"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Prepare o caminho do Senhor!

Temos vivido dias difíceis onde a mensagem do evangelho tem sido deturpada diante de um estilo de vida cada vez mais governado pelo mundo. Há um divórcio entre o que se prega e o que se vive. Há uma distância entre a fé e as obras. Não vivemos o que pregamos e pregamos o que não vivemos.
Como lemos no texto de Lucas 3.4-6, João Batista nos desafia a preparar o caminho. Limpar as arestas. Devemos ser um meio de acesso, um canal, onde Cristo possa se revelar as pessoas que fazem parte de nosso dia a dia. Necessitamos ter mais sede de Deus, do que de Suas bênçãos. Precisamos como discípulos buscar a intimidade de Deus com anseio e se empenhar para alcançá-la. Ter consciência que é mais importante a comunhão com o Senhor do que com as coisas. As torrentes de Deus só caem sobre a terra seca. O Espírito Santo só é derramado sobre os sedentos (Is 44.3). Só os que anseiam por Deus conhecem a intimidade de Deus. Só os sedentos terão sua sede saciada (Mt 5.6). Temos de ser caminho e não pedra de tropeço. Ponte de passagem para Cristo e não abismo que impede as pessoas de vê-lo. Precisamos entender o que João Batista estava querendo nos ensinar. O que significa preparar o caminho do Senhor? Ele nos da um roteiro, um mapa a ser seguido:
1. Se quisermos que o Senhor se manifeste, precisamos aterrar os vales. Sem perceber, vivemos uma vida cheia de depressões, de covas que são vãos existenciais. O que são estes vales? Podem ser muitas coisas: Mau gênio, ciúmes, amargura, ódio, ressentimento, baixa auto-estima, complexo de inferioridade, solidão, tédio. Há um perigo de estarmos vivendo esmagados, achatados, cheios de depressão. Vivendo num buraco, num sepulcro existencial. É preciso aterrar estes vales, sair do buraco. Sair da cova. Vale traz também a idéia de separação, de divisão (na família, na igreja, nos relacionamentos). Não podemos viver uma vida separada, dividida, daquilo que o Senhor tem para nós.   
2. Todos os montes e outeiros precisam ser nivelados. Há muitos montes que são obstáculos para a preparação do caminho para a manifestação do Senhor. O Senhor não se manifesta onde a montes da soberba e do orgulho. Deus resiste fortemente ao soberbo. Onde há presunção e mania de grandeza o Senhor não pode se manifestar. Onde buscamos a gloria para nós mesmos o Senhor não está. Há montanhas em nossas vidas que não deixam espaço para Jesus manifestar-se. Onde buscamos aplauso e promoção pessoal, ai o Espírito Santo não é derramado. Há ainda a montanha da incredulidade. A incredulidade é um monte que precisa ser tirado de nossas vidas, pois ela se opõe ao caminho do Senhor tem para nós. Onde há incredulidade, Deus retém as suas bênçãos. A incredulidade foi a causa de Jesus não ter feito grandes coisas em Nazaré. Isso é grave, pois muitos oram mais não crêem que Deus pode fazer. Muitos pedem, mas não esperam receber.  A falta de fé nos faz pequenos e incapazes diante do inimigo. Torna-nos escravos em vez de príncipes diante do Senhor.
3. Precisamos retificar e endireitar os caminhos tortuosos. É preciso endireitar os caminhos tortuosos: Da mentira: Quantas vezes mentimos em pensamentos, palavras e atos? Muitos mentem para a esposa, para o marido, para os pais, para os irmãos, para o pastor, para Deus. Mentem, na escola, nos negócios, na declaração do imposto de renda, na entrega dos dízimos. A mentira é do diabo. E ela é um impedimento na vida do discípulo. Da vida dupla: Muitos sem saber são atores e fazem de sua vida um teatro. Teatro onde usam inúmeras mascaras. Representam diversos papéis. Muitos são como Naamã, heróis fora de casa, mas leprosos dentro do lar. Outros são como Moisés, continuam com o véu sobre a face, quando não há mais a glória de Deus em seu rosto. Não podemos ser tentados a viver uma vida de aparências onde por fora demonstra santidade, mas por dentro está cheia de impureza. Não podemos ser amáveis com as pessoas e um monstro dentro de casa. Enquanto estes caminhos tortuosos não forem endireitados, não haverá esperança de o Senhor se manifestar.
4. Os caminhos escabrosos precisam ser aplanados. Escabroso significa: Fora do devido lugar. Muitos se encontram fora do lugar onde deve estar: “No centro da vontade de Deus.” Quero dar alguns exemplos que podemos ver na vida de homens e mulheres que a Bíblia nos mostra e que hoje em dia continuam a acontecer na vida de muitos cristãos. Como Jonas, fogem da presença do Senhor. Como Adão, escondem-se de Deus. Como Ananias e Safira, mentem para Deus. Como Acã, escondem seus pecados. Como Sansão, envolvem-se emocionalmente e sentimentalmente fora da vontade de Deus. Como Geazi, cobiçam cegamente as riquezas deste mundo. Como Saul, jogam lanças e farpas contra os ungidos do Senhor. Esses exemplos são reais e demonstram o que é viver uma vida fora do devido lugar, são obstáculos que nos impedem de viver no centro da vontade de Deus.      
      Concluindo, ao ser questionado pelos ouvintes João Batista responde que o arrependimento e a preparação do caminho do Senhor requerem: Generosidade (Lc 3.10-11), honestidade nos negócios (Lc 3.12-13), justiça nos relacionamentos (Lc 3.14), integridade na palavra e na vida (Lc 3.14) e a não aceitação de suborno e propina (Lc 3.14). Quando nos santificamos preparamos o caminho do Senhor, Deus se manifesta. Quando Ele se revela, toda a carne vê a salvação de Deus (Lc 3.6).   
      No amor de Cristo, Chico.