"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



terça-feira, 30 de abril de 2013

A sedução das amizades do mundo


Não são poucos aqueles que foram seduzidos por falsas amizades, que foram arrastados pela correnteza das influências erradas, que fez brotar em seu coração o fazer escolhas erradas e que hoje estão se afundando em um terrível engano de viver uma vida sem Deus e sem esperança.  
Muitos dos que estiveram louvando a Deus, com a mão no arado, com os olhos fitos em Jesus, engajados em Sua obra, estão agora longe de Deus, com o coração totalmente gelado, presos no pecado, que um dia rejeitaram, porque sem perceber, foram se envolvendo com amizades que os arrastaram de abismo em abismo para uma queda desastrosa e de consequências eternas.
Muitos têm vivido como o filho prodigo, saem da casa do Pai, cheios de insatisfação, maldizendo as bênçãos pela influência de amizades mundanas, e hoje se encontram longe de Deus, distante da paz, distante da alegria, distante de uma vida abundante.  Outros, porém, abandonados, desiludidos, curtem a infelicidade da rejeição e da solidão, no engano da autoimagem destruída, do corpo agredido e destruído pelas drogas, fruto de uma mente sucateada pela febre do pecado e da cultura de se viver uma vida dupla.  
Muitos, por causa dos amigos, deixam o verdadeiro Amigo (Provérbios 1.10). Por causa das diversões e do prazer instantâneo, deixam a alegria da vida eterna e buscam andar pelo caminho largo que conduz à perdição.
Como é triste ver tantos discípulos desviados, pois o coração foi se esfriando, a consciência foi se anestesiando e a assembleia dos santos foi trocada pela roda dos escarnecedores. Seus lábios que um dia exaltavam ao Senhor, agora estão cheio de blasfêmia. Os ouvidos que tinham prazer em ouvir a voz de Deus, agora são entulhados por músicas depressivas. Os olhos que se alegravam em contemplar as maravilhas de Deus, agora estão cheios de maldade. A mente que se deleitava em meditar na palavra de Deus, agora está cheia de malicia. Os pés que se apressavam a ir à casa de Deus, agora correm a andar em caminhos tortuosos. As mãos que pelejavam para o bem, agora não estão mais a serviço de Deus.
Ah! Que coisa triste, que destino infeliz, que herança ruim terá aqueles que se afastam do Senhor por causa de falsas amizades, amizades mundanas. Estavam num caminho eterno, porém, agora estão perdidos. Misericórdia, Senhor!   

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fé morta!


A fé é uma doutrina chave no cristianismo. O pecador é salvo pela fé (Ef 2.8-9). O justo vive pela fé (Rm 1.17). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Tudo o que é feito sem fé é pecado (Rm 14.23). No livro de Hebreus, capitulo 11, podemos encontrar a galeria da fé em que homens e mulheres creram em Deus, viveram e morreram pela fé. Fé é a condição de que a palavra de Deus é verdadeira, não importam as circunstancias. Diante da leitura do texto de Tiago (Tg 2.14-17), me surge uma questão: Qual é o tipo de fé que salva uma pessoa? Nem todas as pessoas que dizem crer em Jesus estão salvas (Mt 7.21). Podemos entender segundo Tiago, que existe uma fé morta (Tg 2.17). Quais são então as características de uma fé morta?
É uma fé que não provem de uma vida santa.
      A fé morta está divorciada da prática da piedade. Há um distanciamento, um abismo muito grande entre o que a pessoa professa e o que ela vive. Ela crê na verdade, mas não é transformada por essa verdade. A verdade chegou a sua mente, mas não desceu a seu coração. Erramos ao pensar que apenas falar ou defender um credo ortodoxo faz de uma pessoa um cristão. A fé que não produz vida, que não gera transformação, é uma fé que não é genuína (Mt 7.21). Há muitas pessoas que dizem que creem, mas não vivem o que creem. Isso é fé morta!
