"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Por que a dor não se acaba?

Quanto tempo vai durar a dor? Quanto tempo vai durar a dor provocada por situações que nos deixam depressivos? Nem sempre a alegria rompe de manhã cedo, depois de uma noite de choro (Sl 30.5). A dor pode durar mais de um dia, mais de uma semana, mais de um mês, mais de um ano. A outra boca do túnel, que dá para a claridade, pode estar a uma distância muito grande.
A caminhada do povo hebreu até Canaã durou quarenta anos (Dt 8.2). O tempo de julgo e servidão na Babilônia se estendeu por setenta anos (Jr 25.11). Por quarenta anos, o Egito sofreu humilhação e destruição até reconhecer que o Senhor é Deus (Ez 29.12). Nabucodonosor padeceu em sua loucura por sete “tempos” andando de quatro e comendo a grama do palácio até tomar consciência de que Deus é quem “destrona reis e os estabelece” (Dn 4.32-33). Davi amargou por dez anos sofrendo as consequências do seu adultério. Jó perdeu tudo em um só dia. Ele foi privado de tudo que ele tinha (Jó 19.9), principalmente a saúde e a solidariedade religiosa da esposa. Recuperou tudo, mas não foi repentinamente. Em meio à dor, ele se questionou: “Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?” (Jó 6.11). As vezes esta tem sido a nossa oração! Em meio a perda e a dor ficamos fragilizados e precisamos nos conscientizar que tanto a dor quanto o seu prolongamento, em última análise, são mistérios. Todos sofrem: as crianças e os idosos, os bons e os maus, os cristãos e os não-cristãos, os ricos e os pobres. Uns sofrem mais, outros menos. Em alguns casos, a dor prolongada gera uma fábrica de revoltosos e incrédulos. Em outros, é uma fábrica de santos e de pessoas disponíveis aos outros.
Amados, precisamos estar atentos pois a dor prolongada tanto pode ser uma tentação como uma provação. Se ela me afastar de Deus, é uma tentação; se ela me aproximar d’Ele, é uma provação (e uma bênção). Por mais terrível e misteriosa que seja a dor prolongada, a pior maneira de lidar com ela é perder a comunhão com Deus, perder a fé, perder a esperança. Esse foi o pior conselho que a mulher de Jó lhe deu: “Amaldiçoa a Deus, e morre!”. Porém a resposta que Jó dá a sua esposa precisa estar sempre em nosso coração: “Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?” (Jó 2.9-10). O sofrido Jó nos ensina a suportou a dor prolongada e vencê-la por meio da esperança: “Eu sei que o meu Redentor vive e que no fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).
Meus irmãos, dificilmente a dor prolongada dura a vida inteira. Mas, ela pode demorar muito tempo para passar, por isso é nossa comunhão com Deus que nos dá esperança para vencer a dor, porque sabemos que “no fim ‘o Redentor’ se levantará sobre a
terra” (Jó 19.25). Esse mesmo Redentor “enxugará dos seus olhos toda lágrima. Então não haverá tristeza, nem choro, nem dor [muito menos a dor prolongada], pois a antiga ordem já passou”. Assim, aquele que reina sobre tudo e sobre todos e que está sentado no trono dirá: “Estou fazendo novas todas as coisas!” (Ap 21.4-5). Lembre-se o Senhor virá em nosso socorro, pois Ele conhece os nossos limites!