"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



sexta-feira, 22 de julho de 2016

A beleza dos joelhos dobrados!

“Porque eu sabia que eras obstinado, e a tua cerviz é um tendão de ferro, e tens a testa de bronze.” (Isaías 48.4). 
Estava meditando neste texto de Isaías e comecei a refletir um pouco sobre a forma como o Senhor nos criou, Deus nos criou eretos, porem precisamos aprender a dobrar nossos joelhos e nos curvar, principalmente diante do Criador!
Mas as vezes (ou quase sempre) esta é uma posição incomoda e não temos facilidade em nos curvar. Na maioria das vezes somos resistentes a nos dobrar e ajoelharmos (“Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo obstinado.” Êxodo 32.9). 
Algo que me chama a atenção no texto de Isaías, é que Deus está nos exortando, dizendo que o tendão do pescoço era de ferro e a testa era de bronze. Fico imaginando como as vezes nos portamos assim, somos orgulhosos, obstinados e teimosos. Assim caímos no erro de se tornar alguém que não se dobra, não se ajoelha, não coloca o rosto no chão. (colocamos nossa confiança em outras coisas...).  
Sabe meus irmãos, precisamos descobrir a graça que existe nos joelhos dobrados, em se humilhar na presença do Senhor. Quando nos ajoelhamos, quebramos o orgulho e tudo que impede o fluir da graça do Pai em nossas vidas. Ao nos ajoelharmos nos aproximamos de Deus e esta é uma reverencia aceita por Deus, demonstramos nossa confiança e comunhão com Ele (Pedro nos ensina assim: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” 1 Pedro 5.6-7).
Podemos ver na Bíblia, pessoas extremamente necessitadas aproximando-se de Jesus e se ajoelhando diante d’Ele para suplicar por seu favor e vale a pena relembrarmos: Como Marcos cita o homem leproso que se ajoelha diante do Redentor: “Aproximou-se d’Ele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me.” (Marcos 1.40). Ou o clamor de um pai desesperado diante da grave doença de seu filho: “E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se d’Ele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água.” (Mateus 17.14-15). 
Pensando um pouco sobre este tema, gostaria de destacar alguns pontos para refletirmos:
1. Os joelhos dobrados nos ajudam a vencer a carne
Precisamos voltar aos joelhos dobrados. Nossa oração rompe as barreiras e quebra as amarras que nos prendem. As vezes caímos no engano de achar que as circunstancias, dificuldades que enfrentamos são maiores e mais forte do que nós. Não podemos dar lugar a carne! A uma batalha que ocorre dentro de nós e o apostolo Paulo faz uma afirmação importante para nós na Carta aos Gálatas: “Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne”(Gl 5-16). Neste verso podemos ver um mandamento e uma promessa libertadora.
· Mandamento: “vivam pelo Espírito...”
· Promessa: “vocês não vão satisfazer os desejos da carne...”
Imagino que muitas vezes dentro do contexto que vivemos podemos sentir um certo constrangimento e dificuldade em afirmar que “vivemos pelo Espírito”. Contudo, essa afirmação é central. Ser discípulo de Jesus é viver pelo Espírito Santo.
Viver pela “carne” não é apenas viver em devassidão e pecando, é viver uma vida autocentrada, autoconfiante, autossuficiente. O que importa é a minha vida, minha felicidade, minha realização, minhas opiniões, meu ministério, meu jeito e por aí vai.  A vida no Espírito é a vida centrada em Cristo. Nossa confiança é depositada n’Ele. O que mais importa é o Seu reino e Sua justiça, seus mandamentos e Sua palavra, Sua vida e Seu exemplo. O que nos torna insensíveis, descompromissados, ciumentos ou invejosos é a forma voluntariosa e autocentrada como vivemos. Quando vivemos pelo Espírito nos tornamos pessoas mais livres e verdadeiras. Aprendemos a amar, não qualquer forma de amor, mas o amor de Jesus Cristo. Experimentamos a alegria, não qualquer forma barata e passageira de alegria, mas a alegria de Jesus. O Espírito Santo toma aquilo que é de Cristo e o torna nosso. A mesma comunhão (participação) que o Espírito realiza entre o Pai e o Filho, ele realiza entre os discípulos e o Filho, e, por meio do Filho, entre os discípulos e o Pai.
2. A experiência dos joelhos dobrados é viver a vida de Cristo pelo poder do Espírito Santo.
É andar no Espírito. A vida autoconfiante da carne se opõe à vida entregue ao Espírito. O esforço humano jamais alcançará a liberdade da vida em Cristo. No entanto, Paulo reconhece que podemos participar da obra do Espírito. Ele diz: “Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna”. Semear para o Espírito é o caminho do discípulo de Cristo.
É neste momento precisamos olhar para o exemplo que vários homens e mulheres da Bíblia. Eles se punham de joelhos diante de decisões e dificuldades que estavam enfrentando, como Salomão, diante do desafio de governar a nação se põe de joelhos diante do Senhor: “Sucedeu, pois, que, acabando Salomão de fazer ao Senhor esta oração e esta suplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os céus, se levantou diante do altar do Senhor.” (1 Reis 8.54). 
Vemos também Esdras em sua indignação pela nação, caindo de joelhos e clamando ao Senhor: “e perto do sacrifício da tarde me levantei da minha aflição, havendo já rasgado as minhas vestes e o meu manto, e me pus de joelhos, e estendi as mãos para o Senhor meu Deus...” (Esdras 9.5). 
Quantos de nós não somos colocados em situações difíceis de resolver, você inclusive neste momento pode estar sendo perseguido em seu trabalho ou escola, pode ainda estar sendo caluniado e tendo pessoas armando para sua vida. Deixa eu te dizer algo sobre este homem de Deus: Daniel! Ao saber dos planos que conspiravam contra ele, ao ponto dele ser lançado na cova dos leões, qual foi sua reação: “Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa... e se punha de joelhos, e orava e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer...” (Daniel 6.10). O Senhor enviou o Seu anjo e fechou a boca dos leões!
Concluindo, eu poderia ficar horas aqui falando várias situações em que homens e mulheres se colocaram de joelhos diante do Senhor clamando por Seu socorro, mas eu gostaria de dizer algo a você amado irmão, Paulo escrevendo aos efésios revela uma graça valiosa: “Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai e oro para que Ele os fortaleça com poder, por meio do Seu Espírito.” (Ef 3.14-16).  Precisamos voltar a pratica da suplica, do rogo, pois em relação a oração nossos joelhos não podem ficar ociosos. Eles foram feitos para se dobrarem diante do Todo-Poderoso, por isso o salmista nos convida: “Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador” (Sl 95.6). Amados precisamos aprender a fazer isso para que, na plenitude da graça:  “...ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fp 2.10-11).
A Deus toda a gloria!