     É uma fé meramente intelectual
      A pessoa concorda com a verdade, mas esta verdade não a transforma. No verso de Tiago 2.14, Tiago nos pergunta: “Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” No que temos acreditado? Onde temos colocado nossa esperança?
      Muitas vezes erramos, pois dizemos que temos fé, mas na verdade não temos. Às vezes substituímos obras por palavras. Concordamos com a mensagem da Cruz, mas não colocamos em prática em nossa rotina diária. Temos um discurso, mas não o seguimos. Aquilo que cremos está apenas em nossa mente, mas não conseguimos por em prática.  
     É uma fé que não produz frutos
      É resultado de uma fé inoperante, ela não produz frutos. Não produz arrependimento. Ela tem sentimento, mas não produz ação. Tiago da dois exemplos de fé morta (Tg 2.15 e 16), comida e roupas são necessidades básicas. Como discípulos de Cristo, devemos ajudar a todos e, principalmente, aos que professam a mesma fé (Gl 6.10). Deixar de ajudar os necessitados é fechar o coração ao amor de Deus (1Jo 3.17-18). Precisamos nos vigiar para não errarmos pregando sobre nossa fé, mas não demonstrando a mesma fé (Lc 10.31-32). Tiago diz que a fé sem obra é incompleta (Tg 2.22), pois são as obras que demonstram a nossa fé. Obras são evidências da fé. Paulo diz que somos salvos pela fé para as obras (Ef 2.8-10).
      Concluindo, Tiago é claro ao afirmar que a fé sem obras está morta (Tg 2.17 e 26). Não podemos ser discípulos de Cristo e ao mesmo tempo, ignorar as necessidades dos outros. Devemos reconhecer que, se há alguém com fome e nós temos os meios para socorrê-lo, não somos discípulos de Cristo de verdade se não ajudarmos esta pessoa. Não podemos ser indiferentes às necessidades do próximo e ainda professar que somos discípulos.
      Você conhece um discípulo de Cristo não pelo conhecimento que ele adquire ou pelas emoções que demonstra, mas pela vida que ele vive (Tg 2.18).
      Pense nisso!  

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Nosso Testemunho


Todos nós precisamos de modelos para viver. Aprendemos pela observação. Quando seguimos os passos de pessoas que nos ensinam, temos em mente aprender com seus atos e exemplo. Porém, quando seguimos os modelos errados, colhemos frutos amargos, que causam muita dor e decepção.
Precisamos de referenciais, marcos que balizem o nosso caminhar diário.  Tiago em sua carta no capitulo 1 versos 19 ao 27 ele nos ensina que tem pessoas que são como um espelho em nossas vidas, pois seu testemunho edificam nossas vidas. Quando miramos no espelho vemos a nós mesmos. O espelho nos mostra quem somos e aponta-nos onde precisamos melhorar ou mudar algo em nossas vidas. É tremendo a comparação que Tiago faz aqui, pois o espelho possui algumas características que lança luz sobre este tema que gostaria de compartilhar com os irmãos neste texto. O espelho nos mostra como ser referencial para as pessoas, demonstrar a nossa fé e esperança em Cristo. 
O espelho é mudo
      O espelho é mudo e nos mostra quem realmente somos não pelo som, mas através da imagem. Ele não fala, ele revela. Não faz barulho, mas nos leva a refletir. Assim deve ser o nosso testemunho, mais visível que audível. Ele precisa ser visto por aqueles que estão perto de nós, na vida do lar, no trabalho, na escola, enfim, por onde passamos as pessoas precisam ver Cristo em nós. Não podemos confessar a Cristo somente com palavras, mas, sobretudo com vida e com exemplo. O exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas a única forma eficaz (Jesus ensinava com seu exemplo - Atos 1.1).
