"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



quinta-feira, 24 de maio de 2012

O milagre da fecundidade

“Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve ciúmes de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morrerei... Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda. Ela concebeu, deu à luz um filho e disse: Deus me tirou o meu vexame.” (Gênesis 30.1 e 22-23).
“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós...” (Efésios 3.20).
No texto de Gênesis 30, nos deparamos com a situação de Raquel esposa de Jacó, a qual era estéril e muito sofria por causa disto (Gn 30.1). Deus assim permitiu, para operar nela o milagre da fecundidade (Gn 30.22-23). Entretanto, para que isto ocorresse quatro atitudes se fizeram necessárias:
1.     Raquel reconheceu sua esterilidade
“Vendo Raquel que não dava filhos...” (Gn 30.1).  Aplicando a nossa vida espiritual sem frutos, sem filhos na fé, cremos que esta condição é essencial, como primeiro passo para uma vida frutífera.
2.     Raquel não se conformou com a esterilidade
Dá-me filhos, senão morrerei.” (Gênesis 30.1). Conformismo e passividade não se coadunam com a vida de fé. Precisamos almejar a vida frutífera e gerar filhos (discípulos) para o Senhor. O propósito eterno de Deus é ter uma família de muitos filhos iguais a Jesus (Rm 8.28-30) e nós devemos cooperar com este proposito.
3.     Raquel não limitou o poder de Deus
Seu pedido a Jacó expressa sua fé na possibilidade Divina: “...Dá-me filhos...” (Gn 30.1). O texto de Efésios 3.20, nos diz que Deus é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. As situações, as circunstancias e as nossas fragilidades não podem limitar à Deus. Ele quer que sejamos frutíferos e pode fazer isto.
4.     Raquel orou ao Senhor
“Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda...” (Gênesis 30. 22). E, ela concebeu e deu a luz um filho (Gn 20.23). A oração é necessária a uma vida frutífera. Deus pode fazer muito mais do que pedimos ou pensamos, mas precisamos pedir (rogar, clamar, suplicar) e pensar (ter em mente a necessidade).
Concluindo, precisamos refletir quais são as causas da esterilidade: Estamos considerando normal? Nos conformamos com ela? A incredulidade que Deus pode mudar a situação tomou conta de nós? Por isso não oramos, não pedimos, não pensamos?
Amados, Deus pode mudar esta situação e realizar um milagre em nossas vidas: “O MILAGRE DA FECUNDIDADE.”

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Santificação! O Caminho para as maravilhas divinas.

“Disse Josué ao povo: Santificai-vos, porque amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de vós.” (Josué 3.5).
Um grande pregador disse certa vez que a santidade é o lado visível da salvação. Sem santidade, não há salvação. Sem santidade, ninguém verá o Senhor. A santificação é semelhante a seiva de uma árvore, assim como a seiva percorre todos os ramos de uma árvore, a santificação deve percorrer todos os ramos e folhas de nosso caráter e a tudo santificando. O céu precisa estar em nós, antes de podermos ir para o céu. Antes de nos levar para a glória, o Senhor quer nos transformar à semelhança do Rei da glória.  A santificação não é vital somente para a salvação, mas também é o caminho para as maravilhas divinas. Deus disse a Josué: “Santificai-vos, porque amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de vós.” (Josué 3.5). Gostaria de compartilhar algumas verdades que este texto nos revela acerca da santificação.
A santificação é uma ordem expressa de Deus para o Seu povo
A ordem de Deus é clara: “Santificai-vos”. A santificação não é uma opção, mas uma ordem. A santificação não é um acessório secundário na vida cristã, mas uma necessidade vital. Somos santos, ou, então, ainda não somos cristãos. Ser Santo é ser separado do mundo e do pecado, para Deus. Fomos arrancados do reino das trevas e transportados para o Reino da luz. Fomos libertos do poder e da tirania do pecado. Fomos desarraigados deste mundo tenebroso para sermos propriedade exclusiva de Deus. Embora ainda estejamos no mundo, não somos do mundo. Pertencemos a Deus e devemos viver de modo digno de Deus. Nossos pensamentos, palavras, ações, reações e desejos devem ser puros. Nossos relacionamentos precisam ser santos. Nossas vestes precisam ser santas. Tudo o que somos e temos precisa ser vazado pela santidade ao Senhor (1ª Pedro 1.16).
A santificação é para ser buscada hoje e não depois
A santificação não é consequência das maravilhas divinas, mas a sua causa. Deus é Santo e Ele não usa vasos sujos. Precisamos ser vasos de honra, úteis para toda boa obra. A santidade vale mais do que conhecimento. A santidade vale mais que dons e talentos. Precisamos nos santificar se queremos ser usados por Deus e experimentar poderosa visitação de Deus em nossas vidas. Uma pessoa santa é uma arma poderosa nas mãos de Deus. Somos as próprias ferramentas que Deus usa na Sua obra. Certa vez o grande avivalista João Wesley, disse: “Dá-me cem homens que não temam nada senão o pecado e que não amem ninguém mais do que a Jesus e com eles eu abalarei o mundo.” Se quisermos ver as torrentes de Deus fluindo em nossas vidas, precisamos acertar nossas vidas com Ele hoje.
A santificação é a preparação para as maravilhas divinas no meio do Seu povo
Deus disse a Josué: “Santificai-vos, porque amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de vós.” (Josué 3.5). As maravilhas divinas são resultado da santificação do povo de Deus. As maravilhas sucedem a santificação. Onde o pecado é confessado e abandonado, Deus se manifesta. Onde há santidade, há maravilhas do céu. As maravilhas emanam do trono de Deus e não das façanhas humanas. As maravilhas acontecem no meio do povo de Deus e não fora dele.
Concluindo, a sequidão espiritual em que tanto nos acedia neste tempo pós-moderno se deve à falta de pureza e santificação. Deus não mudou.  Sua palavra não mudou. Se nos arrependermos de nossos pecados, se nos voltarmos de todo o coração para o Senhor e vivermos de modo digno da nossa vocação, santificando a nossa vida, certamente veremos as maravilhas divinas em nosso meio. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Construindo hoje, o nosso futuro!

