a vida familiar, econômica, profissional, sentimental. As coisas de Deus não importam mais.
· Demoníaca: Essa foi a sabedoria usada pela serpente que enganou Eva, induzindo-a a querer ser igual a Deus. Esta sabedoria faz as pessoas desacreditar em Deus para crer nas mentiras de satanás. Muitas pessoas hoje continuam a acreditar nas mentiras do diabo (Ler Rm 1.18-25). Foi nesta sabedoria que Pedro raciocinou que estava fazendo o bem em impedir Cristo de ir a Jerusalém (Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mc 8.33).
Tiago porem, fala sobre a sabedoria do alto. Amados a verdadeira sabedoria vem de Deus, do alto. Ela é fruto de oração, é dom de Deus. Esta sabedoria está em Cristo. Em Jesus temos todos os tesouros da sabedoria. Essa sabedoria está na palavra, visto que ela nos torna sábios para salvação (2Tm 3.15 diz assim: e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.). 
2. As características da sabedoria
Amados, não podemos estar indiferentes, pois se as duas sabedorias procedem de origens radicalmente diferentes, elas também operam em caminhos diferentes. A falsa sabedoria se manifesta onde há inveja amargurada, sentimento faccioso e mentira. Essa ambição esta ligada a cobiça, disputa, competição. Tiago nos alertou para o perigo de se cobiçar posição espiritual. No mundo a uma disputa cada vez maior por uma promoção pessoal. Você é o melhor! Você é o cara! A sabedoria do mundo exalta o homem e rouba de Deus a Sua glória. Há um perigo que nos ronda, que bate a porta, que nos ilude: “É UMA SUPER PREOCUPAÇÃO COM NOSSA POSIÇÃO, DIGNIDADE E DIREITOS.”
A sabedoria terrena funciona mais ou menos assim: A inveja produz sentimento faccioso. Este promove a vaidade e a vaidade se alimenta da mentira. Tiago nos dá porem uma lista de atributos da verdadeira sabedoria: “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.” (vs.17).
3. Os resultados da sabedoria 
A origem determina os resultados.  Sendo assim a sabedoria do mundo produz resultados mundanos, mas a sabedoria espiritual produz resultados espirituais.
· A sabedoria do mundo: Produz problemas:  Inveja, confusão e todo tipo de coisas ruins. Pensamentos errados produzem atitudes erradas. Causa desordem e traz instabilidade emocional a vida das pessoas.
· A sabedoria celestial: Produz bênçãos: Uma pessoa sábia é conhecida por sua conduta santa e obras dignas. Sua vida é uma semeadura e uma colheita. Ele semeia justiça e não pecado, semeia paz e não guerra. Traz a paz e proclama as virtudes de Cristo com seu bom testemunho.

Concluindo, vamos andar em sabedoria quando Cristo dirigir nossos passos e determinar nossa conduta. E assim vamos demonstrar os frutos de uma vida reta e imitando a Jesus em nosso proceder diário: Como nos vamos falar, como nos vamos agir e como nós vamos reagir diante das dificuldades do nosso dia a dia. Pois ensinar a sabedoria é mais importante do que apenas transmitir conhecimento.
Que Deus nos ajude!