O espelho deve ser limpo
      Um espelho sujo e embaçado não reflete a imagem que precisa ser vista. Há um perigo quando tentamos viver uma vida dupla, quando usamos mascaras e tentamos viver como um ator representando uma falsa esperança, tentando falar uma coisa e vivendo outra na realidade. Criando assim um abismo entre o que confessamos e o que praticamos. Amados, precisamos ter zelo por nosso testemunho, pois quando nossos atos reprovam nossas palavras, podemos ser como um médico que começa uma cirurgia sem fazer assepsia das suas mãos. Agindo assim, podemos deixar pessoas confusas e decepcionadas. Quando nossas vidas não refletem aquilo que pregamos (Tiago 1.23-24).
      Vivemos em meio a uma sociedade que carece de modelos. As pessoas não estão buscando a verdade que liberta, mas algo que funcione para o que ela está precisando naquele momento. Não podemos pregar aquilo que as pessoas querem ouvir, mas precisamos anunciar o evangelho do Reino que as leve ao arrependimento. Dar ênfase as curas, milagres e prosperidade não é o evangelho da cruz de Cristo.  O resultado destas ênfases é que o povo de Deus tem perecido por falta de conhecimento e de padrões: O espelho está embaçado!!!
O espelho precisa ser plano
      Um espelho torto distorce e altera a imagem. As pessoas precisam ver em nós a face de Cristo. Não podemos cair no erro de criticar e combater em publico, aquilo que praticamos em secreto. Não podemos condenar nos outros, aquilo que o Espírito Santo tem trabalhado para tirar de nossos corações (Mateus 7.1-5). Quanto mais amada for uma pessoa, maior poderá ser a dor se ela destruir com suas próprias mãos o referencial em que ela investiu toda uma vida para ensinar alguém. Vivemos uma crise de referencial, falta modelos em nossa sociedade. Por isso não vemos transformação na vida das pessoas.
      Concluindo, o espelho precisa ser iluminado. Sem luz podemos ter o espelho e a imagem, mas mesmo assim os olhos não conseguem ver. Deus é luz! Sua palavra é luz. Sempre que nos afastamos daquilo que Deus tem para nossa vida, a luz se apaga e erramos o alvo. O Senhor nos chama para sermos luz na vida de pessoas, referencial de vida e louvor a Deus. Para que todos aqueles que ainda não conseguem ver o caminho possam olhar para nossas vidas e ver Cristo e sua glória. Quando somos um graveto seco que pega o fogo do Espírito Santo, até a lenha molhada e verde se queima!        

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Precisamos aprender a ouvir!


A comunicação é a chave para um relacionamento saudável. Dependendo da maneira de como nos comunicamos, podemos gerar vida ou matar um relacionamento. Não podemos menosprezar o momento em que vivemos, pois estamos no século da comunicação virtual. Passamos mais tempo com as maquinas e vivemos mais distante das pessoas. Conheço um amigo que chega ao ponto de se comunicar com a esposa em “casa” via mensagem eletrônica do celular. Senhor! Onde vamos chegar...