Os tempos atuais estão impregnados pelo pluralismo filosófico, político e religioso. A orientação existencial e os valores absolutos que dão dignidade a vida pouco a pouco vão se corrompendo com o auxilio brutal da mídia.
Com isto, abre-se espaço para o materialismo travestido de doutrina neoliberal para aqueles que buscam a felicidade aqui e agora. E para o misticismo para aqueles que sem esperança na sua angustia interior, buscam a transcendência. Para o primeiro grupo, a construção de uma sociedade capitalista com liberdade econômica, mercado livre e competitivo, consiste seu ideal, seu projeto, sua filosofia existencial. Para o segundo grupo, sem condições de participar do projeto materialista do primeiro, os pobres, os miseráveis e marginalizados do processo, existe a possibilidade do sobrenatural, do místico, do mágico, da solução simplista. Ai, temos a idolatria, o esoterismo, o espiritismo, os evangélicos com uma proposta de céu, sem saber como chegar lá, prosperidade material sem compromisso com o reino de Deus e sua justiça, uma colcha de retalhos de doutrinas e bênçãos desencaixadas com o propósito eterno de Deus. Não existe uma visão clara de edificação da igreja dentro do processo histórico, onde ela possa oferecer ao mundo aquela segurança e senso de destino agora e transcendente. Precisamos redescobrir como Paulo, a filosofia divina através da igreja, para que zelosamente cada um possa contribuir com o processo de construir hoje, nosso futuro. Senão, como diz Provérbios 29.18: “Sem profecia (visão), o povo se corrompe...”

