"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



segunda-feira, 15 de julho de 2013

A formação de discípulos

“Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas. Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos. E disse-lhes: Nada leveis para o caminho: nem bordão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem deveis ter duas túnicas. Na casa em que entrardes, ali permanecei e dali saireis.  E onde quer que não vos receberem, ao sairdes daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra eles.  Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho e efetuando curas por toda parte.” (Lucas 9.1-6).

Na formação de seus discípulos, Jesus seguia sempre o mesmo padrão. Ao invés de ensinar-lhes fórmulas para guardarem no cérebro, ele lhes dava tarefas concretas para realizarem. E eles obedeciam. Ele não pregou sermões inspirativos para motivá-los. Ele não precisou fazer isto. Pois, para isso as pessoas precisariam ser ativadas em suas emoções para que pudessem sentir como seria belo poder fazer aquilo que Jesus lhes ordena. Se nós nos colocássemos realmente sob as ordens de Cristo, ele simplesmente diria o que desejava, e não precisaríamos de música suave ao órgão, nem palavras tocantes do púlpito, nós faríamos aquilo que ele nos ordenou. Jesus não disse aos doze e depois as setenta: "Que tal fazermos uma excursão missionária? Talvez possamos realizar uma viagenzinha por nossa região, agora." Não. Ele ordenou e eles foram. Foi assim a formação daqueles discípulos.
Para que haja formação de vidas cristãs, temos que parar de ser oradores e começar a ser pais.
Os pregadores têm apenas ouvintes. Os pais têm filhos. Quando o aprendizado não ocorre pelo ouvir, e sim pelo obedecer. O que acontece ao orador quando acaba de falar? Os ouvintes dizem: "Obrigado, pelas belas palavras." E é tudo. Quando os setenta regressaram a Jesus após terem obedecido seu mandamento, contaram para o Senhor acerca dos demônios que se lhes submetiam. E a réplica de Jesus não foi: "Muito obrigado por terem feito o que eu disse!"
Em vez disso, ele deu outra ordem:
"Alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos céus" (Lc 10.20).
Na ocasião em que Tiago e João quiseram invocar fogo dos céus sobre os samaritanos hostis, a Bíblia diz claramente: "Jesus, porém, voltando-se os repreendeu" (Lc 9.55). Ao agir assim, ele os estava formando. Quando Pedro levantou aquela objeção à ideia da crucificação, Jesus lhe disse: "Arreda! Satanás; tu és para mim pedra de tropeço" (Mt 16.23). Será que podemos imaginar alguém hoje, dizendo isto para uma pessoa que esta evangelizando ou discipulando? Gostemos ou não, a repreensão é parte do processo de formação no discipulado. O Senhor Jesus não nos tem chamado apenas para estarmos com Ele, mas Ele quer nos enviar a anunciar o Seu reino, a curar os enfermos e para expelir demônios. Somos chamados para realizarmos Sua obra em Seu nome, com a autoridade de Seu nome, levando a Sua mensagem como extensão de Sua própria missão. Como Ele diz em Mateus 10.40: “Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.
A um ponto que gostaria de destacar diante do chamado que temos recebido do Senhor: Quando os discípulos saíram a pregar aos homens, não criaram uma mensagem, mas eles levaram a mensagem do reino. Não levaram aos homens as suas opiniões, mas a verdade de Deus, que cura e liberta. O conteúdo da mensagem focava três áreas distintas:
Eles pregavam arrependimento: O Senhor os enviou com uma mensagem a ser ensinada e eles obedeceram. Pregaram o arrependimento. A mensagem do evangelho começa com o arrependimento. Arrepender-se significa mudar de mente e logo adaptar a ação a essa mudança. O arrependimento não é lamentar-se sentimentalmente. É algo que meche com nossa estrutura, que muda fatos e circunstâncias em nossa vida, por isso são poucos que se arrependem. Devemos chamar as pessoas ao arrependimento se quisermos seguir o exemplo de obediência dos apóstolos. É impossível alguém entrar no reino de Deus sem passar pela porta do arrependimento, pois não há pessoas impertinentes no reino de Deus. Todos que entram em Seu reino sentem, choram e lamentam a sua triste condição espiritual. Os discípulos foram enviados de dois a dois. Isso fala de mutua cooperação, mutuo encorajamento, mutuo ensino e também credibilidade do testemunho. Em Mateus 28.20 diz que o Senhor vai estar sempre conosco quando estivermos cumprindo nosso chamado de ser e fazer discípulos.
Eles curavam os enfermos: Os apóstolos pregaram aos ouvidos e aos olhos. Eles falaram e fizeram. Proclamaram e demonstraram. Eles tinham palavra e poder. A salvação é uma benção que se estende ao homem integralmente, pois atinge ao corpo e a alma. Os apóstolos ungiam os enfermos com óleo. O óleo era usado como um cosmético, remédio e símbolo espiritual. Porem, os discípulos não usaram o óleo como remédio ou cosmético, mas como símbolo da presença, da graça e do poder do Espírito Santo. Não podemos nos esquecer de que ainda hoje o óleo é um símbolo bíblico da presença do Espírito Santo, e assim, a própria unção da manifestação da cura divina, é o poder de Deus operando em nós pela graça do Espírito Santo para libertar o oprimido, dar vista ao cego, o paralitico andar e o evangelho ser pregado às nações.
Eles expulsavam os demônios: A libertação faz parte do evangelho. O messias veio para libertar os cativos. Ele se manifestou para libertar os oprimidos do diabo e desfazer suas obras. O reino de Deus não estava penetrando num vácuo de poder, mas o Senhor nos tem chamado para levar as pessoas para Ele, e assim, precisamos entender que há um inimigo a ser vencido, um espaço a ser dominado que se encontra sobre uma fortaleza espiritual:
· Romanos 15.19 diz: “por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo.”
· 2 Coríntios 10.4-6 diz: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas  e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,  e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.”
    Jesus ensinou aos discípulos que deviam aproveitar as portas abertas e não forçar as fechadas. Onde houvesse rejeição, os apóstolos não deveriam permanecer, ao contrario deviam seguir adiante. Era preciso buscar portas abertas. Paulo obedeceu a ordem do Senhor quando orou por portas abertas e onde elas se fechavam, ele ia adiante. Em sua terceira viagem missionária, o apóstolo Paulo escreve “porque uma porta grande e eficaz se me abriu” (1 Co 16.9a). Paulo orou e o Senhor Jesus derramou do Seu Espírito sobre os crentes daquele lugar, de forma que falavam em línguas e profetizavam (At. 19.6), e todos os habitantes da Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus (v.10), pois “Deus, pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias” (v. 11). Mas o apóstolo Paulo, mesmo tendo uma porta grande e eficaz aberta, destacou: “e há muitos adversários” (1 Co 16.9b). Em Atos 19.23-41, observamos muitas perseguições que Paulo e a igreja de Cristo sofreram por amor a Jesus. Precisamos orar e buscar no Senhor por portas abertas. 
    Concluindo, nossas atitudes e ações precisam refletir a mensagem do evangelho de Cristo que temos recebido.