O verdadeiro discípulo de Cristo deve saber se controlar tanto verbal quanto emocionalmente. Devemos também saber lidar com a palavra e também com a ira. Nada pode substituir uma boa conversa que precisamos ter pessoalmente. Olhar nos olhos, enxergar a necessidade do meu próximo, nenhuma maquina pode ser melhor que um tempo de comunhão junto a mesa, um café entre irmãos, um jantar onde o prato principal é uma boa e saudável conversa. Ao ler o livro de Tiago, me chamou a atenção sobre como ele trata este tema: “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.” (Tiago 1.19-20). Tiago nos oferece um conselho, no qual não podemos desprezar, pois nos ensina, a saber, lidar com a palavra e também com a ira, situações que nos ocorrem constantemente em nosso dia a dia, vamos refletir estes pontos:
Devemos estar sempre prontos para ouvir : “...todo o homem seja pronto para ouvir...” O termo “pronto” no grego é tacuv"/tachys, de onde se deriva a palavra táxi (rápido). O táxi é um carro de serviço. Ele deve estar sempre disponível, pois seu objetivo é atender a necessidade do cliente. Se vamos usar um táxi, é porque estamos com pressa. Não podemos esperar.  Assim ocorre com a comunicação. Devemos ter pressa para ouvir. Um pensador antigo, dizia: “Temos dois ouvidos, mas apenas uma boca. Assim podemos escutar mais e falar menos.” Não podemos nunca nos esquecer que nossas orelhas são externas, mas nossa língua está presa entre os dentes. Precisamos estar sempre preparados para ouvir a voz de Deus, do Espírito Santo e do nosso próximo.  Amados há algo perigoso em nossos dias, sem perceber, estamos perdendo o interesse em ouvir. E o resultado disso é catastrófico, pois temos visto famílias se desmoronando, casamentos em desarmonia, relacionamentos se fragmentando. Se estivéssemos prontos para ouvir, com a mesma disposição em que estamos prontos para falar, com certeza, haveria menos ira e mais encontros abençoados e saudáveis entre nós!  O ser humano tem necessidade de falar. E cada vez mais menos pessoas dispostas a ouvir. Por isso, as pessoas têm buscado os divãs de psicanalistas, pois não conseguem armazenar no peito as pressões e decepções que carregam no coração. Falar é uma necessidade básica e ouvir é uma responsabilidade vital para aqueles que desejam construir relacionamentos saudáveis e maduros. Como discípulos de Cristo, precisamos aprender a ouvir não somente com os ouvidos, mas também, com os olhos e com o coração.
      Tiago nos ensina que precisamos investir tempo e atenção para ouvir as pessoas. Ele nos mostra uma regra que precisamos seguir constantemente em nossa vida cristã: “Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas.” Esta é uma conduta de ouro na comunicação interpessoal, porque hoje estamos caindo no erro de substituir relacionamentos por coisas. Estamos correndo atrás do urgente e deixando o que é importante de lado. Valorizando coisas, objetos e não os relacionamentos e sendo assim, substituindo pessoas por coisas (celulares, computadores, internet, tv, etc..).
      Devemos ser tardios em falar: “...tardio para falar...” precisamos estar atentos sobre o que temos falado, como falamos, quando falamos, com quem falamos e por que falamos. A palavra braduv" /bradys nos dá a ideia de uma pessoa que tem dificuldades para compreender logo de inicio o que lhe foi dito e necessita, portanto, de tempo para reflexão. Devemos pensar bem lentamente antes de falarmos. Não ter pressa.  Geralmente falamos antes de pensar, de ouvir, de orar, de medir as consequências. Devemos ter muito temor aqui, pois: “A morte e a vida estão no poder da língua...” (Pv 18.21). As palavras podem dar vida ou matar. Quero ser como Davi em sua oração: “Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios.” (Sl 141.3).  Tiago aqui, nos leva a ver a necessidade de refletirmos antes de falar, para sabermos o que responder e como responder. O que vamos dizer é verdadeiro? É oportuno? Edifica? Transmite graça ao que vai nos ouvir?