terça-feira, 8 de maio de 2012

O conteúdo de uma oração

No texto de Efésios 3.16-19, nos mostra a oração de Paulo pelos efésios e podemos reparar que as petições de Paulo são como degraus de uma escada. Como cada degrau que nos leva a um andar acima, cada ideia de Paulo leva a ideia seguinte. E o ponto mais alto podemos ver no verso 19: “...e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.”
Poderíamos nos perguntar o que Paulo estava pedindo a Deus? Paulo não esta pedindo que haja mudança nas circunstâncias que tem acontecido em sua vida (neste momento em sua vida ele estava preso, algemado e no corredor da morte), ele ora pedindo poder. Sua preocupação não é por coisas materiais, mas pelas bênçãos espirituais. O conteúdo das orações em nossos dias tem sido centrada no homem, na busca imediata por prosperidade e curas, mas como podemos ver na oração de Paulo aos efésios, ele fala de nossa necessidade espiritual. Por isso, ela é uma oração bem especifica. Ele não pede alivio dos problemas, mas poder para enfrenta-los. O poder é concedido a nós pelo Espírito Santo, por isso, precisamos ser fortalecidos com poder, porque somos fracos e nosso inimigo, o diabo é astuto. E nosso homem interior (mente, coração e vontade) depende totalmente do poder de Deus para vivermos em santidade. Por isso em nossas orações precisamos clamar a Deus para que o poder do Espírito Santo seja derramado em nós de acordo com as riquezas de Sua glória. 
“...e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor.” (vs 17).
Cada cristão é habitado pelo Espírito Santo e é templo do Espírito Santo, porém a habitação de Cristo em nossas vidas é uma questão de intensidade. A palavra habitar no original tem um sentido de alguém que se estabelece em um lugar. Refere-se a uma habitação permanente e não uma visita temporária. É quando alguém chega e toma posse, pode mudar os moveis de lugar, pintar novamente, jogar fora o que acha necessário. E ainda tem um sentido de alguém que se sente bem ou sentir-se em casa. Cristo sente-se em casa em nosso coração. Ele não está presente em nossos corações só para nós consolar e animar, MAS PARA REINAR! Se Cristo está presente em nossos corações, algumas coisas não podem estar (2 Co 6.17-18 e Gl 5.24).
A palavra vai nos revelando gradualmente a grandeza da glória de Cristo e a medida que cremos, vamos experimentando e sendo transformados a sua semelhança (2 Co 3.18). Não basta que Cristo esteja em nós, ele deve encher nossos pensamentos, sentimentos, atitudes, emoções, desejos e nossas intensões. E pensando nisto gostaria de citar alguns degraus que precisamos atingir:
1.     Se aprofundar no amor fraterno
“...estando vós arraigados e alicerçados em amor.” (vs 17).
Ainda poderíamos pensar porque Paulo pede poder do Espírito Santo e a plena soberania de Cristo em nós? E aqui amados eu fico maravilhado com a intensão de Paulo. Ele ora para que o cristão seja fortalecido para amar. Em nossa vida, como povo escolhido por Deus o amor é a virtude mais importante. Precisamos do poder do Espírito Santo e da habitação de Cristo para amar uns aos outros. Quando permitimos que Cristo reine em nossos corações, o fundamento da nossa vida é o amor! Paulo usa uma metáfora para expressar a profundidade do amor: Uma vem da botânica e outra, da arquitetura. Ambas enfatizam profundidade em contraste com a superficialidade. Devemos estar tão firmes como uma árvore e tão sólido como um edifício.
·         O amor deve ser o solo em que a vida deve ser plantada; e,
·         O amor deve ser o fundamento em que a vida deve ser edificada.
Uma árvore precisa ter suas raízes profundas no solo se ela quiser encontrar provisão e estabilidade. Assim também é o discípulo de Cristo. Precisamos estar enraizados no amor de Cristo.
2.     Precisamos compreender o amor de Cristo
“...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” (vs 18-19).
Aqui Paulo fala acerca de compreender e conhecer o amor de Cristo. Portanto em sua oração ele clama que todo discípulo tenha um conhecimento objetivo do amor de Cristo e uma profunda experiência n’Ele. Paulo ora para que possamos compreender o amor de Cristo em suas plenas dimensões: qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade deste amor.
·     Largura: O amor de Cristo é suficientemente largo para alcançar toda a humanidade. O amor de Cristo é tão largo que alcança toda tribo, língua, povo e nação. O evangelho é tão largo que não excluí ninguém que nele crê. (Ap 7.9 e Cl 3.11);
·     Cumprimento: ele é suficientemente cumprido para durar por toda a eternidade. Ele aponta para o tempo, começando no Éden, logo após a queda do homem, até o fim, quando Jesus voltar. Nunca houve e nem haverá, até Cristo voltar, um intervalo na operação poderosa e salvadora do evangelho (Jr 31.3 e Jo 13.1);
·     Altura: É suficientemente alto para levar-nos ao céu (Jo 17.24). Jesus nos levou do ponto mais baixo onde estávamos ao mais alto, nos fazendo filhos de Deus e nos assentando junto com Ele nos lugares celestiais; e,
·     Profundidade: Suficientemente profundo para alcançar o pecador mais degradado. O amor de Cristo chega ao mais terrível pecador (Ef 2.1-3). Não há nenhum pecador ou rebelde que não possa ser incluído em tão grande amor salvador (Is 53.6-7).
Porém, o conhecimento do amor de Cristo deve ser obtido no contexto da comunhão fraterna. Paulo diz: “...a fim de poderdes compreender, com todos os santos...” o isolamento e a falta de comunhão com os irmãos é um obstáculo para compreendermos o amor de Cristo. O amor de Cristo tem quatro dimensões como vimos, mas elas não podem ser medidas. Não temos as medidas destas dimensões. Fora do corpo de Cristo nem o mais hábil contabilista pode calcular as dimensões do amor de Cristo.  
Gostaria de concluir esta mensagem usando a conclusão da oração de Paulo: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” Devemos ser cheios não apenas com a plenitude de Deus, mas até a plenitude Deus. Devemos ficar cheios até o ponto de transbordar do Seu amor, em fé para alcançar o sermos semelhante a Jesus e cumprirmos o Seu eterno proposito (Rm 8.29).   

