"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Porque as pessoas deixaram de cantar na igreja?

Por David Murrow.


Aconteceu novamente ontem. Eu participei de um culto em uma dessas igrejas contemporâneas “quentes” – e quase ninguém cantava. Os fiéis estavam obedientes, de pé enquanto a banda tocava música de rock, a maquina soltava fumaça e as luzes piscavam rapidamente. O texto estava sendo projetado na tela, mas quase ninguém cantava. Umas poucas mulheres tentavam acompanhar, mas eu vi somente um homem, além do dirigente, a fazer alguma tentativa.
Há alguns meses atrás eu fiz um blog intitulado “Os Cristãos deixaram de cantar?” “Have Christians Sto
pped Singing?” Eu fiz alguma pesquisa, e fiquei sabendo que o canto congregacional tem diminuído e aumentado durante séculos. Ele atingiu um ponto alto quando eu era jovem – mas a maré pode estar começando a minguar novamente. E isto poderia ser má notícia para os homens.
Antes, porém, lembremos rapidamente da história do canto congregacional: Antes da Reforma, os leigos eram proibidos de cantar na igreja. Eles deveriam ficar calados enquanto a música sacra era executada por profissionais (sacerdotes e “cantores”, que eram especialistas em canto litúrgico) tocava-se instrumentos complexos
, como o órgão de tubos, e cantava-se textos obscuros em Latim.) Os Reformadores trouxeram de volta o canto congregacional para ser cantado pelo povo. As melodias eram simples e fáceis de serem cantadas, e o texto era muito rico teologicamente. Como a grande parte do povo era analfabeta no século 16, o canto tornou-se uma forma excelente para o ensino das importantes doutrinas cristãs. As pessoas aprendiam a respeito de Deus enquanto cantavam tudo o que se deve e pode-se saber a respeito de Deus.
Um avanço tecnológico – a invenção da imprensa –
causou uma explosão do canto congregacional. O primeiro hinário foi impresso em 1532, e logo algumas dúzias de hinos se tornaram populares em toda a cristandade. Os hinários continuaram a crescer nos quatro séculos seguintes. Na metade no século 20 todas as igrejas Protestantes tinham um hinário de aproximadamente 1000 hinos, 250 dos quais eram frequentemente cantados. Na igreja de minha juventude, cada pessoa sempre podia apanhar um hinário disponível no banco e cantar cada estrofe de cada hino.
Cerca de 20 anos atrás, um novo avanço tecnológico - o computador, com a capacidade de projetar textos na tela
– começou a entrar nos santuários na América do Norte e no resto do mundo. De repente as igrejas podiam projetar o texto dos cânticos para todos acompanharem. Os hinários rapidamente se tornaram obsoletos. Os cristãos não ficavam mais limitados aos 1.000 hinos e cânticos recebidos do passado.
No início as igrejas simplesmente projetavam cânticos que todos conheciam – canções e alguns hinos simples de louvor que tinham surgido durante o “Jesus Movement”. As pessoas os cantavam com entusiasmo. Mas isto começou a mudar há mais ou menos 10 anos atrás. Os
líderes do culto de adoração entenderam que podiam projetar qualquer coisa na tela. Então eles começaram a trazer canções novas todas as semanas. Eles as tiravam do rádio, da Internet, das conferências, congressos e acampamentos. Alguns, mesmo sem treino algum, começaram a compor suas próprias músicas e a cantá-las durante o culto, e, além disso, vendê-las gravadas em CD’s na saída do templo.
Em pouco tempo, de 250 canções que todos conheciam, surgiram mais de 250,000 canções que ninguém conhece. Anos atrás, os líderes do culto preparavam a congregação de antemão
, para aprender os novos cânticos que seriam usados no culto. Eles diziam: “Agora nós vamos cantar um hino novo para vocês aprenderem. Nós vamos cantá-lo duas vezes, e depois gostaríamos que vocês o cantassem conosco.”
Hoje em dia não se faz mais isso. Frequentemente os cânticos mudam tão repentinamente que é impossível que alguém possa aprendê-los! As pessoas simplesmente não conseguem cantar algo que nunca ouviram antes. E nem ao menos existe a partitura da musica! Como é possível aprender a melodia?
Então a igreja voltou ao século 14. As pessoas ficam
mudas enquanto músicos de calibre profissional tocam instrumentos complexos, e cantam em uma linguagem obscura totalmente encoberta pelo som de alto-falantes acima do nível suportável. Martinho Lutero deve estar virando no caixão, em seu túmulo…
O que significa isso para os homens? No lado positivo, eles não sentem mais a pressão de que são obrigados a cantar na igreja. Os homens que têm dificuldade para ler e nem possuem grandes vozes, não precisarão mais ficar perdidos ao folhear os hinários, nem cantar textos antigos com palavras arcaicas, muito menos tentar solfejar a pauta
da música.
Mas o lado negativo é imenso. Os homens geralmente gostam de fazer as coisas e cantar era uma das coisas que podiam fazer juntos no igreja. Era uma excelente oportunidade para participar. Atualmente, com o desaparecimento do canto congregacional, a comunhão semanal desaparece, só resta uma maneira para, de alguma forma, os homens participarem do culto – que é no ofertório. Seria esta a mensagem que realmente queremos dar aos homens?: “Sente-se aqui, fique bem quietinho, e divirta-se com o show. E não se esqueça de nos dar o um
dinheirinho depois, viu”?
Talvez não haja nada de errado com o profissionalismo na igreja. O problema talvez nem seja a banda de rock, as luzes e a máquina que solta fumaça. A questão que estamos focalizando é a falta de familiaridade. Mesmo que o nosso intuito ao adorar a Deus não seja necessariamente o de agradar as pessoas, é natural que as pessoas apreciem ouvir ou cantar coisas que conhecem!
Como sabemos disso? Reparem quando uma banda “quente” executa um hino conhecido: o povo responde com prazer e todos cantam, até os homens!
“Why men have stopped singing in church”
Trad. J.W.Faustini