      Devemos ser tardios em irarmos: “...tardio para se irar.” Tiago está dizendo que a ira deve ser tratada com reflexos lentos. A maior demonstração de força está no domínio próprio e não no domínio que podemos exercer sobre os outros. Salomão inspirado pela sabedoria divina nos ensina: “Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso, e o que controla o seu ânimo do que aquele que toma uma cidade.”(Pv 16.32). Amados, não podemos esquecer nunca que a ira humana é descontrolada, desgovernada, destruidora e pecaminosa. É obra da carne e não opera a justiça de Deus. Há dois perigos com respeito à ira: 1) A explosão da ira, ou seja, o temperamento indisciplinado. 2) A implosão da ira, ou seja, o temperamento guardado. Uns atacam e quebram tudo à sua volta quando estão irados. Outros guardam a ira e levam-na para seu intimo e essa fera enjaulada destrói tudo por dentro: A saúde, a paz e a comunicação com Deus e com o próximo. Precisamos aprender a lidar com nossos sentimentos. Podemos ser pessoas temperamentais e provocar grandes transtornos na família, na igreja, no trabalho e na sociedade. Posso às vezes tentar encobrir pecados dizendo que sou sincero e não vou levar desaforo para casa e depois de explodir, tudo volta ao normal. O problema aqui é que na explosão da ira, falo o que não devo, jogo estilhaços para todos os lados. Alguém que não tem domínio próprio fere e machuca quem esta perto. Por outro lado, o congelamento da ira é um mal terrível.  Há muitos que ficam como um vulcão em eminência de explodir. Estão em aparente calma, mas as lavas incandescentes queimam por dentro. A magoa produz grandes tormentos. Onde ela prevalece, reina a dor e o inimigo sempre leva vantagem (2 Co 2.10-11). 
      Concluindo, eu disse no inicio que a comunicação é a chave para um relacionamento saudável. Dependendo da maneira de como nos comunicamos, podemos gerar vida ou matar um relacionamento. Aprendemos com Tiago que devemos investir com todo empenho no ouvir do que ter pressa para falar e assim refletir como temos respondido as questões que se levantam em nosso dia a dia. Podemos agir com amor e graça sendo benção na vida de todos que estão ao nosso lado, podendo assim transformar o ambiente que frequentamos e vivemos. Deixando as marcas de Cristo em nossas esposas, filhos, amigos, parentes, enfim, em todos.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Precisamos transformar nossas tribulações em triunfo


Ao lermos o texto de Tiago 1.2-4, podemos deduzir que as provações são compatíveis com a nossa fé (vs. 2). Por que os crentes sofrem? Por que um crente passa por privações? Por que sofre prejuízos?  
Amados, não podemos nos esquecer que o Senhor nos adverte para estarmos preparados para passarmos por provações (“...no mundo tereis aflições...” Jo 16.33).
Paulo diz: “...por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus...” At 14.22.
Sendo assim, confiantes em Cristo e no Seu ensino, precisamos aprender com as tribulações, pois elas procedem:
        1.   Da nossa humanidade
Somos humanos, sofremos doenças, estamos passiveis a sofrer acidentes, sermos desapontados. Enfim, somos mortais.
        2.   Da nossa natureza pecaminosa
Criamos problemas com nossa língua, com nossas atitudes e reações. Por exemplo: Uma pessoa que morre de câncer, depois de ter fumado por anos, não pode culpar ninguém por sua morte. Muito de nosso sofrimento é fruto de nossas escolhas erradas.
        3.   Da nossa vida cristã
Por declararmos Cristo como Senhor de nossas vidas, somos perseguidos por satanás, pelo mundo e por nossa carne, pois militam contra o Espírito que habita em nós! Por isso, não podemos deixar de glorificar a Deus em nossas vidas. Como Cristo disse na questão do cego de nascença: “...mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.” (Jo 9.3).
Concluindo, qual deve ser a nossa atitude diante das tribulações que podemos sofrer? Tiago responde: “...tende por motivo de grande gozo...” Em vez de murmurar, reclamar, de ficar amargo. Devemos nos alegrar intensamente. Essa alegria é confiança segura na soberania de Deus, de que Ele está no controle, Ele sabe o que está fazendo. Maturidade espiritual não se aprende em livros de auto-ajuda, é preciso passar pelas provas (1 Co 3.1-23). 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Não podemos nos cansar de fazer o bem!

“E OUTRA vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se. E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3.1-5).
