"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Amor e Hospitalidade


“Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados. Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações.” (1Pe 4.8-9).  O sofrimento nos ajuda a manifestarmos terno amor pelas pessoas. O sofrimento produz em nós uma sensibilidade mais aguçada. Passamos a enxergar a vida e os outros com outros olhos. Tornamo-nos mais sensíveis, tolerantes, amáveis e generosos. O sofrimento ajuda a abrirmos o coração e a casa para ajudar os irmãos. O sofrimento nos torna mais solidários. As grandes campanhas humanitárias são promovidas por pessoas que passaram por perdas e grande sofrimento. Ao lermos o texto na carta de Pedro podemos destacar duas atitudes que como discípulos de Cristo precisamos colocar em prática: 
1. Ter um coração aberto para servir
“Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.” (vs.8).
A palavra que Pedro usa para descrever este amor fraterno é ektenh/ektenē vocábulo grego que significa “aquilo que nunca falha.” Também traz a ideia do atleta que estica os músculos para dar o máximo de si na corrida. O amor cristão exige tudo o que uma pessoa pode reunir de suas energias espirituais, mentais e físicas. Significa amar aquele que não é digno de ser amado. Amar apesar da injuria e do insulto. Amar mesmo quando esse amor não é correspondido. É a espécie de amor que exige cada parte de nossas forças. Pedro afirma que esse amor precisa ser intenso na sua manifestação e protetor em sua atitude. O amor brilha como sol e protege como um escudo. Se o ódio cria contendas, o amor cobre as transgressões (Pv 10.12). Não devemos tomar a expressão “o amor cobre uma multidão” de pecados como uma doutrina sobre como o pecado é removido. A culpa e a penalidade do pecado só podem ser removidos pelo sangue de Jesus Cristo. Nem devemos usar essa passagem para justificar a falta de correção e a disciplina dos que pecam. Na verdade, devemos entender que o amor não é conivente com o pecado, mas não se deleita em expor o pecador.
2. Ser aberto a hospitalidade
“Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações.” (vs.9).
O termo grego que traduz hospitaleiros é filoxenoi/philoxenoi, que significa literalmente “amigo de estranhos.” A hospitalidade na igreja primitiva era vital tanto no aspecto da missão quanto da vida comunitária. Hospedar os missionários cristãos era tarefa muito importante e fundamental para que o cristianismo se espalhasse pelo mundo. Como não havia templos e todas as reuniões dos discípulos eram feitas em casas, a hospitalidade era também muito importante para a vida comunitária.
O cristão abre não apenas seu coração, mas também sua casa. O cristão é alguém que tem o coração aberto e a casa aberta também. Não basta abrir a casa aos irmãos, precisamos fazer isso com alegria e sem murmuração. O discípulo precisa ser hospitaleiro (Rm 12.13; Fm 1.22 e Hb 13.2). Paulo ensinou a Timóteo, que um dos requisitos do presbítero é ser hospitaleiro (1Tm 3.2). A hospitalidade na igreja primitiva era necessidade vital para o avanço missionário da igreja. As pousadas ou hospedarias eram muito caras, muito sujas e muito imorais. Sem hospitalidade os missionários itinerantes teriam de parar com suas atividades.
Concluindo, precisamos servir uns aos outros, de acordo com o dom que recebemos. Nosso propósito é abençoar os outros e edificar o povo de Deus. Nosso alvo é a glória de Deus, a exaltação de Cristo e a edificação dos irmãos. Como discípulos de Cristo e cidadãos do reino de Deus, precisamos ter o coração aberto, ter a casa aberta e as mãos abertas para servir.