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A frutificação pela palavra de Deus

Os textos chave para nossa compreensão da ação da palavra na frutificação é a parábola do semeador anunciada por Jesus às multidões (Mt 13.1-8 e Lc 8.4-8) e explicada aos discípulos (Mt 13.10-13; 18-23 e Lc 8.9-15). O Tema é a frutificação: “Mas o que foi semeado em boa terra este frutifica, e produz, a cem, a sessenta e a trinta por um” (Mt 13.23). Alguns ensinamentos da parábola que nos são relevantes:
1.   A mensagem
Não é qualquer tipo de palavra que produz frutos na vida dos discípulos, mas a palavra do reino (Mt 13.19) ou palavra de Deus (Lc 8.11), isto é, a palavra que traz o governo de Deus, o evangelho do Reino (Cf. Mt 3.1-2).
2.   Os tipos de solo
Jesus fala de 4 (quatro) tipos de solo:
  • À beira do caminho, se refere àqueles que recebem a palavra superficialmente. Falta-lhes compreensão das implicações, da necessidade de arrependimento e conseqüente mudança de atitude em relação à palavra do reino. Ai vem Satanás e tira o que foi semeado no coração e impedem sua salvação (Mt 13.19 e Lc 8.12);
  • Solo Rochoso, uma referência àqueles que ouvem a palavra com alegria, mas não permitem que ela se enraíze, e chegando a angústia a perseguição e provação se escandalizam isto é negam a fé, se desviam (Mt 13.21 e Lc 8.13);
  • Solo espinhoso, referindo-se àqueles que ouvem a palavra do reino, mas não o priorizam. Os cuidados do mundo, a fascinação das riquezas (Mt 13.22). Lucas 8.14 inclui “deleites da vida”,  sufocam a palavra tornando-a infrutífera (Mt 13.22), isto é os frutos não chegam à amadurecer (Lc 8.14); e,
  • Solo bom ou boa terra, ou seja, aqui discípulos que produzem frutos, se multiplicam (Mt 13.23). Lc 8.14 inclui a expressão “Com perseverança”.
Outro texto interessante é o Salmo 1, que contrasta o justo com o ímpio. O Texto (Sl 1.1) mostra uma escada decrescente de degradação moral e espiritual relacionando-a com o homem bem aventurado que não anda:
  • No conselho dos ímpios (ensino, orientação, mentorização etc.). Este é o primeiro estágio da degeneração;
  • Não se detém no caminho dos pecadores (desobediência, incredulidade, imoralidade e toda perversão da verdade) e finalmente,
  • Não se assenta na roda dos escarnecedores (estilo de vida comprometido com a impiedade). Estes não prevalecerão no juízo nem permanecerão na congregação dos justos porque são como palha que o vento dispersa (Sl 1.4-5).
O Senhor conhece o caminho dos justos (Sl 1.6). Estes são aqueles cujo prazer está na lei (palavra) do Senhor e nela medita dia e noite (Sl 1.2). O Justo que é instruído na palavra de Deus é comparado à árvore plantada junto às correntes das águas que, no seu tempo dá seu fruto (Sl 1.3). Não tenhamos dúvidas, a palavra de Deus como nossa marca característica de fé e prática, nos torna discípulos saudáveis e frutíferos. Atentemos para a oração de Jesus: “Santifica-os (seus discípulos) na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).