Ao meditar neste texto hoje pela manhã, o Espírito Santo me chamou a atenção para o fato, que Jesus estava mostrando a todos que estavam ali reunidos, que há pouca diferença entre fazer o mal e deixar de fazer bem (Tiago em sua epístola, também nos adverte acerca deste fato - Tg 4.17).  A alguns pontos neste texto, que vale a pena ponderarmos:
1. Há uma necessidade de um renovo espiritual em nossas vidas (vs. 1 e Ef 2.1). Pela pressão e correria do dia a dia, acabamos por ficar indiferentes a fatos e situações que ocorrem ao nosso redor. Quantas pessoas que fazem parte de nossas rotinas diárias não estão com suas mãos ressequidas, pelo pecado. Suas mentes doentes deformadas pelas angustias emocionais e morais. Suas vidas sobrecarregadas pelo peso dos traumas que carregam. Não podemos nos esquecer, nunca, que Jesus prometeu estar presente no meio do Seu povo eternamente (Mt 28.20).
2. Todos nós somos chamados por Cristo para reconhecermos nossas necessidades e declará-las publicamente! “...vai para o meio...” (vs. 3). Jesus conhece os nossos mais secretos motivos do coração! Jesus não está somente presente em nosso dia a dia, Ele também examina nossos corações, Ele conhece nossas motivações. Seus olhos são como chamas de fogo (Ap 1.14 e 2.18). Jesus está presente vendo não somente nossa postura exterior, mais sim, nosso coração. Ele investiga nossas motivações, Ele sonda nossos corações, conhece nossos pensamentos, investiga nossa consciência. Ele discerne a dureza de nosso coração. Algo importante que o texto de Mc 3.5 nos ensina é que Jesus em sua indignação não usou sua ira para exercer juízo na vida daqueles homens, mas sim, para encontrar soluções construtivas e corrigir o problema, curando o enfermo, sendo assim, cheio de compaixão do necessitado demonstrou amor, diante de tão grande dureza nos corações.
3. Todos nós precisamos exercer fé estendendo nossas mãos ao Senhor (vs.5). Na passagem paralela deste texto em Lucas 6.8, Jesus encorajou aquele homem a assumir sua condição publicamente. Jesus diz aquele homem: “levanta-te!” Aquele homem estava prostrado, caído, cabisbaixo, derrotado, vencido. E o pior, não queria confessar publicamente sua necessidade. Antes da cura, é preciso assumir a condição da doença que enfrentamos. Não podemos nos esconder, precisamos quebrar todo embaraço, sair da caverna, assumir nossa condição de total dependência do amor e da misericórdia de Deus. É preciso reconhecer nossa condição e declará-la publicamente, diz Lucas: “Ele se levantou e permaneceu em pé...” (Lc 6.8).
Antes de curar-nos, Jesus quer nos livrar de tudo que impede o mover do Espírito Santo em nós. Antes do Senhor curar a Naamã, Ele mandou-o mergulhar no rio Jordão sete vezes. Por que? Para que Naamã se despojasse de sua amadura e assumisse publicamente que era leproso. Diante de nossos fracassos e falhas o Senhor nos cura, assim como fez com Pedro diante de uma noite de pescaria frustrada e vergonha para um exímio pescador, que em seu conhecimento nada pescou. Jesus diz a Pedro: “Faze-te ao largo e lançai as vossas redes para pescar...” (Lc 5.4).  Pedro atendeu a ordem de Jesus e apanhou grande quantidade de peixes e reconheceu a sua condição (Lc 5.8).
