"Cristãos na teoria nem sempre são
discípulos na prática"



domingo, 21 de julho de 2013

Lamento e dor!

Estive em um velório nesta sexta-feira e logo na entrada do cemitério algo me chamou a atenção, o estacionamento estava completamente tomado por carros e uma longa fila de espera por uma vaga. Ao entrar no velório, havia uma disputa por espaço entre pessoas e coroas de flores, algo inusitado para um local de choro e lamento. Mas o ambiente era realmente de choro e lamento. Um marido perdeu a ajudadora, uma filha perdeu sua mãe, pais perderam a filha para o câncer. E neste momento o Espírito Santo começou a falar em meu coração de como é agradável ao Senhor a morte de seus santos (Salmo 116.15). A igreja estava reunida para chorar por uma irmã querida, não é um choro de dor e muito menos um choro de lamento, mas um choro pela separação, pois esta irmã foi promovida aos céus, foi levada para o seio do Pai. É uma benção termos a consciência que até a nossa morte tem um peso de testemunho aos incrédulos. 
Fiquei observando como a igreja reunida toca as pessoas, havia um certo tumulto, o local era pequeno para tanta gente. A igreja estava reunida e não tinha espaço para conversas e falatórios (o que sempre acontece em velórios), o ambiente foi tomado pelos louvores da igreja, pelas orações. A palavra foi compartilhada e aquele local foi tomado por um silencio obsequioso. Amados que cena marcante, o que acontece quando a igreja se reúne, Paulo diz que a igreja transtorna as convenções (Atos 17.6).
Ao voltar a minha casa estava inquieto e comecei a pensar, que momento a igreja tem vivido em nossas cidades. Temos transtornado o ambiente onde testemunhamos a Cristo? Chega de gritos retumbantes, chega de danças, chega de algazarra, chega de foguetadas, chega de balões coloridos, chega de música estridente! De hoje em diante, vou misturar o barulho com o silêncio, a alegria com o choro, as miragens mirabolantes com a contemplação, a súplica com a adoração, as ações de graças com as lamentações, as canções alegres com as canções tristes. Pois a Bíblia diz que há tempo para tudo. Por exemplo, “tempo de ficar triste e tempo de se alegrar” (Eclesiastes 3.4).
A cultura no meio da qual temos vivido nós ensina a abominar a tristeza e a idolatrar a alegria, embora certa tristeza seja mais nobre que certa alegria.
Estou aprendendo a reservar o momento certo das canções alegres e o momento certo das canções tristes com o profeta Ezequiel. É ele mesmo que conta a sua experiência: “O Senhor Deus me mandou cantar uma canção de tristeza a respeito de dois reis de Israel” (Ezequiel 19.1).
O Senhor o mandou cantar uma canção de tristeza e não de alegria por causa do momento histórico pelo
qual passava o povo eleito. A tomada de Jerusalém estava próxima. Faltava pouco tempo para o templo do Senhor ser queimado e profanado. Muito breve as crianças morreriam de fome nas esquinas das ruas ou seriam comidas pelas próprias mães, que perderiam o juízo por causa da fome, e a morte subiria pelas janelas e invadiria os palácios e acabaria com a vida de muita gente (Lamentações 2.19-20; Jeremias 9.21). A canção de tristeza que o profeta cantou dizia respeito a uma leoa que criou dois leõezinhos e os ensinou a caçar. Depois de muitas façanhas, os dois filhotes caíram numa armadilha, foram colocados numa gaiola e conduzidos para o rei da Babilônia. Era uma alegoria que fazia referência aos reis Jeoacaz e Joaquim, que foram levados como prisioneiros respectivamente para o Egito e para a Babilônia. Ezequias viveria o suficiente para assistir à desgraça dos dois leõezinhos, ao cerco e à destruição de Jerusalém no ano 586 antes de Cristo. Não era possível cantar a canção da alegria! Ele e mais algumas pessoas cantariam então a canção da tristeza. O livro de Ezequiel registra: “Esta é uma canção de tristeza que tem sido cantada muitas vezes” (Ezequiel 19.14). Anos depois da tomada de Jerusalém, aqueles que levaram os judeus como cativos para a Babilônia pediam que eles cantassem as suas canções. Mas eles se negaram e disseram: “Mas, em terra estrangeira, como podemos cantar um hino a Deus, o Senhor?” (Salmo 137.4). Ainda não tinha chegado para eles o tal tempo de se alegrar e de dançar. O tempo era de ficar tristes e de chorar. Amados, com a ajuda de Deus precisamos parar de dançar quando a nossa situação, a família, a igreja e a nossa nação esta passando por um momento tão delicado. Precisamos derramar lágrimas quando as coisas vão de mal a pior e quando o abismo está bem à nossa frente! Como seria possível dançar num momento de dor? Como é possível estar indiferente e se alegrar, quando o tempo é de lamento e choro? Lembre-se: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;  tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria...” (Eclesiastes 3.1-4).