Concluindo, amados, Jesus não mudou. Sua palavra tem a mesma autoridade hoje. Se você crer, algo extraordinário pode acontecer com você. Talvez sua vida emocional esteja amassada e atrofiada.  Talvez seus relacionamentos esteja ressecados e sem vida. Talvez seu casamento já perdeu a alegria e o entusiasmo. Talvez sua vida financeira esteja em colapso e na UTI. Meu irmão, deixa eu te dizer algo, Jesus pode dar vida nova ao que está morto e vitalidade ao que está ressecado. Quando obedecemos ao Senhor, vemos o milagre acontecer! Creia sempre!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Igreja nas casas, caminho para espiritualidade integral


Vivemos tempos difíceis em nossa compreensão sobre igreja em função de uma espiritualidade que não responde concretamente a sua natureza e expressão na sociedade. Voltar à igreja neotestamentaria em nosso contexto onde os horizontes culturais não são mais os mesmos nos leva a um campo de discussões sem fim, porque a igreja não pode ser compreendida à parte de seu contexto. 
Não obstante, existem princípios e valores eternos aplicáveis em qualquer contexto cultural. Ao tratarmos, portanto, de igrejas nas casas queremos abordar algo que é inerente à vida em família, que é relacionamentos próximos e comprometidos que facilitam o exercício de uma espiritualidade integral. Não pretendemos aqui neste campo, exaurir o tema, propomos apenas um caminho que em nosso tempo tem sido tratado a nosso ver, de maneira equivocada como método, estrutura de crescimento, modelos gerenciáveis, etc.
Por espiritualidade integral no âmbito de igreja nas casas, propomos um estilo de vida comprometido com Jesus Cristo e com as escrituras no poder do Espírito Santo.
1. O que é Espiritualidade Integral
Sem pretensão de uma definição exaustiva, apenas com a intenção de aplicar este conceito a igreja nas casas se faz necessário compreender os termos:
· Espiritualidade: Diz respeito à maneira como expressamos os conteúdos de nossa fé. A fé cristã não pode ficar enclausurada em nossas crenças e confissões, sem que seja demonstrada através de ação consequente. A fé sem obras é morta (Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” Tiago 2.17).
· Integral: Diz respeito a algo inteiro (espírito, alma e corpo) e como nossa espiritualidade afeta a comunidade e a sociedade como um todo. Com isto, queremos dizer que o individual influencia a comunidade e esta a sociedade. A respeito disso, alguém disse que não foram os aspectos sócio-políticos ou econômicos que derrubaram o império romano, mas a ética cristã baseada no amor que freava o ímpeto violento através do qual as autoridades romanas sustentavam o império. Embora seja importante, o crescimento numérico não é o critério para definir a espiritualidade da igreja, mas como ela impacta a sociedade e promove transformações sociais e culturais relevantes segundo as escrituras.
2. Uma Visão Espiritual 
Em uma de nossas reuniões de oração, um dos pastores disse ter tido um sonho de um ser com três tentáculos que procurava atingir a igreja. Oramos e discernimos que os alvos de satanás (ser com três tentáculos) era:
a. A liderança da igreja;
b. As famílias; e,
c. A próxima geração, inclusive as crianças.
      Discernimos também que a estratégia para deter deste intento maligno se resumia em três pontos:
a. Renovação de nossa fé na palavra escrita. A Bíblia é a palavra de Deus;
b. Restauração das famílias e suas funções dentro do atual contexto; e,
c. Fazer discípulos comprometidos com Jesus e seu reino. 
    A igreja nas casas se torna uma realidade espiritual e existencial, com famílias que creem na palavra de Deus, são discípulos e expande o reino de Deus a partir de suas próprias casas, aonde vizinhos, parentes, amigos, colegas de trabalho e estudos se tornam um campo missionário. Este é inclusive um caminho para a missão translocal e transcultural.
3. Problemas da Cultura Atual
Família: As famílias dos tempos bíblicos vetero-testamentario eram formadas por clãs divididas em tribos (a família patriarcal). Depois tivemos a família estendida (pais, avós, netos, sobrinhos, primos, compadres, etc..). Hoje temos por causa da revolução industrial e urbana a família nuclear (pai, mãe e filhos). Agora com a perda dos referenciais absolutos de verdade e moralidade, cada membro da família nuclear esta se tornando uma entidade autônoma. Aqui ocorre a perda de identidade cultural e o esfacelamento da missão dos pais em relação à educação dos filhos.
Igreja: São guetos divididos em denominações e organizações para-eclesiásticas, com ênfase em eventos, métodos, psicologia, modelos de crescimento gerenciáveis, completamente envolvida pelo sistema mundano em suas cosmovisões da vida, e está como a sociedade secular, fragmentada em grupos diversos. A igreja perdeu sua identidade bíblico-teológica.
4. Igrejas nas Casas e Espiritualidade Integral
O contexto de vida da igreja primitiva eram as casas:
- Rm 16.5 - se reúne na casa deles;
- Rm 16.14 - se reúnem com eles;
- 1 Co 16.19 - igreja que está na casa deles;
- Cl 4.15 - hospeda em sua casa; e,
- Fm 1.2 - igreja que está em sua casa.
Estas expressões, se reúne, está e hospeda indicam um tipo de espiritualidade dinâmica que envolvia a família toda na obra do Senhor. Muitas igrejas nas casas de uma cidade constituíam a igreja na cidade (1 Co 1.2). Basicamente o contexto oferecia condições para evangelização, discipulado, comunhão e boas obras (Conferir a ressurreição de Dorcas em At 9.36-42. Ela era uma discípula notável pelas boas obras. Por causa de sua ressurreição muitos se converteram ao Senhor). O contexto da igreja nas casas permitia a proximidade, a hospitalidade, a solidariedade e os relacionamentos. Muito diferente de nossas igrejas hoje, onde os membros desenvolvem uma espiritualidade concentrada nos prédios, distante de onde vivem como cidadãos comuns, sem compromisso com uma espiritualidade integral a partir de sua casa.
Espiritualidade Integral envolve a família toda:
    Em Rm 16, temos nove mulheres identificadas na obra do Senhor e certamente quando lemos os da casa (Rm 16.10, 14 e os irmãos que se reuniam nas casas temos mais mulheres e filhos inclusive). Febe, por exemplo, servia a todas as igrejas nas casas em Cencréia. Nenhuma delas é identificada por títulos. Ser mãe, por exemplo, é uma missão (cf. 2.15; 3.14-15 - A espiritualidade está comprometida com a condição biológica).  Não sabemos ainda as conseqüências todas do erro que mães estão cometendo, terceirizando a educação de seus filhos. O excesso de especialistas médicos e para-médicos para tratar problemas existenciais das crianças aumenta em proporções gigantescas Parece que fomos criados para o sistema, não para o propósito de Deus em Cristo de ter uma grande família de muitos filhos iguais a Jesus. Espiritualidade integral que não começa em casa não é espiritualidade bíblica.
Havia vínculos definidos:
Embora houvesse uma única igreja dividida nos lares, eles não eram dispersos. Podemos deduzir isto quando lemos: “... a igreja que se reúne com eles” (Rm 16.5). Ou ainda: “... os santos que se reúnem com eles...” (Rm 16.15).
Havia governo de presbíteros sob a supervisão de equipes apostólicas:
Diferentemente do que muita gente pensa, as igrejas apostólicas eram organizadas, tinham reuniões regulares, celebravam a ceia juntos e eram supervisionadas e pastoreadas por presbíteros nomeados e igualmente supervisionados pelos apóstolos. É preciso compreender que a igreja não é uma democracia, sim uma fraternidade comprometida com Jesus, seus ensinos e mandamentos (Cf. Mt 28.18-20 e At 20.17-35).
     Concluindo, igrejas nas casas não é uma metodologia a ser implantada, mas um estilo de vida a ser praticado. Achamos que vamos ter que rever muitas coisas, se quisermos ter uma espiritualidade integral. Não é preciso nisto usar desconstrucionismos ou ênfases setorizadas, mas sinalizarmos mudanças que apontam para uma nova realidade de sermos uma igreja que vive e pratica a espiritualidade integral.